A obra enfatiza a experiência do Maranhão entre os séculos XVIII e XIX como mercado exportador em grande escala, com a ressalva de que a riqueza proporcionada pela Companhia do Comércio, responsável pelo primeiro surto de desenvolvimento da colônia, em realidade servia como pano de fundo para esconder um miserável quadro social em que se debatia a grande maioria da população.
Milton Torres da Silva. O Maranhão e o Piauí no espaço colonial. São Luís: Instituto Geia , 2006. (Coleção Geia de Temas Maranhenses)
A obra enfatiza a experiência do Maranhão entre os séculos XVIII e XIX como mercado exportador em grande escala, com a ressalva de que a riqueza proporcionada pela Companhia do Comércio, responsável pelo primeiro surto de desenvolvimento da Colônia, em realidade, servia como pano de fundo para esconder um miserável quadro social em que se encontrava a grande maioria da população. Ao tentar convencer os portugueses a colonizar o Maranhão -considerado como “o melhor do Brasil“- o capitão Simão Estácio da Silveira dirigiu a sua Relação sumária, publicada em Lisboa em 1624, não aos financistas exploradores das riquezas e maravilhas que jurava possuírem esses “imensos espaços de terras incultas” - mas “aos pobres de Portugal”. Neste cenário desigual criou-se um desequilíbrio entre o progresso da colônia e as multidões de despossuídos , os “faltos de toda instrução” que conviviam com negociantes portugueses, ingleses e franceses, envolvidos nos negócios do algodão e “no comércio de artigos de luxo”. O livro do historiador e diplomata gaúcho Milton Torres da Silva é fruto de sua tese de doutorado defendida há trinta anos na Universidade de São Paulo e foi baseada na leitura dos manuscritos do capitão Sabino descobertos casualmente nos arquivos da Biblioteca da Ajuda, em Portugal.
