Sheila Moura Hue. Delícias do Descobrimento. Rio de Janeiro: ed. Zahar, 2008.
Com cerca de 160 ilustrações de época, citações de textos quinhentistas, verbetes e receitas originais ou adaptadas de livros dos séculos XVI e XVI, a obra da historiadora Sheila Moura Hue resgata as delícias gastronômicas servidas aos colonizadores europeus no tempo do Brasil-colônia. Revela as preferências culinárias de personagens conhecidos da nossa história como do padre José Anchieta. Este adorava uma carne assada de macaco e bicho-de-taquara torrado. Já Fernão Cardim apreciava as gordas moréias. E assim de pacas, tatus, capivaras, mucujês, paquiás e oitis dentre muitos outros bichos e plantas, hoje desaparecidos da mesa, era feito o cardápio dos primeiros tempos do Brasil. A obra desmitifica ainda a procedência de alguns produtos considerados nacionais como a banana que a autora comprova ter sido trazida da Ásia pelos colonizadores e que encontrou em nosso clima tropical seu habitat perfeito. Por outro lado, outras frutas como caju, pitanga e abacaxi abundavam nas mesas lusitanas, graças também aos ricos solos da colônia. Outro produto tipicamente brasileiro é o feijão. A maioria das espécies do grão consumido no mundo veio das Américas. A mandioca ocupa posição de destaque na publicação já que a raiz era a base das tribos indígenas brasileiras juntamente com peixes e carnes de caça. O tubérculo era utilizado em caldos e na forma de cauim, bebida alcoólica cuja fermentação era feita a partir da raiz da mandioca, mastigada pelas índias. Na falta de azeite usava-se banha de peixe-boi derretida e os bolos eram feitos com uma delicada farinha de mandioca. Vindas do Oriente, a cana-de-açúcar e a canela passaram a ser polvilhadas nos cajus cozidos, figos e marmelos europeus e dividiam compotas com abacaxis e goiabas locais.
A extravagante gastronomia brasileira no século XVI
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Com cerca de 160 ilustrações de época, citações de textos quinhentistas, verbetes e receitas originais ou adaptadas de livros dos séculos XVI e XVI...
