Heloisa Toller Gomes. As marcas da escravidão: o negro e o discurso oitocentista no Brasil e nos Estados Unidos. Rio de Janeiro: edUERJ, 2008. (2ª ed.)
Heloisa Toller Gomes se inspirou no pensamento de Foucault que enfoca o tema do p
oder de maneira diferente das suas concepções clássicas. Para ele, o poder não pode ser localizado em uma instituição ou no Estado assim como não pode ser considerado como algo que o indivíduo cede a um soberano (concepção contratual jurídico-política). Trata-se de uma relação de forças. Ao ser relação, o poder está em todas as partes já que uma pessoa está atravessada por relações de poder e não pode ser excluída delas. Para Foucault, o poder não somente reprime, mas também produz efeitos de verdade e saber, constituindo verdades, práticas e subjetividades. A partir desse enfoque, o livro busca resgatar a imagem do negro tanto no Brasil como na América do Norte no oitocentos analisando os discursos religioso, político e literário. Leva em consideração ainda uma pesquisa interdisciplinar que recorre às ciências sociais e a outros saberes sem se submeter a nenhum deles. Ao identificar o papel do negro oprimido por esta relação de poder, a obra recupera e devolve respeito e compaixão para este capítulo da nossa história.
