Ronald Polito. Um coração maior que o mundo. Rio: Editora Globo, 2004. 
Trata-se da publicação da dissertação de mestrado defendida em 1990 no Departamento de História da Universidade Federal Fluminense, na qual o autor demonstra que a obra do inconfidente Tomás Antônio Gonzaga defendia a escravidão, a dominação colonial portuguesa, o absolutismo e valores típicos da sociedade de Corte. Ronald Polito empreende minuciosa e sofisticada análise dos principais escritos do famoso escritor nascido em Portugal em 1744 e falecido em Moçambique em 1810: o lírico Marília de Dirceu, a sátira "Cartas chilenas" e o ensaio 'Tratado de direito natural", além de alguns poemas dispersos. O leitor se surpreenderá com as conclusões de Polito. Normalmente associado ao inconformismo revolucionário da Inconfidência Mineira (1788-1789), o Gonzaga que surge da leitura de "Um coração maior que o mundo" é, no mínimo, contraditório. Embora revele adesão aos princípios então emergentes como a valorização do indivíduo perante o Estado e a sociedade ou a primazia do mérito sobre a linhagem, a obra do conjurado vê o Brasil apenas como colônia de Portugal, além de defender explicitamente o poder inquestionável. Ronald Polito analisa para tanto o conteúdo das obras de Gonzaga em quatro temas, todos muitos caros história social das ideias: "O sagrado" (Parte II), "A sociedade e a política" (Parte III), "Do público ao privado" (Parte IV) e "O tempo: a história e a poesia" (Parte V). Foi graças a essa divisão analítica que o autor chegou à conclusões inusitadas sobre o conservadorismo desse que foi um dos principais mentores da Inconfidência Mineira.
Os verdadeiro ideais do inconfidente Tomás Antônio Gonzaga
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