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Originalmente apresentado como tese de doutorado do historiador Márcio de Sousa Soares , a editora Apicuri lança este trabalho em versão livro e ilustrado com gravuras de Rugendas.

Márcio de Sousa Soares. A remissão do Cativeiro: a  Dádiva da Alforria e o Governo dos escravos nos campos dos Goitacases C. 1750 - C. 1830. São Paulo: Ed. Apicuri, 2009.  

Originalmente apresentado como tese de doutorado pelo historiador Márcio de Sousa Soares , a editora Apicuri lança este trabalho em sua versão de livro ilustrado com gravuras de Rugendas. A obra aborda, de maneira original, a temática da escravidão tendo como ponto de referência e reflexão uma zona central da economia brasileira oitocentista: as planícies açucareiras dos Campos dos Goitacases, no Rio de Janeiro, na virada do século XVIII para o XIX. Aliando extensa pesquisa documental e imaginação teórica, depara com interpretações consagradas a respeito das alforrias no Brasil, que as tratam como negação do cativeiro. O autor defende  a tese de que as "manumissões" foram centrais para a reprodução de nosso edifício escravista e afirma não ter havido regra única para a alforria. Relata que havia flutuações quantitativas dos seus números, considerando serem esses procedimentos por demais economicistas e mecanicistas. A tônica do trabalho pode ser resumida em três questões: 1) as diversas formas de acesso à alforria nas relações entre senhores e escravos, 2) as inserções de libertos e seus descendentes no mundo livre e 3) a questão da possibilidade da alforria ter sido um entrave ou um estímulo à escravidão como sistema. Chega à conclusão aparentemente paradoxal, mas muito bem fundamentada, de que a alforria funcionou mais para amortecer conflitos entre senhores e escravos e, por fim, para fortalecer por outro lado os laços escravistas em regiões dependentes do tráfico atlântico atuando como um elemento estrutural de dominação.