O diálogo entre diferentes áreas do conhecimento – história, antropologia, etnohistória, lingüística –e a utilização de instrumentos próprios de pesquisa e análise têm produzido, nas últimas duas décadas, importantes estudos dentro de uma nova concepção do papel dos distintos segmentos sociais na construção da sociedade brasileira, permitindo que grupos sociais marginalizados, como os povos indígenas, passem a ser considerados construtores de sua história e de sua identidade
Juciene Ricarte Apolinário. Os Akroá e outros povos indígenas nas Fronteiras do Sertão. Políticas indígena e indigenista no norte da capitania de Goiás, atual Estado do Tocantins, século XVIII. Goiânia: Ed. Kelps, 2006.
O diálogo entre diferentes áreas do conhecimento–história, antropologia, etnohistória, lingüística –e a utilização de instrumentos próprios de pesquisa e análise tem produzido, nas últimas duas décadas, importantes estudos dentro de uma nova concepção do papel dos distintos segmentos sociais na construção da sociedade brasileira. Permitindo dessa forma que grupos sociais marginalizados ( como os povos indígenas) passassem a ser considerados construtores de sua história e de sua identidade. É com esse novo olhar sobre os indígenas e seu papel na história colonial que a professora Juciene Ricarte Apolinário escreveu sua tese de doutorado, agora tornada livro: "Os Akroá e outros Povos Indígenas nas Fronteiras do Sertão". Fazendo uso de uma volumosa documentação textual e iconográfica, garimpada em arquivos brasileiros e portugueses, Juciene pôde explicitar o “encontro” entre os saberes coloniais e as práticas locais dos sertões do rio Tocantins, aliado à maneira ímpar da atuação dos índios frente aos interesses da Coroa portuguesa, expressos em embates violentos, acordos de paz ou outras estratégias visando à manutenção de seus territórios. Em paralelo à análise das políticas indígenas e indigenistas na região do atual Estado do Tocantins, a historiadora Juciene trata de temas ainda pouco recorrentes ou de difícil abordagem como a questão de gênero entre os povos indígenas e a história de lideranças indígenas que colaboraram com as forças coloniais. O livro de Juciene Apolinário é uma prova de que os índios fizeram história não como vítimas passivas, mas como atores, à primeira vista, invisíveis e sem palavras, mas percebidos a partir de atitudes, “escondidas” em narrativas de sertanistas, viajantes, agentes coloniais, que manifestam vigorosa identidade étnica.
