José Ribamar Bessa Freire. Rio Babel - A história das línguas na Amazônia. Rio de Janeiro: Ed. Atlântica , 2004.
Quando os portugueses chegaram ao Brasil cinco séculos atrás encontraram um problema fundamental: os povos indígenas falavam mais de 700 línguas. Diante do desafio, os padres jesuítas que os acompanhavam elaboraram uma mistura de palavras indígenas, portuguesas e africanas que chamaram de "língua geral", o nheengatu (‘a boa fala’), e a impuseram sobre os súditos coloniais. Em toda parte no Brasil, a língua geral como língua viva, falada, morreu há muito tempo. Mas neste canto remoto e esquecido da Amazônia, onde o Brasil, a Colômbia e a Venezuela se encontram, a língua não apenas conseguiu sobreviver como também fez um notável retorno nos último anos. A partir de 2002, o "nheengatu" e o "baníua" foram reconhecidos como línguas oficiais brasileiras no município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. O livro aborda a transformação do quadro etnolinguístico, mostrando o processo de formação da língua geral e a introdução da língua portuguesa no contexto da diversidade linguística ameríndia. O autor salienta ainda não apenas o papel do sistema de exploração da mão-de-obra na interação de línguas diversas, como também demonstra a importância das "políticas de línguas" dos missionários e do Estado nesta história.
