Segundo a tradição, comemora-se o dia da fundação de São Paulo em 25 de janeiro de 1554. Mas foi no ano de 1560 que o governador-geral Mem de Sá mandou desocupar a indefensável vila de Santo André da Borda do Campo (na realidade, situada na atual Mauá), fundada por João Ramalho em 8 de abril de 1553...
Afonso D'Escragnolle Taunay. São Paulo nos primeiros anos 1554-1601. São Paulo: Ed. Paz e Terra, 2003.
Segundo a tradição, comemora-se o dia da fundação de São Paulo em 25 de janeiro de 1554. Mas foi no ano de 1560 que o governador-geral Mem de Sá mandou desocupar a indefensável vila de Santo André da Borda do Campo (na realidade, situada na atual Mauá). Fundada por João Ramalho em 8 de abril de 1553, mandou transferir moradores, Câmara, cadeia e pelourinho para o morro no qual, a partir da data tradicional, o padre Manuel da Nóbrega reunira 13 jesuítas e 120 nativos de três aldeias vizinhas, em torno de seu Colégio de São Paulo. Foi só então que passou a existir a vila conhecida como São Paulo do Campo de Piratininga. Dois anos depois, o local escolhido foi palco de muitas guerras por parte dos tamoios para libertar os índios escravizados. No ano seguinte, Nóbrega e Anchieta convenceram os tamoios a aceitar a paz com a promessa de acabar com a escravidão indígena, formalmente proibida pela Coroa Portuguesa em 1570, “salvo no caso de guerra justa”. Nessa obra reeditada o historiador Afonso de Escragnolle Taunay relata alguns fatos curiosos que marcaram esse embate como, por exemplo, que, em 1575, durante uma trégua transitória nessa luta de vida ou morte, três moradores abriram passagens nos muros e portais que protegiam a vila, em pontos que lhes pareceram convenientes. Desconhecidos quebraram e queimaram guaritas que abrigavam as sentinelas. O vereador Antônio Fernandes arrancou um portal e o vendeu ao vizinho por 250 réis.
