.


O livro explora a face revolucionária de Antônio Vieira, destacando a solidariedade com um grupo que fora perseguido e dizimado. A defesa que o jesuíta fazia dos judeus tornou-o suspeito.

 Arnaldo Niskier. Padre Antônio Vieira e os judeus. Rio de Janeiro: Imago, 2005. 

O ensaio de Arnaldo Niskier foi lastreado em longas pesquisas, realizadas dentro e fora do País, a respeito de Padre Antônio Vieira, orador sacro e escritor português, nascido em Lisboa, em 1608, e falecido em Salvador (Bahia), em 1697. De origem modesta, Antônio Vieira veio para o Brasil aos sete anos, matriculando-se no colégio dos Jesuítas da Bahia. Era um grande leitor das Escrituras, escrevia muito bem em português e dominava com facilidade o latim. Precoce, aos 18 anos foi nomeado professor de retórica no Colégio de Olinda. Decidiu-se pelo sacerdócio, mesmo contra a vontade paterna. Quando voltou a Portugal recebeu de D. João IV importantes missões diplomáticas no exterior, retornando ao Brasil, para chefiar missões jesuíticas. O livro explora a face revolucionária de Antônio Vieira, destacando a solidariedade com um grupo que fora perseguido e dizimado. A defesa que o jesuíta fazia dos judeus tornou-o suspeito e alguns até achavam que fosse cristão-novo. Acabou por freqüentar os cárceres do Santo Ofício em virtude da sua posição claramente favorável a maiores e melhores entendimentos com a comunidade israelita.