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João Daniel. Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas. São Paulo: Contraponto, 2004.



Nova edição da obra do jesuíta português escrita no século XVIII, contem as memórias e reflexões sobre as décadas em que João Daniel viveu na Amazônia aonde chegou com menos de vinte anos, realizou seus estudos, tornou-se padre e viveu nas fazendas e missões dirigidas por seus companheiros de ordem em plena floresta. O livro foi redigido entre 1757 e 1776, período em que esteve preso, após acusação de ofensa a Francisco de Mendonça Furtado, meio-irmão do Marquês de Pombal. Ou seja, o volumoso tratado (com mais de mil páginas) foi gerado sem o recurso de consultas a bibliotecas ou participação em debates intelectuais. Mas, se as péssimas condições para a produção do livro, fazem com que o jesuíta muitas vezes omita informações importantes como o nome das “muitas tintas preciosas” existentes na Amazônia, não tiram o mérito e o brilho deste vasto e completo estudo. Nele, João Daniel discorre sobre acidentes geográficos, caças, frutas, madeiras, ervas, minerais e outros aspectos da rica natureza regional, numa obra que se constitui por um rico ecletismo setecentista. O "Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas" é considerado pelos historiadores, desde o século XIX, a principal fonte de informações sobre a Amazônia no período colonial.