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Na historiografia brasileira costuma-se denominar "viajantes" os estrangeiros que percorreram o Brasil por razões diversas -por curiosidade ou a negócio, e que depois descreveram em seus seus países de origem o que viram e encontraram de exótico.

Jemina Kindersley, Elizabeth Macquarie, Rose Freycinet . Jean Marcel Carvalho França (Org.) Mulheres viajantes no Brasil (1764-1820). São Paulo: Ed. Jose Olympio, 2008. (Coleção Sabor Literário)  

Na historiografia brasileira costuma-se denominar "viajantes" os estrangeiros que percorreram o Brasil por razões diversas (por curiosidade ou  a negócio), e que depois descreveram em seus seus países de origem o que viram e encontraram de diferente e exótico. Mas como considerar os cientistas, os piratas, os políticos, militares, missionários que aqui ficaram por um período bem mais longo de suas vidas? Seriam ainda os brasileiros também considerados viajantes? Tentando criar um parâmetro, o autor inclui na categoria de viajante todo aquele que fez relatos à Europa dando sua visão sobre o Novo Mundo, mostrando sua experiência própria nos cadernos de viagens. Sob esta ótica, a obra organizada por Jean Marcel Carvalho França reúne textos de 3 mulheres estrangeiras (duas inglesas e uma francesa), que, no Brasil colônia, visitaram Salvador e Rio de Janeiro entre a segunda metade do século 18 e as primeiras décadas do 19.  Observa-se que elas tentam se adaptar aos novos hábitos metamorfoseando-se ao grupo ao qual passaram a pertencer. Jemina Kindersley foi uma das poucas estrangeiras a visitar o Brasil  no período em que a colônia estava fechada ao mundo por determinação de Portugal. Suas 7 cartas quase nada revelam sobre sua vida pessoal mas muito sobre as pessoas, a terra e os costumes da cidade do Rio de Janeiro. Ela desaprovou e criticou tudo. Já a francesa Rose Freycinet passou por aqui durante o período joanino com seu marido 30 anos mais velho. Todas foram unânimes quanto à belíssima natureza do Rio de Janeiro por conta sobretudo da exuberante vegetação  mas por outro lado muito críticas em relação à cultura provinciana e machista dos portugueses e à influência dos eclesiásticos.