Manoel Vieira da Silva e Domingos Ribeiro dos Guimarães Peixoto. A saúde pública no Rio de Dom João. Editora Senac Rio, 2008.

Em comemoração aos duzentos anos da chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, a Comissão da Prefeitura do Rio e a Editora Senac/Rio lançam este livro sobre saúde pública que reúne duas obras escritas à época da vinda da corte portuguesa ao Rio de Janeiro . Os textos elencam não apenas as principais enfermidades que afligiam a população local como também apresentam as propostas de saneamento básico para a cidade nas duas primeiras décadas do século XIX. Escrito em 1808, logo após o desembarque de D. João, Reflexões sobre alguns dos meios propostos por mais conducentes para melhorar o clima da cidade do Rio de Janeiro, de Manoel Vieira da Silva, é o primeiro texto médico publicado no Brasil. A obra destaca a influência do clima quente e úmido sobre o solo e os habitantes da cidade. Avalia que o ar das regiões pantanosas poderia causar doenças sugerindo o aterramento dessas áreas e propondo ainda a construção de uma área para quarentena dos escravos recém-chegados ao Rio, vistos como possíveis portadores de moléstias. O segundo texto Aos Sereníssimos Príncipes Reais do Reino Unido de Portugal e do Brasil, e Algarves, os Senhores D. Pedro de Alcântara e D. Carolina Josefa Leopoldina, de autoria de Domingos Ribeiro dos Guimarães Peixoto, Cirurgião da Câmara de El-Rei Nosso Senhor, foi publicado em 1820, pouco antes da volta de D. João VI para Portugal e oferece, em sinal de gratidão, respeito e reconhecimento uma exposição preliminar dos princípios gerais sobre o tema. O texto enumera as condições desfavoráveis à higiene pública, como águas estagnadas em ruas e quintais, cadáveres enterrados nas igrejas, cavalariças e cocheiras entulhadas de esterco e falta de limpeza nos matadouros. O título também relembra os duzentos anos do início da imprensa e da atividade editorial no país. Com prefácio de Moacyr Scliar, a obra é ilustrada com imagens do acervo da Biblioteca Nacional.
