Cristina Pompa. Religião como tradução: missionários, Tupi e Tapuia no Brasil colonial. São Paulo: Co-edição Anpocs, 2003.
Este livro insere-se na trilha das pesquisas que procuram reescrever a história da América indígena, mostrando um mundo de mudanças, adaptações e negociações, de constantes redefinições de identidade. A pesquisa dedica-se aos sertões do Nordeste do século XVII, onde os “Tapuia” disputaram com os missionários os serviços de poder simbólico em contraposição à imagem da sociedade colonial, construída pela antropologia e pela historiografia tradicionais, na qual índios e evangelizadores aparecem quase sempre como esferas opostas e irredutíveis.
Cristina Pompa, Doutora em Ciências Sociais pela Unicamp e pesquisadora do Cebrap, propõe uma releitura da história da evangelização no Brasil colonial, procurando entender os múltiplos sentidos da conversão entre os povos indígenas. Ressalta que "as fontes históricas sobre o Brasil colonial revelam a dialética do encontro entre índios e missionários em que, de um e de outro lado, houve um constante trabalho de transformação no plano das práticas e dos símbolos, as primeiras veiculando os segundos e sendo, ao mesmo tempo, determinadas por estes". Este processo tem início nos primeiros contatos entre missionários e Tupinambá do litoral, no século XVI, mas não se esgota com a virada do século, onde termina a maioria dos estudos, com a suposta extinção ou assimilação dos Tupinambá.
Religião como tradução recebeu o Prêmio de melhor tese de doutorado no Concurso CNPq-ANPOCS de Obras Científicas e Teses Universitárias em Ciências Sociais, edição 2002.
