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Parati

Viviane Gouvea
Mestre em Ciência Política - UFRJ
Pesquisadora - Arquivo Nacional 

No final do século XVI, Martim Correia de Sá, filho do então governador-geral Salvador de Sá, desembarca em uma praia remota no acidentado litoral do que é hoje o Sul Fluminense. Seguindo por uma trilha aberta pelos nativos, ele parte em uma expedição formada por centenas de portugueses, com a missão de escravizar indígenas na região até o vale do rio Paraíba. Uma enorme muralha interpunha-se entre essas praias e o interior - o sertão -, coberta por florestas densas e úmidas que se tornavam mais frias à medida que avançavam pelo interior.

Esta serra ganharia, posteriormente, o nome de serra do Mar, à qual se segue a serra da Mantiqueira. Por muitos anos essas montanhas assombraram os exploradores europeus, por serem íngremes, cobertas por matas muito fechadas e sombrias, habitadas por gente e animais que lhes eram estranhos. Ao pé desta muralha foi fundado um povoado que passou a servir de base para a ocupação da região, a partir do início do século XVII.

Embora não haja consenso a respeito, estima-se que a primeira base do povoado tenha sido uma capela em homenagem a São Roque, fundada bem antes da expedição de Martim de Sá, ainda por volta de 1540. Já na primeira década do século XVII chegam os primeiros sesmeiros da capitania de São Vicente/ Itanhaém e ali se instalam definitivamente. Entre as décadas de 1630 e 1640, uma nova igreja é fundada em uma gleba doada pela sesmeira Maria Jacome de Melo, em um local mais ao sul do assentamento original (no atual morro do Forte), e esta acaba sendo o marco de fundação do povoado, que assim ganhou oficialmente uma paróquia.

Seja como for, desde então os viajantes que vinham da cidade do Rio de Janeiro e partiam para explorar o interior passaram a utilizar a trilha aberta por indígenas, que subia a partir desse povoado, ganhava a serra do Facão e Cunha e, posteriormente, alcançava o vale do Paraíba. Já a partir do interior da capitania de São Paulo, trilhas abertas ou por guaianases e goitacases, ou por bandeirantes paulistas, permitiam o avanço interior adentro. Posteriormente, com a descoberta de ouro na região de Ribeirão de Ouro Preto, do Ribeirão das Mortes e do Rio das Velhas, começa a corrida à região e a abertura de uma comunicação terrestre que unisse as minas a algum porto de escoamento tornou-se premente. Mais do que um simples acesso, fez-se necessário um caminho oficial que permitisse o controle do fluxo de bens que entravam e saíam da região das minas.[1]

Foi pouco antes das primeiras descobertas de ouro no interior que a confusa fundação oficial da vila de Parati (até então povoado) ocorreu. Azevedo Pizarro cita, em 1822, um documento de 1661 que retrata esse processo. O documento, assinado pelos "oficiais da câmara da vila de Angra dos Reis da Ilha Grande", questiona a instalação de um pelourinho no povoado então chamado vila de Nossa Senhora dos Remédios, oficialmente subordinado à vila de Angra, por parte do representante desta, elevando o à categoria de vila. A ação foi levada a cabo por antigos moradores da localidade nas figuras do capitão Domingos Gonçalves de Abreu e do capitão-mor de São Vicente/Itanhaém (capitania à qual os distritos de Parati como da vila de Angra se encontravam subordinados) Jorge Fernandes da Fonseca, e à revelia das instâncias a quem supostamente cabia uma decisão dessa monta, ou seja, a própria câmara da vila de Angra. O protesto caiu no vazio. A vila de Nossa Senhora dos Remédios de Parati passou a existir oficialmente em 1667, com a aprovação do rei d. Afonso VI da sua criação. Ela foi consequência em grande parte da pressão exercida pelos próprios moradores que - fato até então inédito na colônia -, sob a liderança dos já citados capitães, se rebelaram e exigiram a elevação do povoado à categoria de vila, independente de Angra dos Reis, ainda em 1660, quando foi erguido o pelourinho para que se fizesse a justiça e se cumprissem as leis;[2]

No começo do século seguinte `XVII] forão alguns deles assentar vivenda na falda d'uma alta serra na extrema sul da Bahia a que o almirante Martim Affonse de Souza posera o nome de Angra dos Reis, edificarão uma capela de que era padroeiro São Roque, e ali viverão um verdadeiro estado de independência a ponto que o ouvidor geral João Velho de Azevedo, no decurso do ano de 1654, representava ao governo que aquela povoação, onde oito anos antes se havia edificado uma nova igreja da invocação de Nossa Senhora dos Remédios, se achava sem justiças, nem câmara, e era um valhacouto de malfeitores. À requerimento de Domingos Gonçalves de Abreu, capitão da dita povoação, veio a Ella em 1660 Jorge Fernandes da Fonseca, capitão mor da capitania de São Vicente, e levantou um pelourinho, e a elevou à categoria de Villa com o nome de Paratii.[3]

A elevação à vila foi consequência não apenas da pressão local, mas também da existência de um caminho fundamental que levava ao interior, onde àquela altura já se sabia haver ouro. Pela posição estratégica da vila, a falta de regulamentação e controle oficiais poderia se mostrar extremamente problemática, e mesmo depois de criadas a câmara e a cadeia, as queixas em torno de atividades de contrabandistas na região de Parati e em toda a baía de Angra dos Reis jamais cessaram.

As antigas trilhas uniam-se a novos caminhos que permitiam uma ligação, ainda que dificultosa, entre a vila de São Paulo de Piratininga, o Rio de Janeiro e a região das minas, e incluía outras cidades e povoações do vale do Paraíba. A viagem do Rio para as minas podia levar até três meses, e o trecho entre Parati e Sepetiba tinha que ser coberto por mar. Nesse momento, uma viagem já perigosa tornava-se ainda pior com a ameaça de saqueadores, piratas, além de condições variáveis de navegação. Documentação encontrada no fundo Secretaria de Estado do Brasil do Arquivo Nacional, em especial na correspondência do vice-rei com outras autoridades, reafirma a atuação intensa de contrabandistas e corsários espanhóis na região, incluindo Angra, Ilha Grande e Parati.

A maior parte do caminho por terra constituía-se de picadas e trilhas abertas por indígenas e exploradores, sem ingerência oficial. O fato passou a ter maior relevância depois da descoberta da região das minas, quando a Coroa imediatamente passou a controlar os caminhos pelos quais o ouro passaria. Em uma tentativa de minimizar esse descontrole, a metrópole determinou, no início do século XVIII, que todo o ouro vindo da região das minas fosse embarcado em Parati, e em 1703 surge a Casa de Registro de Parati. Também em 1703 uma carta régia determinava a criação de uma trincheira para defesa do porto da vila. As dificuldades de vigilância em relação aos desvios do ouro nesse caminho são descritas em vários documentos do fundo Secretaria de Estado do Brasil, em especial por meio de informações prestadas ao provedor do registro Manuel Dias de Meneses. Na Casa de Registro de Parati junto ao pé da serra, por exemplo, havia apenas um sargento, dois soldados e um escrivão para fazer a cobrança do quinto.

A rota do ouro necessariamente teria que ser uma rota oficial, sob controle da Coroa. O caminho novo foi iniciativa de Arthur de Sá Menezes, governador da capitania do Rio de Janeiro, que nos últimos anos do século XVII contratou Garcia Rodrigues, tarimbado sertanista, filho do bandeirante Fernão Dias Paes para realizar o projeto.. O novo traçado dispensava a passagem por Parati e a consequente travessia por mar até as cercanias do Rio de Janeiro. Em 1700 estava pronta a picada para pedestres, e durante os anos seguintes o caminho foi aprimorado para permitir a passagem de animais de carga. Mais tarde, entre 1720 e 1725, um trecho foi alterado no novo caminho, introduzindo uma variante que passava pela serra da Estrela e pela atual cidade de] Petrópolis, encontrando o caminho original na região do atual município de Paraíba do Sul. Aberto pelo oficial Bernardo Proença, o trecho acabou sendo incorporado definitivamente à Estrada Real. A viagem então poderia ser feita em cerca de dez dias, e não havia mais a necessidade de passar por Parati. Logo, o uso do velho caminho tornou-se proibido como forma de coibir o contrabando (os descaminhos). Documentos também da Secretaria de Estado do Brasil mostram que em virtude da pressão exercida pelos habitantes de ambas as regiões (em Minas, porque a utilização de apenas um caminho dificultava ainda mais o já complicado abastecimento de alimentos; e em Parati, pelos prejuízos advindos da sua exclusão da rota de comércio) o caminho velho seria reaberto, embora apenas para ida - o ouro teria, de qualquer forma, que sair da região de extração pelo caminho novo. Um requerimento de comerciantes ao governador do Rio de Janeiro, datado de 1710, solicita permissão para chegar à região das minas através do caminho de Parati, devido à falta de alimentos do caminho novo. A petição foi concedida.

Em 1720, a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Parati perde a Casa de Fundição, e a capitania de São Paulo e Rio do Ouro é desmembrada, criando-se a capitania de São Paulo. No processo, Parati acaba incorporada à nova capitania. Contudo, o movimento não deu bons resultados: pelo relato do então governador do Rio de Janeiro, Luiz Vahia Monteiro, percebe-se a dificuldade de vigiar e controlar o que acontecia nas redondezas, posto que o governador, responsável pela vila de Angra dos Reis, nada podia fazer contra os malfeitores que conseguissem se evadir para território fora de sua jurisdição. Além disso, o ouvidor do Rio de Janeiro continuava a exercer jurisdição sobre Parati, embora em termos civis a vila pertencesse a São Paulo. A situação, incômoda aos habitantes da região e especialmente ao governo do Rio de Janeiro, resultou no retorno de Parati à alçada da capitania do Rio de Janeiro, em 1727.

A importância da atividade mineradora para o desenvolvimento da região tende a ser redimensionada nos dias de hoje: sua influência direta durou pouco tempo, em um período em que o fluxo ainda não se tornara tão intenso. Embora a atividade tenha impulsionado o desenvolvimento inicial da região e do seu porto, foi na verdade a sua condição de distribuidor e mesmo produtor de gêneros de primeira necessidade, voltados para o mercado da região das minas e, já no século XIX, do vale do Paraíba, que dinamizou a economia da região.

A vila sobreviveu ao chamado ciclo do ouro, apesar de ter diminuído de importância. Em dezembro de 1813 foi elevada à categoria de condado, e em 1822 "constatou-se a passagem pela cidade de 160.914 cabeças de homens e animais": eram riquezas das Gerais, no começo, e, posteriormente, o café do vale do Paraíba sendo embarcados para a Europa, na medida em que escravos, especiarias e, sobretudo, o luxo europeu chegavam para os barões do café. No ano de 1844 Parati torna-se cidade.[4]

A produção de aguardente e de açúcar permaneceu como o carro-chefe da economia local até meados do século XIX, produtos estes que eram comercializados através da antiga rota do ouro. A atividade cafeeira, também no século XIX, no vale do Paraíba deu novo impulso ao comércio na região, em especial às atividades de exportação e tráfico ilegal de escravos. Mas a chegada de uma ferrovia em 1870, ligando São Paulo ao Rio de Janeiro através do vale do Paraíba, tornou o antigo caminho de burros completamente obsoleto. Após a abolição da escravidão e a proclamação da República, a cidade caiu em um isolamento do qual sairia apenas na segunda metade do século XX.

Paradoxalmente, esse isolamento de mais de um século permitiu que a cidade, hoje considerada monumento histórico nacional, se apresentasse aos olhos dos viajantes do século XXI como um cenário colorido de uma vila colonial. Predominam o azul e o branco, possivelmente consequência da influência maçom na região, responsável ainda, segundo indícios, por diversos padrões arquitetônicos e urbanísticos da cidade.[5]

[1] Para maiores detalhes acerca da utilização inicial do antigo caminho dos guaianases e posterior abertura do caminho novo, consultar Os caminhos do ouro e a estrada real `Os caminhos do ouro e a estrada real. COSTA, Antônio Gilberto (org.). Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2005`, e Estrada real: o presente ilumina o passado `Estrada Real: o presente ilumina o passado = le présent éclaire le passé. Brasil: Liberato Produções, 2008].
[2] A obra Memórias históricas do Rio de Janeiro e das províncias anexas a jurisdição do vice-rei do Estado do Brasil, de Azevedo Pizarro e Araújo, apresenta o histórico do processo de ocupação e também de autonomia de Parati. ARAÚJO, José de Souza Azevedo Pizarro e. Memórias históricas do Rio de Janeiro. MORAES, Rubens Borba de (Prefaciador). Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa Nacional, 1945-1948. O trabalho de José Diuner de Mello - Paraty: notas históricas, Instituto Histórico e Artístico de Paraty (1994) -, mais recente, também apresenta algumas informações valiosas.
[3] J.C.R Milliet de Saint Adolphe, Diccionario geographico historico e descriptivo do Império do Brazil. Paris, 1863. In: Tricentenário de Parati: Notícias históricas. Publicação do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, 1960.
[4] Informações do site oficial da cidade; disponível em
[5] Sobre a presença da maçonaria em Parati, FRANÇA, Antônio Carlos. Histórias e Crendices sobre os Maçons nos Caminhos e Descaminhos do Ouro. In: XVII Simpósio de História do Vale do Paraíba, 2003, Paraty. Jornal do Instituto de Estudos Valeparaibano, 2003. FRANÇA, Antônio Carlos. Paraty, uma relíquia da Maçonaria do Brasil. In: XV Simpósio de História do Vale do Paraíba, 2000, Quatis-RJ. Anais do XV Simpósio de História do Vale do Paraíba. Quatis-RJ : Prefeitura Municipal de Quatis, 2000. v. 1. p. 28-29. Além do artigo Um breve olhar sobre a maçonaria, de Sérgio André Barros Melo Carvalho, in Cadernos do CNFL da UERJ, vol 11, n. 5, agosto de 2007.

Conjunto documental: Cartas régias, provisões, alvarás e avisos

Notação: cód. 952 vol. 15
Data-limite: 1704-1705
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta da rainha da Grã-Bretanha e infanta de Portugal, dona Catarina de Bragança, para o governador do Rio de Janeiro, dom Álvaro da Silveira e Albuquerque ordenando que a construção da trincheira e reduto na Vila de Parati fosse realizada por pessoas particulares que custeassem toda a despesa da obra devido à recusa das vilas circunvizinhas em contribuir para esta obra. Aquele que assim fizesse se tornaria capitão do presídio.
Data do documento: 4 de setembro de 1704
Local: Lisboa
Folha(s): 17

Conjunto documental: Cartas régias, provisões, alvarás e avisos
Notação: cód. 952 vol. 15
Datas-limite: 1704-1705
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta da rainha da Grã-Bretanha e infanta de Portugal, dona Catarina de Bragança, para o governador do Rio de Janeiro, dom Álvaro da Silveira e Albuquerque ordenando a nomeação de Estevão José Carneiro em Santos e de Manoel de Proença em Parati para a ocupação de assistir o registro do ouro que vinha das minas nas casas de cunho. As casas de cunhagem eram autorizadas somente nestas respectivas vilas.
Data do documento: 4 de outubro de 1704
Local: Lisboa
Folha (s): 133

Conjunto documental: Governadores do Rio de Janeiro
Notação lógica: códice 77 vol. 19
Datas-limite: 1707-1713
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código de fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta de concessão de sesmaria localizada na Ponta Negra na praia da Trindade em
Parati, expedida pelo governador do Rio de Janeiro, dom Fernando Martins Mascarenhas Lancastro, ao sargento mor Salvador de Castilho Pinto, um dos primeiros moradores desta vila.
Data do documento: 23 de março de 1708
Local: Rio de Janeiro
Folha (s): 73-74 v

Conjunto documental: Livro original de termos e homenagens
Notação lógica: códice 11
Datas-limite: 1709-1788
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: cópia de época do conjunto de documentos constando o requerimento dos homens de negócio enviada ao governador do Rio de Janeiro, Francisco de Castro Morais, solicitando a permissão para irem às minas através do caminho velho da vila de Parati, devido à falta de alimentos no caminho novo. O provedor da Fazenda Real, Luiz de Almeida Correia e Albuquerque, recomendava que tal petição fosse atendida enquanto necessário, desde que o retorno fosse realizado através do caminho novo, uma vez que com o comércio parado os danos também recairiam sobre a Coroa, visto que a mesma seria prejudicada em decorrência da queda da arrecadação dos quintos reais obtidos daqueles que vinham das minas.
Data do documento: 4 de agosto de 1710
Local: Rio de Janeiro
Folha (s): 4 v-5 v

Conjunto documental: Correspondência ativa e passiva dos governadores do Rio de Janeiro com a Corte. Registro original
Notação: Códice 80, volume 02
Datas-limite: 1725-1730
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: relato do governador do Rio de Janeiro, Luiz Vahya Monteiro sobre a viagem feita a Parati, Ilha Grande e Angra dos Reis em relação às fraudes que ocorrem nestes locais e a dificuldade de resolvê-las devido a Parati pertencer a São Paulo e Angra dos Reis pertencer ao Rio de Janeiro e sugerindo que ambas as capitanias ficassem sob a responsabilidade de um só governador
Data do documento: 3 de julho de 1725
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 4

Conjunto documental: Correspondência ativa e passiva dos governadores do Rio de Janeiro com a Corte. Registro original
Notação: Códice 80, volume 02
Datas-limite: 1725-1730
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta do governador do Rio de Janeiro, Luiz Vahya Monteiro, para a Sua Majestade relatando que quando de sua visita à parte sul da Vila de Parati encontrou Manuel Dias de Meneses, provedor do registro, estando ele sem exercício por não ter escravos e nem como evitar os descaminhos do ouro. E também que por desavenças existem fraudes de pessoas que não pagam o registro.
Data do documento: 31 de julho de 1727
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 114v

Conjunto documental: Correspondência ativa e passiva dos governadores do Rio de Janeiro com a corte. Registro Geral
Notação: códice 80 - volume 04
Datas-limite: 1730 - 1731
Título do fundo: Secretaria de estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta de d. João V ao governador da capitania do Rio de Janeiro, Luis Vahia Monteiro, ordenando a prisão do coronel Jorge Pedrozo de Souza. Recomenda todo cuidado com sua prisão até que se possa averiguar a sua responsabilidade ou não nos crimes que lhe são imputados, crimes estes que se acham registradas nos capítulos da Villa de Parati.
Data do documento: 31 de maio de 1728
Local: vila de Parati
Folhas: 09

Conjunto documental: Correspondência ativa e passiva dos governadores do Rio de Janeiro com a corte. Registro Geral
Notação: códice 80 - volume 04
Datas-limite: 1730 - 1731
Título do fundo: Secretaria de estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta de Luis Vahia Monteiro, governador da capitania do Rio de Janeiro, a d. João V, esclarecendo-o sobre os desdobramentos que se deram após o recebimento da ordem para a abertura do caminho de São Paulo para o Rio de Janeiro. Ele relata as dificuldades devido ao fato de muitas terras serem administradas pelos padres da Companhia como também das congregações do Carmo e São Bento. Segundo ele, estes se apresentam como grandes obstáculos nas demarcações das terras, nas atividades realizadas no rio Guandu, principalmente pelos mais pobres que vivem da pesca, e na passagem para vila de Parati e outras regiões, sendo os descaminhos inevitáveis por causa das ações e autoridade que esses padres exercem.
Data do documento: 3 de janeiro de 1730
Local: Vila de Parati
Folhas: 10 e 11.

Conjunto documental: Correspondência ativa e passiva dos governadores do Rio de Janeiro com a corte. Registro Geral
Notação: códice 80 - volume 04
Datas-limite: 1730 - 1731
Título do fundo: Secretaria de estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta de Luiz Vahia Monteiro, governador do Rio de Janeiro a d. João V, informando-o sobre a nomeação de Manuel Salgado da Cruz pra juiz e escrivão da devassa e notas da vila de Parati. O governador justifica a nomeação afirmando ser o seu escolhido um homem de virtude e temente a Deus.
Data do documento: 1 de agosto de 1730
Local: Vila de Parati
Folhas: 44

Conjunto documental: Correspondência ativa e passiva dos governadores do Rio de Janeiro com a corte. Registro Geral
Notação: códice 80 - volume 04
Datas-limite: 1730 - 1731
Título do fundo: Secretaria de estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta do governador do Rio de Janeiro, Luis Vahia Monteiro a d. João V, deixando-o informado a respeito dos acontecimentos que se deram com os acusados de fundir ouro e cunhar as barras com cunho falso. Fuga de Antônio Pereira de Souza para a província de São Paulo e, ao ser descoberto, nova fuga pra Minas Gerais e a morte de Antônio da Costa Lage que foi preso em Parati e se enforcou
Data do documento: 11 de junho de 1731
Local: Vila de Parati
Folhas: 64

Conjunto documental: Correspondência dos governadores do Rio de Janeiro com diversas autoridades
Notação: Códice 84, volume 03
Datas-limite: 1730-1732
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Data: 4 de abril de 1731
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 78v e 79
Ementa: carta resposta de Luiz Vahya Monteiro, governador da capitania do Rio de Janeiro, para o Juiz da Vila de Parati, Manuel Fernandez Zambuja, novamente encarregando-o de realizar as devassas determinadas por ele.

Conjunto documental: Correspondência dos governadores do Rio de Janeiro com diversas autoridades
Notação: Códice 84, volume 03
Datas-limite: 1730-1732
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta do governador do Rio de Janeiro, Luiz Vahya Monteiro, aos juizes e oficiais da Câmara da Vila de Parati, cobrando a remessa com os rendimentos dos donativos e também aconselhando aos juizes sobre a compra de casas para quartéis dos soldados
Data do documento: 25 de junho de 1732
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 194-195

Conjunto documental: Correspondência de governadores do Rio de Janeiro para a Corte. Original e cópia
Notação lógica: códice 82, vol. 02
Datas-limite: 1722-1738
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta do governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrada, para o capitão-mor João Mascarenhas Castelo Branco, ratificando a importância da guarda da casa de registro do ouro em Parati, visto que não havia casa de registro no caminho novo que vinha de São Paulo. O governador menciona que havendo insuficiência de soldados para o novo registro deveria ser deslocada a guarnição da Ilha Grande para compor a guarda.
Data do documento: 19 de abril de 1734
Local: Rio de Janeiro
Folha (s): 63 - 65

Conjunto documental: Ordens régias pelo governo-geral do Brasil e governo do Rio de Janeiro
Notação: códice 128 vol. 9
Data-limite: 1745-1748
Título do fundo: Secretária de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta de concessão de sesmaria à Irmandade do Santíssimo Sacramento da Vila de Parati, localizada em uma região então denominada Mamagoa, na região de Parati. A carta está assinada pelo governador interino do Rio de Janeiro, Mathias Coelho de Souza.
Data do documento: 16 de julho de 1748
Local: Rio de Janeiro
Folha (s): 241 - 242

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado com diversas autoridades
Notação: Códice 70, volume 01
Datas-limite: 1763 - 1767
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta do vice-rei aos juízes ordinários e oficiais da Câmara da Vila de Parati pedindo o conserto do Registro que se encontra arruinado o que tem causado grandes problemas quanto ao aquartelamento
Data do documento: 25 de janeiro de 1764.
Local: Vila de Parati
Folha(s): 5

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado com diversas autoridades
Notação: Códice 70, volume 01
Datas-limite: 1763 - 1767
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta circular do vice-rei encaminhada a todos os capitães-mores das vilas pertencentes a capital (Rio de Janeiro): Campos, Parati, Ilha Grande, Cabo Frio e São Amparo da Guaratiba pedindo que encontrem todos os que se acharem nas condições de solteiro, vadio, vagabundos, pessoas sem domicílio certo, pessoas desconhecidas e passageiros que a estes sejam dadas ordens de prisão sem exceções.
Data do documento: 16 de abril de 1765
Local: Vila de Parati
Folha(s): 51 e 52

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado com diversas autoridades
Notação: Códice 70, volume 01
Datas-limite: 1763 - 1767
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta do vice-rei, conde da Cunha, Antônio Álvares da Cunha, ao capitão-mor da vila de Parati, pedindo que remeta na primeira sumaca e quantas mais forem necessárias as madeiras de cedro que se encontram nesta vila.
Data do documento: 19 de julho de 1765.
Local: Vila de Parati
Folha(s): 65v e 66

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado com diversas autoridades
Notação: Códice 70, volume 01
Datas-limite: 1763 - 1767
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta ao capitão-mor da vila de Parati enviada pelo conde vice-rei, Antônio Álvares da Cunha, avisando que enviará a vila o alferes Thomaz Correa e seus soldados juntamente com vinte armas e cartuchos de bala de espingarda destinados aos armamentos dos destacamentos e pede os devidos registros
Data: 29 de abril de 1766
Local: Vila de Parati
Folha(s): 79v e 80.

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado com diversas autoridades
Notação: Códice 70, volume 01
Datas-limite: 1763 - 1767
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta do vice-rei, Conde da Cunha, ao capitão-mor da vila de Parati informando-o sobre o envio do alferes Joaquim José Lisboa do regimento de Menezes, destinado a ensinar o manejo as tropas tanto os auxiliares como os das ordenações visando o bom êxito da vila
Data: 18 de maio de 1766
Local: Vila de Parati
Folha(s): 81

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado com diversas autoridades
Notação: Códice 70, volume 01
Datas-limite: 1763 - 1767
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta encaminhada ao capitão-mor da vila de Parati por parte do conde vice-rei pedindo rigorosa vigilância e registro dos despachos dos escravos que forem trabalhar nas minas. Os registros devem conter nomes e as nações correspondentes para evitar extravios
Data do documento: 2 de agosto de 1767
Local: Vila de Parati
Folha(s): 32

Conjunto documental: Termos de embarcações
Notação: Códice 369
Data-limite: 1775- 1779
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: registro de viagem para a Vila de Parati das embarcações Nossa Senhora do Carmo, São Francisco de Paula e Nossa Senhora das Almas, assinado pelo escrivão Osmar Pinto da Silva constando a ordem para que se durante a viagem avistassem alguma embarcação de origem castelhana e fossem interrogados sobre a localização do vice-rei Marquês do Lavradio deveriam responder unicamente que ouviram dizer que ele havia viajado para o Rio da Prata
Data do documento: 20 de março de 1777
Local: Rio de Janeiro
Folha (s): 59

Conjunto documental: Senado da Câmara do Rio de Janeiro
Notação: cx 500 pc 01
Data-limite: 1758-1799
Título do fundo: Vice-reinado
Código de fundo: D 9
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: certidão enviada pelo juiz, vereadores e procurador da câmara de Parati para o corregedor da comarca, Marcelino Pereira Melo, com os rendimentos e despesas em anexo desta câmara (não presente) referente aos anos de 1787, 1788 e 1789
Data do documento: 02 de setembro de 1790
Local: Vila de Parati
Folha:  -

Conjunto documental: Senado da Câmara do Rio de Janeiro
Notação: cx 500 pc 01
Data-limite: 1758-1799
Título do fundo: Vice-reinado
Código de fundo: D 9
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: ofício do juiz, vereadores e procurador da câmara de Parati para o conde de Resende, vice-rei dom José Luís de Castro, informando a satisfação desta e do povo em contribuir para a reconstrução do  palácio real que havia sido destruído por um incêndio ocorrido em Lisboa no ano de 1794, através da prorrogação por mais dez anos  de subsídios para a reconstrução desta cidade
Data do documento: 17 de outubro de 1795
Local: Vila de Parati
Folha(s):  -

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado com diversas autoridades
Notação: códice 70 vol. 18
Data-limite: 1797-1808
Título do fundo: Secretária de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta do conde de Resende, vice-rei dom José Luís de Castro, para o brigadeiro Pedro Álvares de Andrade ordenando-o que recrutasse oficiais para reforçar as forças militares da vila de Parati para que fosse examinada a carga, considerada suspeita, de um navio castelhano que se encontrava ancorado no porto desta vila
Data do documento: 12 de fevereiro de 1797
Local: Rio de Janeiro
Folha (s): 1v - 2

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado com diversas autoridades
Notação: cód 70 vol 18
Data-limite: 1797-1808
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código de fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta do conde de Resende, vice-rei dom José Luís de Castro, para o capitão-mor João Romão de Almeida para que fossem escolhidos imediatamente 24 soldados, um tambor, dois cabos e um porta bandeira sob o comando dos tenentes Francisco Godinho Barradas e Diogo Manoel da Ponte para reforçar o destacamento da vila de Parati
Data do documento: 13 de fevereiro de 1797
Local: Rio de Janeiro
Folha (s): 2 v - 3

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado com diversas autoridades
Notação: cód 70 vol 18
Data-limite: 1797-1808
Título do fundo: Secretaria de Estado do Brasil
Código de fundo: 86
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: carta do conde de Resende, vice-rei dom José Luís de Castro, para o ouvidor geral da comarca, José Antonio Valente, comunicando haver recebido informações contraditórias do coronel de milícias da Vila de Parati e da câmara da mesma vila sobre um mesmo fato, não narrado na carta. Ordena que lhe seja enviado um informe sobre as pessoas envolvidas neste caso para que assim possa tomar providências
Data do documento: 29 de agosto de 1797
Local: Rio de Janeiro
Folha (s): 73 - 73 v

Conjunto documental: Correspondência do comandante das Forças do Rio de Janeiro
Notação: caixa 483, pacote: 02
Datas-limite: 1803 - 1804
Fundo ou coleção: Vice-reinado
Código do fundo: D9
Argumento de pesquisa: Nossa Senhora dos Remédios de Parati, vila de
Ementa: certidão emitida pelo padre Francisco dos Santos Pinto, presbítero e escrivão da Câmara eclesiástica da cidade do Rio de Janeiro, certificando que consta no Livro Texto dos batizados brancos e libertos da freguesia de Parati o registro da liberdade de Ancelmo, filho natural de Emerenciana, solteira e escrava de Dona Maria Sofia Cândida de Vasconcelos. Segundo o documento examinado pelo padre Francisco, dona Maria Sofia o designou livre desde o seu nascimento
Data: 23 de janeiro de 1804
Local: Vila de Parati
Folha(s): 31 anexo

ARAÚJO, José de Souza Azevedo Pizarro e. Memórias históricas do Rio de Janeiro. MORAES, Rubens Borba de (Prefaciador). Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa Nacional, 1945-1948. Biblioteca popular brasileira.

CARVALHO, Sérgio André Barros Melo. Um breve olhar sobre a maçonaria, de  Carvalho, in Cadernos do CNFL da UERJ, vol 11, n. 5, agosto de 2007.

COSTA, Antônio Gilberto (org.). Os caminhos do ouro e a estrada real. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2005

Estrada Real: o presente ilumina o passado = le présent éclaire le passé. Brasil: Liberato Produções, 2008

FRANÇA, Antônio Carlos. Histórias e Crendices sobre os Maçons nos Caminhos e Descaminhos do Ouro. In: XVII Simpósio de História do Vale do Paraíba, 2003, Paraty. 

MELLO, José Diuner. Paraty: notas históricas, Instituto Histórico e Artístico de Paraty, 1994

SAINT-ADOLPHE, J.C.R Milliet. Diccionario geographico historico e descriptivo do Império do Brazil. Paris, 1863. In: Tricentenário de Parati: Notícias históricas. Publicação do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, 1960.