Pollyanna Gouveia Mendonça. De portas adentro: lançando um olhar sobre as concubinas de padres no Maranhão (1756 – 1765). São Luís: Universidade Federal do Maranhão, mimeo, , 2004.
O celibato, voto de castidade imposto aos religiosos, foi estabelecido em 1215 pela Igreja Católica e até hoje é tema polêmico, sobretudo para aqueles que vieram há mais de 200 anos para colocar em prática sua missão religiosa na maior colônia além-mar de Portugal. Chegando aqui tiveram que conviver com a pluralidade de raças: uma miscelânea étnica composta por mamelucas, cafuzas, brancas, mestiças, mulatas, pardas, índias. Coexistir com esta diversidade cultural foi para os membros do Santo Ofício uma prova de resistência e superação do prazer. Alguns não conseguiram e se tornaram "transgressores" da lei eclesiástica ao estabelecer relações estáveis e/ou de concubinato com as "pecadoras" locais. Vários documentos revelam a existência de filhos e mulheres de padre, frutos dessas relações estáveis ou eventuais. Eram em geral mulheres pobres, casadas, solteiras ou viúvas, que iam driblando a vigilância da Igreja e não se importavam com as denúncias, com o falatório dos vizinhos... A obra é resultado de trabalho monográfico apresentado pela historiadora Pollyanna Gouveia Mendonça que utilizou fontes documentais do Tribunal Epicospal do Maranhão mais especificamente dos processos que eram recheados por estas histórias marginais de concubinato/pecado ocorridas entre o bispado no século XVIII.
