Júlio César Medeiros da Silva Pereira. À flor da terra: o cemitério dos pretos novos no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: ed. Garamond, 2007.
Tendo sido orientado pelo Prof. Dr. José Murilo de Carvalho em seu mestrado em História Social da UFRJ, o autor aprofundou sua pesquisa para estabelecer em sua tese a relação entre o ritual africano, o tráfico transatlântico e cemitério dos Pretos Novos. O livro trata da temática da morte, ou melhor, da forma como era realizado o sepultamento dos escravos africanos recém-chegados da África, no Cemitério dos Pretos Novos, no Rio de Janeiro. Este funcionou de 1722 a 1830, no Valongo, faixa liotral carioca que ia da Prainha à Gamboa. Estudo raro no Brasil, a obra revela os horrores cometidos aos escravos mortos, os quais eram submetidos à enterros degradantes, com sepultamentos a um palmo de profundidade – “à flor da terra”. A obra retrata ainda o total descaso por parte dos responsáveis pelo comércio do tráfico negreiro por não oferecer ao menos um sepultamento digno àqueles que sucubiam no meio da travessia transatlântica. O estudo foi premiado no Concurso de Monografia Arquivo da Cidade – Prêmio Professor Afonso Carlos Marques dos Santos, iniciativa da Prefeitura da Cidade/Secretaria Municipal das Culturas/Arquivo da Cidade e a Editora Garamond.
