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A imperatriz austríaca, Maria Teresa de Habsburgo,  instituiu no fim do século XVIII uma política de casamentos estrategicamente combinados para o fortalecimento das monarquias.

Glória Kaiser. Um diário imperial - Leopoldina, Princesa da Áustria, Imperatriz do Brasil. Trad. Anna Olga de Barros Barreto. Rio de Janeiro: Editora Reler, 2005.

A imperatriz austríaca, Maria Teresa de Habsburgo,  instituiu no fim do século XVIII uma política de casamentos estrategicamente combinados para o fortalecimento das monarquias.
Seus descendentes casaram-se com membros de casas nobres européias, sendo as mais famosas uniões, a de Maria Antonieta com o príncipe de Bourbon e a de Maria Luíza com Napoleão Bonaparte. Confirmando o ideal universalista do Congresso de Viena, a mão da princesa Leopoldina foi dada a Pedro I, aquele casamento infeliz que tanto conhecemos. Desprezada, nossa primeira imperatriz viveu enfeitiçada pela concubina do marido, a marquesa de Santos.
Leopoldina teria escrito um diário secreto,  que começa em dezembro de 1814, quando tinha 17 anos. Ali ela anotou sua rotina, sonhos, preocupações com o casamento, escondendo as páginas dentro da almofada de rezar.
Leopoldina teve uma educação esmerada. Adquiriu conhecimentos científicos, políticos, históricos e artísticos, além de dominar idiomas. Tinha predileção por pedras, chegando a pedir ao pai para trabalhar na Sala Real de Exposições de Mineralogia.
O diário nos mostra detalhes pitorescos, como sua gulodice por doces, sua irreverência diante das normas, conflitos com as condessas governantas, sua relação com o audacioso pintor Thomas Ender, festas, passeios à casa de campo, sua vontade de ser coquete, de aprender a arte da sedução,  seus primeiros flertes.
A observação mais sublime é quando, às vésperas da partida, Leopoldina vê as irmãs retirarem de seu armário suas roupas de inverno. É um mundo que se encerra. O diário termina no Brasil, em novembro de 1817, antes da noite de núpcias.
Tudo faz crer que o diário foi escrito pela princesa, mas seu texto parece ser ficcional, uma novela, provavelmente concebida a partir de anotações e cartas de Leopoldina,  sem dúvida, uma missivista assídua.