Solange de Sampaio Godoy. Círculo das Contas - Jóias de Crioulas Baianas. Bahia: Fundação Museu Carlos Costa Pinto de Salvador, 2006.
Nesta obra bilingüe editada pelo Museu Carlos Costa Pinto em comemoração aos 37 anos de atividades, a museóloga e historiadora Solange de Sampaio Godoy revela a origem das jóias crioulas. Realiza um estudo comparativo entre poder e ourivesaria para demonstrar que o uso de jóias pelas mulheres negras baianas estava intimamente associado à sentimentos de auto-afirmação e distinção dentro da sociedade escravocrata dos séculos 18 e 19. Este fato se deve em parte pela privilegiada situação econômica que a Bahia ocupava à época por conta do ciclo do açúcar. Neste período, os senhores de engenho acumularam grandes fortunas e a opulência se manifestava ora no ambiente doméstico ora no campo estético-visual. Por outro lado, a ascendência africana das negras baianas remontava aos Akan , grupo de povos independentes que reinava em Gana e Costa do Marfim. Os Ashantis, descendentes dos Akan , possuíam ouro de aluvião, eram ricos, trabalhavam muito no comércio e tinham esse tipo de jóias (contas ocas, leves, opacas e trabalhadas em filigrama) mas não para o uso corrente... era privilégio somente para aqueles que detinham o poder. Na África, quem as usava eram as rainhas e aqui, no outro lado do Atlântico, eram as negras (babás , amantes ou as libertas) como forma de perpetuar a tradição milenar de seus antepassados e expressar poder e distinção à época do Brasil-Colônia.
