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O pesquisador Alberto Mussa recria uma grande narrativa mitológica da tribo Tamoio — os Tupinambás do Rio de Janeiro durante a ocupação da Baía de Guanabara, em 1550 ...

Alberto Mussa. Meu destino é ser onça . Rio de Janeiro: Ed. Record, 2009. 

O pesquisador Alberto Mussa recria uma narrativa mitológica da tribo Tamoio — os Tupinambás do Rio de Janeiro durante a ocupação da Baía de Guanabara, em 1550,  a partir de fragmentos de registros deixados sobretudo pelo frade André Thevet. Após pesquisar e comparar com outras fontes europeias dos séculos XVI e XVII , o autor chegou à conclusão de que o tema  canibalístico era um campo do conhecimento ainda pouco explorado e documentado em nossa cultura literária. A princípio, o interesse surgiu durante seu doutorado em Linguística quando estudou as línguas indígenas . O livro encontra-se dividido em 3 partes.
A primeira fala sobre o mundo primordial, da construção da humanidade;
a segunda discorre sobre a massa documental deixada pelos religiosos missionários e viajantes que por aqui passaram e  mantiveram contato com nossos nativos e
a terceira disseca a estrutura literária do texto.
Trata-se a rigor de uma viagem ao nosso passado na qual se percebe que o ritual canibalístico praticado no Brasil-Colônia consistia em devoravar seus inimigos por vingança já que acreditavam que ao comerem seus corpos passariam a adquirir seus poderes, seus conhecimentos e  suas qualidades. Desta forma, não se alimentavam da carne de pessoas fracas ou covardes. Por outro lado, era uma forma também de, ao devorá-los, eliminar o Mal do mundo. O processo de catequese promovido pelos jesuítas acabou com o canibalismo no Brasil. Hoje em dia ainda se registram algumas heranças rituais como a da tribo dos Ianomâmis que conserva o hábito de comer as cinzas de um amigo morto em sinal de respeito e afeto.