Kirsten Schultz .Renato Aguiar ( trad.). Versalhes Tropical : Império Monarquia e a Coroa Real Portuguesa no Rio de Janeiro, 1808-1821. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 2008.

Professora de história latino-americana, especializada em Brasil, na Faculdade de Ciências Sociais da Cooper Union, em Nova York, Kristen pesquisou algumas fontes primárias em instituições como Arquivo Nacional com o objetivo de investigar a forma como o sistema colonial foi combinado com o cotidiano da sociedade escravocrata do século XIX, desafiando a política antiescravocrata da monarquia inglesa, que condenava o tráfico negreiro. Trata-se de estudo pioneiro da Corte Portuguesa transplantada para os trópicos no alvorecer do século XIX à luz da complexidade sóciocultural, característica dos mais variados ambientes da sociedade da época. Reinterpreta os 13 anos de D. João no Brasil a partir do ponto de vista de que a Corte Lusa fugia de um imperador (Napoleão) que sonhava restaurar a grandeza dos tempos do Rei-Sol (Luis XIV). Mas também admirava a opulência de Versalhes e trazia consigo um sonho: o de fazer do Rio uma Versalhes tropical. Um grande paradoxo ao se pensar como copiar o modelo justo da França quando era dela que eles fugiam e eram perseguidos? Por que não copiar a Inglaterra, parceira histórica e afinada com os interesses portugueses?. Mas estes, segundo a autora, não ofereciam os ideais absolutistas que eles buscavam. Os portugueses sonhavam em ter um refúgio,enfim, um final feliz para o poder imperial. Assim teve origem o fascínio pelo estilo de vida de Versalhes e pela cultura francesa que perdurou não só nos 13 anos em que a Corte Portuguesa permaneceu no Brasil, como também deixou marcas nas Missões de artistas franceses, na arquitetura do Rio e também na visão que os brasileiros que lutaram pela Independência tinham da pátria que sonhavam construir.
