.


Para o autor a capoeira não veio pronta da África, trata-se de uma combinação de diversas partes africanas e foi construída durante a escravidão...

Carlos Eugênio Líbano Soares. A capoeira escrava - E outras tradições rebeldes no Rio de Janeiro(1808-1850). Campinas: Editora Unicamp, 2006. (reedição) 
 

Para o autor, a capoeira não veio pronta da África. Trata-se de uma combinação de diversas partes africanas e foi construída durante o período da escravidão. Ela nasceu como um espaço de defesa e de afirmação física do escravo no ambiente urbano, mas por outro lado representou uma forma de socialização na medida em que era o grupo quem defendia o indivíduo. Formada em sua maioria por jovens escravos da África Centro-Ocidental , a partir de 1821 entrou em fase de extrema politização culminando com as rebeliões de 1828 e 1831. Esse processo atingiu o ápice com a chegada ao Rio dos minas-nagôs vindos da Bahia, o que ocasionou profundas mudanças políticas e culturais naquela que era a mais importante tradição rebelde dos escravos urbanos do Rio de Janeiro Imperial. Sob este olhar, o autor defende sua tese de que a capoeira nasceu na América, apesar de articulada por elementos comuns na cultura africana – entre eles a dança e a língua – e representou uma resposta dos escravos a um novo ambiente urbano, que começou a ser formado no início do século 18. A obra foi defendida como tese de doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 2001, sob a orientação de Sidney Chalhoub.