.


Lilia Moritz Schwarcz, professora livre-docente no Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, e seus colaboradores (Paulo Cesar de Azevedo e Angela Marques da Costa) mostram que é possível (re)escrever a História através da história dos livros.

Lilia Moritz Schwarcz. A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis: do Terremoto de Lisboa à Independência do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 2007.(reedição)

Lilia Moritz Schwarcz, professora livre-docente no Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, e seus colaboradores (Paulo Cesar de Azevedo e Angela Marques da Costa) mostram que é possível (re)escrever a História através da história dos livros. A obra refaz toda a trajetória dos acontecimentos que marcaram a família Bragantina cobrindo dois séculos de história tendo como divisor de águas o terremoto ocorrido em 1º de novembro de 1755, em Lisboa cujos abalos sísmicos e tsunami destruíram  quase 85% das construções da cidade entre palácios e bibliotecas, conventos e igrejas, hospitais e todas as estruturas.. Sob o comando do Marquês de Pombal a cidade é reconstruída assim como também os livros da Real Biblioteca são recompostos a mando do Rei. Em seguida, a obra reconstitui a partida da família real e narra que ao evadir-se de Portugal por força da invasão das tropas enviadas por Napoleão, d. João não se esqueceu dos seus livros – um acervo estimado em 60.000 peças, entre livros, manuscritos, estampas, mapas, moedas e medalhas que chegaram ao Brasil através de três viagens trasantlânticas posteriores à sua migração ao Rio de Jnaiero. A Real Biblioteca entrou definitivamente na história brasileira em 27 de junho de 1810, quando, por alvará régio, foi instalada em parte do hospital da Ordem Terceira do Carmo, nas proximidades do Paço Real, hoje Paço Imperial. Em 1814, já ocupava todo o prédio que abrigara o hospital e era a maior das Américas. No tratado de paz entre as duas nações ficou estabelecido que o novo governo brasileiro pagaria 2 milhões de libras esterlinas a Portugal, 250 mil das quais referentes apenas à Biblioteca Real -ou seja, 12,5% do total da primeira dívida externa do país era referente aos livros portugueses que ficaram no Brasil. Hoje a Real Biblioteca Pública leva o nome de Biblioteca Nacional e tornou-se nas últimas décadas do século passado, segundo a Unesco, a oitava instituição do gênero no mundo.