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A partir de 1570, a importação de africanos para o Brasil começa a ser incentivada.

Pedro Paulo Funari e Aline Vieira de Carvalho.  Palmares, ontem e hoje.  Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005 (Coleção Descobrindo o Brasil).

A partir de 1570, a importação de africanos para o Brasil começa a ser incentivada e resulta num fluxo estimado em aproximadamente 4 milhões de escravos trazidos para o país ao longo dos séculos seguintes. A resistência à escravidão sob a forma de fugas esteve presente desde os primeiros anos. Neste contexto, os quilombos – agrupamentos de escravos que haviam fugido do cativeiro e uniam-se para tentar escapar à recaptura – proliferaram no Brasil colonial.  Entre 1605 e 1695, instala-se, na serra da Barriga (hoje estado de Alagoas), o Quilombo dos Palmares, uma rede de mocambos que se destacou pela organização e resistência aos ataques portugueses e holandeses, tendo se transformado no mais importante quilombo da época colonial. Os autores analisam a construção da imagem do Quilombo dos Palmares a partir do século XIX até hoje, apresentando três momentos importantes da sua história: entre o final do século XIX e o início do século XX, quando predominava uma visão negativa segundo a qual Palmares era formada por “africanos bárbaros” que se rebelavam contra a agenda civilizatória européia; um segundo momento, ainda no século XX, caracterizava os quilombolas como africanos revoltosos, mas “biologicamente inferiores”; e o terceiro, a partir de 1950, quando o ativismo social requalifica Palmares, ocasião em que o quilombo a ser visto de maneira positiva. A obra conta com a análise de material arqueológico obtido em escavações na serra da Barriga, no início dos anos 1990.