O livro contém a primeira tese de doutorado defendida no programa de Pós-Graduação da Fafich, em 2002 e aborda a política alimentar na capitania de Minas Gerais.
Flávio Marcus da Silva. Subsistência e poder – a política do abastecimento alimentar nas Minas setecentistas. Belo-Horizonte: Editora UFMG, 2008.
O livro contém a primeira tese de doutorado defendida no programa de Pós-Graduaç
ão da Fafich, em 2002 e aborda a política alimentar na capitania de Minas Gerais com a finalidade de resgatar a participação da região, mais especificamente a de Pitangui e Pará de Minas no contexto político e econômico do século XVIII. Analisa de que forma era feito o abastecimento alimentar, como era realizado seu escoamento pelas vias públicas, que medidas tomavam as autoridades locais para evitar e controlar os "motins" por escassez de comida. E ainda que critérios eram usados na questão da distribuição das sesmarais, condição importante para a produção de alimentos nos rincões mais afastados da capitania de Minas Gerais. De acordo com dados do livro, entre 1710 e 1763, foram concedidas 2.777 sesmarias por 6 governadores. Segundo o historiador, no período ainda vigorava a lei tradicional que dizia que o rei tinha que garantir preços acessíveis de alimentos para os súditos. Caso contrário eles poderiam se rebelar. Como Portugal tinha muitos inimigos e defesas frágeis, o risco de perder o Brasil em caso de rebelião era grande. Daí a preocupação em não deixar faltar comida. O milho era consumido na forma de fubá: para fazer angu e farinha de milho. A mandioca virava farinha e ia para o prato acompanhando a carne (de porco ou de boi). Cada fazenda possuía uma roda e um forno para preparar a mandioca. O popular arroz era quase inexistente na cozinha mineira. Só apareceu com mais freqüência no final do século XVIII e início do século XIX. A aguardente era a bebida preferida, refinada e produzida nos alambiques privados e instalados nas fazendas dos grandes proprietários.
