Maria Luiza Marcílio. A evolução agrária de São Paulo. São Paulo: Editoras Hucitec e Edusp, 2005.
A obra analisa a população do Estado no século XVIII e revela dados sobre o campesinato paulista e a importância da agricultura não cafeeira para a riqueza regional. O livro, publicado pela Edusp e Editora Hucitec, é a edição da tese de livre docência de Maria Luiza, concluída em 1974. A autora, que introduziu a demografia histórica no País e estudou a população da cidade de São Paulo entre 1750 e 1850, com este livro realiza a primeira análise das grandes populações brasileiras do passado relacionadas com a evolução agrária. A obra examina aspectos não conhecidos até então, revelando a estrutura demográfica da natalidade, nupcialidade, mortalidade, ocupações, migrações, diferenciando a população livre e escrava e relacionando esses dados às bases da vida agrária. O livro destaca a importância e a riqueza gerada pela agricultura em São Paulo no século XVIII e a existência de um campesinato no Brasil. A historiadora, premiada pelo governo da Espanha em 1990, ressalta que esse desenvolvimento construiu as bases econômicas e sociais que permitiram o sucesso do café. Na época estudada, iniciou-se o processo de formação das primeiras fortunas e das grandes escravarias africanas em São Paulo. Apesar da existência de um campesinato ter sido muitas vezes negada na história do Brasil, o livro procura mostrar que uma parte substantiva da população paulista não tinha escravos: eram pequenos proprietários ou posseiros que tinham a família e, às vezes, alguns agregados assalariados como mão-de-obra na lavoura. .
