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Temor, cumplicidade e sedução: relações entre franceses e portugueses no Brasil colonial

Maria Fernanda Bicalho
 Profª adjunta do departamento de História - UFF

Havia muito que franceses navegavam pelo litoral do Brasil, e do Rio de Janeiro em particular. Basta lembrar que os primeiros europeus a se instalarem na Guanabara, antes mesmo da fundação da cidade de São Sebastião, foram os franceses que, sob o comando de Nicolas Durand de Villegagnon, ali ergueram a França Antártica. A região centro sul da América, entre Espírito Santo e São Vicente, constituiu-se numa área privilegiada, embora não exclusiva, de corso e pirataria. Seja através do escambo com os indígenas, do contrabando com os primeiros colonos, seja por meio do saque às vilas costeiras, os franceses foram frequentadores assíduos daquele litoral. 

A partir de finais do século XVII e durante todo o século seguinte, a capitania do Rio de Janeiro foi cada vez mais assediada por navios europeus que, para serem recebidos em seus portos, alegavam avarias, falta de víveres e doenças na tripulação. A legislação portuguesa proibia o comércio com estrangeiros, embora os tratados de paz entre as monarquias europeias estabelecessem que não se podia, em nenhum porto, negar hospitalidade às embarcações das nações amigas que precisassem de consertos ou tratar os doentes. Por isso, muitos navios estrangeiros acabaram por entrar no porto do Rio de Janeiro durante todo o período colonial. Seus tripulantes eram acolhidos para se curarem das doenças contraídas em alto-mar, mas eram proibidos de exercer o comércio. Nem sempre, no entanto, as proibições do comércio eram respeitadas. Não raro, com o pretexto de consertar o navio ou tratar a tripulação, o contrabando era feito com a cumplicidade, ou mesmo por iniciativa dos moradores.

Prova disso, além da correspondência entre autoridades no Brasil e em Portugal, são os inúmeros relatos de viagens, roteiros e diários de bordo de marinheiros e comerciantes estrangeiros que, acolhidos nos portos coloniais, visitaram e descreveram vilas, cidades e seus habitantes. Alguns foram publicados nos séculos XVI, XVII e XVIII, servindo de guia para futuras expedições. Outros continuam inéditos, depositados em arquivos e bibliotecas na Europa e no Brasil, como o Arquivo Nacional. Ambos podem dar uma dimensão aproximada do conhecimento que os europeus detinham das costas brasileiras, em particular da região centro-sul.

De fato, todo um saber empírico acerca dos territórios e das sociedades coloniais se constituiu a partir de dados observados in loco pelas sucessivas viagens empreendidas por franceses, ingleses, espanhóis, holandeses etc. Os navegadores do Velho Mundo instruíam-se uns aos outros, somando e enriquecendo as informações que adquiriam com boa dose de precisão, por meio da leitura de relatos de viagens passadas, do acréscimo de novas observações, do acúmulo de dados e descrições, aproveitando a experiência de seus antecessores para conferir maior eficácia a seus próprios intentos. A literatura constituída por diários de bordo e relações de viagens traduzia um conhecimento acumulado e constantemente corrigido de acordo com novas observações e novas descobertas.
Quando, em 1695, a esquadra francesa comandada pelo capitão De Gennes solicitou a entrada no porto do Rio de Janeiro para refresco da tripulação e aprovisionamento dos navios, François Froger, um de seus tripulantes, que escreveu um interessante diário da expedição, afirmou que seus moradores não pareciam habituados a navios de outras nações. Diante da simples visão das naus francesas, ficaram tão atemorizados, que enviaram suas mulheres e bens para o interior.1 Em bando publicado alguns meses depois, o governador Sebastião de Castro Caldas referia-se: "a maior parte destes moradores que faltos de experiência com qualquer notícia de navios nesta costa, procuram segurar as suas famílias e cabedais nos matos de suas fazendas, devendo pelo contrário uma e outra coisa recolher a esta cidade, onde estão seguros de qualquer sucesso."2

O clima de tensão era aprofundado pela circulação de boatos. A 13 de dezembro de 1695, Sebastião de Castro Caldas fora forçado a lançar outro bando no qual dizia ter tido a notícia de "que muitas pessoas deste povo têm por sua conta, por temor ou por curiosidade, o ofício de fabricarem novas supostas e fantásticas, com pretexto e ocasião de se acharem neste porto três navios da nação francesa, com que irritam e causam perturbação entre os moradores desta cidade".3

Fantasiosos ou não, os boatos, fruto do temor e da curiosidade do povo diante da presença dos inusitados e indesejáveis visitantes, provocavam distúrbios na cidade. A quatro de dezembro, Castro Caldas afirmava que, devido à presença dos franceses, muitos moradores, inquietos, "perturbam, e descompõem ... alguns dos marinheiros que têm vindo a terra, sobre o que tenho passado várias ordens e mandado deitar rondas". No entanto, como o policiamento havia se mostrado infrutífero no controle das manifestações hostis aos visitantes, deliberava que "toda pessoa de qualquer qualidade que seja que com obras ou palavras descompuser a qualquer marinheiro ou pessoa da dita nação ... será rigorosamente castigada".4

Não era a primeira vez que a chegada de navios estrangeiros no porto e a descida de sua tripulação em terra firme provocavam desordens e perturbações. E não seria a última. No dia 20 de dezembro, Sebastião de Castro Caldas foi obrigado a lançar um novo bando aparentemente contraditório em relação aos dois anteriores. Nele afirmava lhe ter "chegado a notícia de terem faltado alguns marinheiros e soldados da guarnição dos navios da nação francesa que se acham neste porto, os quais, por não serem práticos neste país, não é crível que possam fugir nem esconder-se sem ajuda e favor, ou notícia, de algum dos moradores desta cidade e seus distritos". Considerava que a cumplicidade entre os moradores e os franceses acarretava "grave dano e prejuízo do serviço das ditas naus, a quem pela boa paz, aliança e amizade que temos com a dita nação, se deve toda a correspondência e hospitalidade".5 Mas, por detrás destas razões, o governador tinha ciência do dano bem maior que aquele tipo de infração, no caso de os moradores abrigarem franceses desertores dos navios e com eles comerciarem, poderia causar às rendas da alfândega e do rei de Portugal.
Apesar da relativa tolerância à entrada de estrangeiros nos portos do Brasil, o século XVIII foi inaugurado com explícitas ordens régias exigindo sua expulsão sumária. A única exceção referia-se àqueles que, casados com portuguesas, tivessem filhos e, sobretudo, que não exercessem qualquer atividade mercantil.6

A capitania do Rio de Janeiro parecia ser uma das mais visadas por estas novas medidas, principalmente por seu porto servir para o embarque do ouro proveniente das Minas. Em resposta a uma carta régia que impedia que dali por diante qualquer estrangeiro passasse à região mineradora, o governador do Rio, d. Álvaro de Albuquerque, afirmava que se devia também expulsá-los dos portos marítimos, principalmente das "vilas de baixo", como Ilha Grande e Parati.7

Com efeito, a baía de Angra dos Reis dividia com a região de Cabo Frio a preferência de piratas, corsários e contrabandistas. Incansáveis foram as diligências das autoridades coloniais no sentido de impedir o comércio, o saque de embarcações e de povoações, ou o simples contato entre estrangeiros e a população local. Em 1704, d. Álvaro de Albuquerque voltava a escrever ao rei, informando que na Ilha Grande achavam-se alguns franceses casados com filhas de "pessoas principais da terra". Afirmava parecer-lhe prudente tirá-los de lá, pois suspeitava de que o fato de se acharem ali estabelecidos levava a que tantos outros navios buscassem aqueles portos. No entanto, como os avisos que havia recebido de Lisboa só faziam menção à expulsão dos estrangeiros "que constar são levantados isto é, amotinados, ou de nação inimiga", e como não lhe constava que Portugal estivesse em "guerras declaradas" contra a França, evitava tomar qualquer atitude sem uma explícita ordem real.8

A 28 de fevereiro de 1707, o rei voltava a escrever ao governador do Rio dizendo ter sido informado de que, apesar das proibições contra a entrada de estrangeiros nas conquistas, muitos "têm passado e passam em grande número, não somente a habitar nas praças marítimas delas, mas ainda nos sertões e principalmente nas minas dessa capitania, cuja ambição os desperta". Temia o prejuízo que poderia resultar ao Brasil, "pelo perigo que há, de que sendo devassado pelos estrangeiros, se informarão das forças dele, disposição de sua defesa, capacidade dos portos ... e das entradas das terras para as Minas". Mencionava outro grave inconveniente, desta vez para Portugal: "de que por este modo vêm os estrangeiros a fazer, seu próprio, este comércio que é dos naturais deste Reino, o qual ... não pode deixar de padecer maiores descaminhos nos direitos à minha Fazenda".9

Em 1719, d. João V escrevia a Ayres de Saldanha de Albuquerque, governador do Rio de Janeiro, afirmando ter tido ciência da pouca ou nenhuma observância da lei de 1711, que proibia o comércio com a tripulação de navios de outras nações da Europa. Fora informado que jamais anteriormente os estrangeiros frequentaram tanto o litoral do Brasil como depois da publicação da referida lei. Levados pela "ambição", pediam acolhida com "pretextos afetados", a fim de introduzirem toda sorte de mercadorias em troca de ouro. Ordenava que o governador cumprisse estritamente a lei, sem, no entanto, faltar ao "direito de hospitalidade" firmado nos tratados de paz com as nações amigas.10

Não apenas o comércio ilegal atemorizava as autoridades lisboetas. Um outro fantasma povoava-lhes as mentes: a existência de potenciais espiões entre os muitos estrangeiros que percorriam os portos, as vilas e as cidades coloniais. Em finais de 1689, uma carta régia dirigida ao governador do Rio de Janeiro advertia-o de que "alguns estrangeiros passam às capitanias desse estado do Brasil sem mais causa que a sua curiosidade, para verem e observarem as alturas dos portos, sítios e fortificações das praças, de que podem resultar alguns inconvenientes".11 Possivelmente aquele alarme fora motivado por um francês conhecido como Abade de Pequil, senhor de Monte Vero. Desembarcando em Pernambuco, fez questão de visitar todas as fortalezas, e muitos moradores ouviram-no falar mal do "governo do Reino" de Portugal.12

Algumas das expedições estrangeiras que chegavam aos portos do Brasil deparavam-se com europeus que há muito ali viviam, a quem pediam informações e de quem recebiam ajuda e favor, além de notícias relativas às defesas e aos costumes da terra. Um desses europeus, ou melhor dizendo, francês, era Ambrozio Jauffret. Nascido em Marselha, viveu em São Paulo durante cerca de trinta anos, onde se casou e teve filhos. Em 1704, enviou ao ministro da Marinha de seu país natal, conde de Pontchartrain, uma espécie de relatório informando-o do estado das capitanias do sul do Brasil, do Rio de Janeiro até o rio da Prata.13 Este relato serviu de base ao documento intitulado Mémoire et projet pour enlever Riojaneiro Memória e projeto para conquistar o Rio de Janeiro,14 que, por sua vez, instruiu a invasão, o saque e o sequestro da cidade, em 1711, pelo famoso corsário René Duguay-Trouin.

A obra em questão funda-se numa precisão espantosa de informações acerca das rotas e condições de navegação, do território urbano do Rio, de suas ruas, prédios, defesas, economia e administração. Fornece preciosos detalhes sobre o período de saída das frotas portuguesas para Lisboa, abarrotadas de ouro, contendo, inclusive, previsões sobre o provável lucro que obteria uma eventual empresa de corso que tivesse como objetivo invadir e saquear a cidade. Passava, então, a descrever seus habitantes, que dizia serem extremamente ricos devido ao comércio que faziam com os espanhóis no Rio da Prata e graças às minas de ouro recém-descobertas, situadas a cem léguas do litoral. Os conventos dos religiosos eram, a seu ver, suntuosos, sobretudo os dos jesuítas, de São Bento e do Carmo; as igrejas possuíam enormes quantidades de prataria, o que levava a recomendar que os invasores levassem o que houvesse de excessivo e deixassem apenas o estritamente necessário.

Anexa à Memória encontra-se um belo e detalhado mapa do Rio e um documento intitulado Observation sur la Ville de Riojaneiro Observação da cidade do Rio de Janeiro, revelando sua situação em termos de latitude e longitude, descrevendo a baía, a direção dos ventos no seu interior, a melhor hora do dia para tentar a entrada da barra, suas fortalezas, canhões e munições e, finalmente, a cidade propriamente dita, com destaque para o aqueduto da Carioca e os conventos. Seu autor finalizava a descrição dizendo-se conhecedor da grande covardia dos portugueses, o que o levava a prever, em caso de invasão, a fuga do governador.
A memória escrita por Ambroise Jaufrée foi de grande utilidade para Luís XIV durante a Guerra de Sucessão da Espanha (1703-1713), que colocou em campos opostos França e Portugal, deflagrando uma série de investidas corsárias. O corso, distintamente da pirataria e da ação dos flibusteiros, era um empreendimento oficial praticado pelas monarquias europeias nos momentos de guerra. Os capitães dos navios corsários recebiam uma carta de marca concedida pelo rei, que os autorizava a atacar os navios e a saquear os territórios das nações inimigas. No caso da França, o corso era, sobretudo, uma atividade privada. Os navios corsários pertenciam, em sua grande maioria, a particulares que os armavam e os abasteciam para o comércio ou para o corso, conforme a conjuntura. Durante a Guerra de Sucessão, os mares e oceanos coalharam-se de corsários de todas as nações, sobretudos franceses.

Devido à guerra na Europa, na manhã de 17 de agosto de 1710, uma esquadra composta de seis navios comandados pelo corsário francês Jean François Duclerc surgiu ao largo da baía de Guanabara. O alarme havia sido dado no dia anterior, quando as naus que navegavam sob falso pavilhão inglês foram avistadas por um pescador em alto mar. Hostilizado por disparos das fortalezas de São João e de Santa Cruz, Duclerc resolveu navegar mais para o sul, em direção à Ilha Grande. Impedido de ali desembarcar, rumou um pouco para o norte, chegando à praia de Guaratiba, onde, sem maiores dificuldades, desceram a terra cerca de 1.200 homens. O comandante, seus oficiais e soldados, guiados por quatro escravos fugidos, seguiram a pé por matos espessos e terrenos pantanosos até bem próximo à cidade, quando, a 18 de setembro, alcançaram um engenho dos jesuítas.

Na manhã de 19 de setembro, Duclerc chegou finalmente à cidade, na altura da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Travou-se intensa batalha em que seus bravos defensores lutaram com afinco, pois no mesmo dia derrotaram os franceses. Muitos foram mortos e os restantes aprisionados. Duclerc e alguns de seus oficiais foram presos no colégio dos Jesuítas. Tempos depois foi removido para uma das casas da cidade, onde foi assassinado por homens mascarados. Durante os meses que se seguiram foi possível aos portugueses se deliciarem com os louros da vitória, promovendo festejos, dando mostras de sua alegria à luz de luminárias e missas em ação de graças por tão notável sucesso.15

Alguns dos prisioneiros deveriam ser, um ano mais tarde, removidos para Lisboa. O bando do governador Francisco de Castro Morais, ao mesmo tempo em que preparava o embarque, demonstrava suspeita e temor de que os moradores os acobertassem em suas casas. Ordenava que os franceses estivessem no dia seguinte, 28 de agosto de 1711, no largo em frente ao palácio (atual Praça XV), para serem distribuídos nos navios da frota portuguesa. E advertia: "todo o morador que em sua casa tiver francês algum, se for consentido ou concorrer para que haja falta em se apresentar, será castigado severamente e preso pelo tempo que me parecer. E para que chegue a notícia a todos, e não possam alegar ignorância mandei lançar este bando a som de caixas pelas ruas mais públicas desta cidade".16
A frota não havia ainda zarpado quando um paquete de carreira inglês entrara no porto trazendo notícias de que uma grande esquadra havia sido armada nos principais portos da França, tendo como destino a cidade do Rio de Janeiro. Imediatamente o governador reuniu as guarnições das fortalezas, ordenando que as tropas e as milícias que defendiam a cidade permanecessem em estado de alerta. Alguns dias mais tarde um vigia em alto mar avistou navios franceses na altura de Cabo Frio. As precauções foram intensificadas. A prontidão foi mantida até 11 de setembro, quando, sem mais notícias, os ânimos se arrefeceram e o governador ordenou a retirada dos defensores de seus postos.

A 12 de setembro de 1711, a esquadra francesa composta de 18 embarcações, sob o comando do corsário René Duguay-Trouin, entrou, de forma espetacular, nas águas da Guanabara. Jamais, nem mesmo experientes marinheiros portugueses haviam mostrado tanta perícia em romper a estreita e fortificada entrada da baía. Encobertos por intenso nevoeiro matinal, em poucas horas os franceses encontravam-se defronte à cidade, diante dos olhares perplexos e incrédulos de seus habitantes. Embora os navios portugueses, tanto mercantes quanto de guerra, ainda estivessem atracados no porto, nada puderam fazer e foram os primeiros alvos dos canhões inimigos. Imediatamente a perplexidade levou ao pânico e o pânico ao desânimo. Dois dias depois, em 14 de setembro, cerca de três mil franceses desciam na Ilha das Cobras. Por algum tempo o governador tentou manter o controle da situação. No dia 19, os franceses enviaram mensagem pedindo a rendição dos portugueses, caso contrário, bombardeariam a cidade. Castro Morais retrucou bravamente, afirmando que lutaria até a última gota de seu sangue. No entanto, ao anoitecer do dia 21, apavorados diante da proximidade do inimigo e com os nervos à flor da pele, os regimentos e as milícias de defesa começaram a desertar, seguidos dos moradores. Circulavam rumores de que não havia mais jeito de resistir, pois tudo estava pedido. Ao cair da noite, Francisco de Castro Morais ordenou o abandono das trincheiras e a total evacuação da cidade. Até parece que Jauffré adivinhara, anos antes, o que iria acontecer.

Enquanto isso, os invasores, sem ter notícias da fuga, preparavam-se para entrar no dia seguinte na cidade. Tão logo veio a aurora, Duguay-Trouin foi informado de que ela se encontrava deserta. Cautelosos, sem conseguirem acreditar no que ouviam dizer, e menos ainda no que viam, os franceses tomaram do colégio dos Jesuítas. A partir de então começaram a saquear e a reunir em seus navios tudo o que encontraram de valor. No entanto, não acharam ouro, pois os moradores, como sempre costumavam fazer, levaram o que de mais valioso possuíam para suas fazendas no interior. Da mesma forma o governador mandara esconder o ouro dos quintos reais proveniente das Minas. Ao saber disso, Duguay-Trouin lançou um derradeiro ultimato, exigindo o pagamento imediato de um significativo resgate pela cidade: 610 mil cruzados em ouro, 100 caixas de açúcar e 200 cabeças de gado. Caso contrário, ele a destruiria. 

O temor causado pela invasão francesa de 1711 permaneceu por todo o século XVIII. Porém, não só de temor eram alimentadas as relações entre portugueses e franceses. Também de hospitalidade, cumplicidade e sedução.

Exemplo de hospitalidade nos é narrado pelo diário de viagem de uma embarcação francesa que fazia parte de uma esquadra real com destino às Índias Orientais. Em 1748, mais precisamente no dia 23 de junho, chegava ao Rio de Janeiro o navio l'Arc-en-Ciel, capitaneado por Monsieur Pepin de Bellisle.17 Antes de entrar na baía, o comandante enviara alguns oficiais à cidade para informar de sua próxima ancoragem no porto. Ao desembarcarem, o governador Gomes Freire de Andrade voltava da missa na igreja do Carmo. Vinha a pé, sob um para-sol carregado por dois escravos. Os franceses foram convidados a seguirem-no até o palácio, onde, em audiência, explicaram a razão que os trazia ali. Rumavam para as possessões francesas no Índico, e seus navios estavam avariados, precisavam de víveres e transportavam marinheiros doentes. Foi-lhes concedida a hospitalidade solicitada, e o comandante e seus oficiais alugaram uma casa na cidade.

A primeira visita retribuída por Gomes Freire a Monsieur de Bellisle é magnificamente relatada. O governador chegara num cavalo belíssimo, cujos arreios eram totalmente de ouro e brocados. De ouro eram ainda suas pistolas, sua espada, as esporas e o cabo de seu rebenque. Usava um traje escarlate igualmente bordado a ouro. Chegou à residência do comandante francês seguido de um grande número de oficiais militares. Acomodaram-se na varanda, com uma bela vista sobre a baía.

Alguns dias mais tarde os franceses foram convidados a assistir a um espetáculo de teatro, que consistia em uma peça de marionetes de tamanho natural e cujo tema era a conversão de alguns doutos pagãos por Santa Catarina. No interior do teatro os homens sentavam-se em bancos com espaldares e braços como os das igrejas, enquanto as mulheres escondiam-se nos camarotes. A orquestra compunha-se de instrumentos de corda e um inglês tocava divinamente uma flauta transversa.

E assim, em meio a gentilezas de parte a parte, transcorria sem maiores incidentes a estadia dos tripulantes do l'Arc-en-Ciel no Rio de Janeiro do tempo do conde de Bobadela (1733-1763). A curiosidade dos portugueses rendeu várias e agradáveis visitas à casa de Monsieur de Bellisle e ao navio francês. Gomes Freire e algumas das principais pessoas da cidade foram homenageados com um jantar a bordo, cuja abundância e delicadeza dos pratos não deixava nada a desejar. Beberam a saúde dos respectivos monarcas ao som de salvas dos canhões franceses, logo retribuídas pela fortaleza da Ilha das Cobras. Dias após o jantar oferecido por Bellisle chegou a vez de o governador convidá-lo para uma ceia no seu palácio. Gomes Freire é descrito pelo autor da memória como uma pessoa culta e distinta, que gostava de conversar sobre a França, apesar de nunca ter lá estado.

Ao final de dez ou doze dias de permanência na cidade, grande parte dos doentes havia convalescido, o navio foi consertado e começaram os preparativos para supri-lo de mantimentos. No dia 9 de maio fizeram uma última visita de cortesia ao governador e, no dia seguinte, saíram ao raiar do sol, encantados com as relações pacíficas e amigáveis que marcaram a convivência entre os habitantes da cidade, as autoridades portuguesas e a tripulação francesa.

Na segunda metade do século XVIII outros europeus, entre eles franceses, passaram pelo Brasil e, especificamente, pelo Rio de Janeiro. Em pleno "século das Luzes", o interesse por expedições exploratórias, movidas pela curiosidade científica, pela classificação da natureza e por razões mercantis, políticas e estratégicas resultou em inúmeras viagens de circunavegação do globo, como as comandadas por Byron, Cook, Bougainville, La Pérousse e outros.18 Mas não trataremos delas aqui. Algumas inspiraram temor, outras desfrutaram a hospitalidade de moradores e vice-reis. Voltemos ao contrabando, à cumplicidade e, sobretudo, à sedução. Várias são as histórias de contrabandistas, piratas e corsários que fizeram pouco caso da proibição do comércio de estrangeiros com o Brasil. Certamente nenhuma tão interessante quanto a que teve como protagonista uma mulher, Joana d'Entremeuse.

A cinco de junho de 1799, o vice-rei, conde de Resende, escrevia a d. Rodrigo de Souza Coutinho, secretário da Marinha e dos Domínios Ultramarinos, dando notícia de que uma francesa, "que se intitula Joana d'Entremeuse" havia partido do Rio para Lisboa. O conde julgava prudente relatar esta notícia, uma vez que aquela mulher, "pela sua nação, pela sua viveza, pelo seu caráter insinuante e pelos seus projetos e indústria se faz merecedora de ser olhada com circunspecção".19

Além da carta do vice-rei, as aventuras de Joana chegaram até nós por meio da abertura de uma devassa contra ela em Lisboa, quando, depois de muito contrabandear entre as possessões francesas na África e no Índico e os domínios espanhóis e portugueses na América, foi enfim descoberta pelas autoridades portuguesas. Joana nasceu provavelmente na França, porém, transferiu-se, não se sabe bem se antes ou depois da Revolução Francesa, para as ilhas Maurícias, no oceano Índico, próximas a Moçambique. Em 1796 decidiu retornar à França. Naquela viagem seu destino confundiu-se com o de outros contrabandistas, como o português Eleutério Tavares. Os dois zarparam das Maurícias no navio Boa Viagem, com parte da carga adquirida de embarcações portuguesas apresadas por corsários franceses no oriente. Simulando dirigir-se ao Rio da Prata, navegaram, ao contrário, até Salvador, com o pretexto de consertar as avarias sofridas pelo navio. Esperavam ter bom acolhimento e, eventualmente, vender as mercadorias que traziam. A permissão de comerciar, no entanto, lhes foi negada pelo governador. Durante a permanência na Bahia, nenhum dos tripulantes do navio pôde descer a terra. A não ser Joana. Enquanto seus companheiros rumaram para o sul, atracando em pequenos portos da capitania, nos quais conseguiram contrabandear o que levavam, Joana permaneceu na cidade, recebendo autorização para guardar suas mercadorias em armazéns da alfândega.

De Salvador passou ao Rio da Prata, unindo-se, em Buenos Aires, à comunidade de comerciantes franceses provenientes das Maurícias. Recebeu cartas de recomendação de homens de negócio e do próprio vice-rei espanhol, com as quais rumou para o Rio de Janeiro, onde foi bem acolhida pelo conde de Resende e pelos principais comerciantes da então capital do Estado do Brasil. Permaneceu no Rio por 13 meses, interrompidos apenas por nova viagem a Montevidéu, tempo suficiente para angariar, mais uma vez, as simpatias e a confiança de todos. Um negociante vizinho de Joana no Rio testemunhou que a francesa possuía grande séquito, e as pessoas mais qualificadas da cidade a estimavam muito, por ser instruída e saber lidar como ninguém com os negócios.

Joana apresentou vários requerimentos ao conde de Resende, entre eles um que lhe pedia permissão para vender as mercadorias que trouxera de Montevidéu. O poder de sedução d'Entremeuse devia ser mesmo grande, pois conseguiu o que queria. O capitão de um navio português afirmou que Joana, fazendo-se muito agradável a todos, por sua instrução e prendas, conseguiu empréstimos para comprar uma pequena embarcação, enviando-a a Montevidéu e a Caiena com suas mercadorias. Todos eram unânimes nos elogios à francesa, inclusive o vice-rei, que lhe concedera passaportes de ida e volta ao Rio da Prata, além de permissão para viajar sob a bandeira portuguesa.

Depois de muito contrabandear, e já levantando algumas suspeitas no vice-rei, Joana resolveu voltar à Europa, passando primeiro por Portugal, para depois se dirigir à França. Mas a partir daí sua sorte mudaria. A atitude mais sensata que o conde de Resende tomou diante do caráter insinuante e persuasivo d'Entremeuse foi escrever a d. Rodrigo de Souza Coutinho, relatando as peripécias da francesa e advertindo que, apesar de suas concessões anteriores, o procedimento daquela mulher era tão suspeitoso, que considerava justo partilhar suas dúvidas com o ministro.

Joana chegou a Lisboa em setembro de 1799, onde foi presa pelo intendente de Polícia Pina Manique. Tinha 32 anos. Talvez por ser mulher num mundo no qual os homens predominavam - o dos negócios e do contrabando - o príncipe-regente d. João enviou à prisão duas outras mulheres e dois cirurgiões para examinarem Joana e constatarem se se tratava mesmo de uma mulher, ou se de um homem disfarçado. O processo não foi muito longe. Por falta de provas e com a intervenção do general Lannes, embaixador francês, Joana foi solta e voltou ao seu país de origem.

O temor das autoridades portuguesas diante desta incrível mulher não se devia apenas ao fato de ela ser comerciante e contrabandista. Suspeitava-se que ela fosse também republicana, tendo em vista os acontecimentos que convulsionaram seu país durante e após a Revolução Francesa. Além do contrabando, a última década do século XVIII fez alastrar em Portugal e no Brasil um verdadeiro pânico das revolucionárias ideias francesas. São muitos os documentos encontrados no Arquivo Nacional, principalmente a correspondência de governadores e vice-reis no Brasil, em torno das "perniciosas máximas" e dos "abomináveis princípios" franceses. Não é de se espantar, uma vez que os cidadãos daquela nação haviam derrubado e degolado seu próprio rei. A coroa portuguesa temia que, contaminados por aqueles ideais, seus súditos, tanto na Europa quanto no Brasil, almejassem fazer o mesmo. Temia ainda que estes últimos, com base nas aspirações de liberdade, igualdade e fraternidade ousassem insurgir-se contra o domínio do rei de Portugal. 

1 FROGER, François. Rélation d'un voyage fait en 1695, 1696 et 1697 aux Côtes d'Afrique, Détroit du Magellan, Brèzil, Cayenne et Isles Antilles, par une Escadre des Vaisseaux du Roy, comandée par Monsieur des Gennes... Paris: Chez Nicolas le Gras, 1699, p. 65.
2 ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Bando de 18 de maio de 1696. Códice 77, v. 6, fls. 51-51v.
3 ______. Bando de 13 de dezembro de 1695. Códice 77, v. 6, fls. 38v-40.
4 ______. Bando de 4 de dezembro de 1695. Códice 77, v. 6, fls. 37v-38.
5 ______. Bando de 20 de dezembro de 1695. Códice 77, v. 6, fls. 40-41.
6 ______. Carta régia de 7 de abril de 1713. Códice 952, v. 18, fl. 313.
7 ______. Carta de 9 de agosto de 1703. Códice 77, v. 12, fls. 72-72v.
8 ______. Carta de 27 de maio de 1704. Códice 77, v. 14, fls. 331-332.
9 ______. Carta régia de 28 de fevereiro de 1707. Códice 952, v. 16, fl. 255.
10 ______. Carta régia de 17 de fevereiro de 1719. Códice 60, v. 13, fl. 37.
11 ______. Carta régia de 24 de dezembro de 1689. Códice 77, v. 3, fls. 26-26v.
12 ______. Carta régia de 17 de março de 1689. Códice 952, v. 5, fl. 73.
13 MANSUY, Andrée. Relação que faz Ambrozio Jauffret ao sr. conde de Pontchartrain informando de todo o estado do Rio de Janeiro até o Rio da Prata, Cayena, 20 de junho de 1704. In: V COLÓQUIO INTERNACIONAL DE ESTUDOS LUSO-BRASILEIROS,1963, Coimbra.  Actas... Coimbra: Universidade de Coimbra, 1963, v. II., p. 435-442.
14 CENTRE d'Acueil et Recherche des Archives Nationales (França). Mémoire et Projet pour enlever Riojaneiro. Fond Marine, B4 / 36, fls. 182 a 183v.
15 ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Bando de 19 de outubro de 1710. Códice 77, v. 22, fl. 17v-18.
16 ______. Bando de 27 de agosto de 1711. Códice 77, v. 22, fls. 51-51v.
17Este relato se encontra reproduzido em várias publicações. O original francês, Extrait d'un Journal de la Campagnie des Vaisseaux du Roi aux Indes Orientales en l'année 1748. Relâche du Vaisseau Arc-en-Ciel à Riojenaire, Côte du Brésil, consta do acervo dos Arquivos Nacionais da França: CARAN, Marine. B4 / 62, fl. 281-301. A Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no volume 280, de junho/setembro de 1968, publicou uma tradução em português, prefaciada por Gilberto Ferrez.
18 Cf. BICALHO, Maria Fernanda. Viajantes e exploradores. In: ______. A cidade e o Império: o Rio de Janeiro no século XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 116-123.
19 ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Carta de 5 de junho de 1799. Códice 69, v. 9, fls. 57-58v.

Conjunto documental: Capitanias da Bahia, Alagoas, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Piauí, São Paulo e Santa Catarina

Notação: caixa 748, pct. 02
Data-limite: 1770-1813
Titulo do fundo ou coleção: Vice-Reinado
Código do fundo: D9
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício de Caetano Pinto de Miranda Montenegro, governador da capitania de Mato Grosso, ao visconde de Anadia comunicando alguns artigos do tratado de paz que se firmou entre a Corte portuguesa e a República francesa. Um dos artigos fixa as datas em que deveriam cessar as hostilidades e promover a amizade entre as duas potências. O governador também inclui os artigos que dizem respeito aos limites franceses na parte setentrional do Brasil e avisa que a demarcação dos limites será feita em breve.
Data do documento: 16 de novembro de 1801
Local: Mafra
Folha(s): -

Conjunto documental: Correspondência com Portugal - minutas de ofício
Notação: caixa 494, pct. 01
Data-limite: 1762-1803
Título do fundo ou coleção: Vice-Reinado
Código do fundo: D9
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofícios enviados pelo correio marítimo e escritos por Joaquim Gomes da Rocha, segundo tenente da Marinha Real, ao visconde de Anadia, João Rodrigues de Sá e Melo, informando a respeito da prisão de algumas embarcações portuguesas por corsários franceses. Mostra a dificuldade de perseguir as embarcações corsas e comenta que recebeu uma carta do comandante dos corsários informando que os portugueses que lá se encontravam estavam sendo bem tratados, e recomendando que os franceses que se encontrassem sob custódia dos portugueses também o fossem.
Data do documento: 23 de outubro de 1801
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): -

Conjunto documental: Correspondência com Portugal - minutas de ofício
Notação: caixa 494, pct. 01
Data-limite: 1762-1803
Título do fundo ou coleção: Vice-Reinado
Código do fundo: D9
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício em que se ordena proceder a devassa pelo crime cometido pela francesa Joana d'Entremeuse referente à carga clandestina que transportou para Lisboa e por todos contrabandos que fez nessa cidade.
Data do documento: 23 de abril de 1802
Local: Rio de Janeiro
Folha (s):

Conjunto documental: Correspondência com Portugal - minutas de ofício
Notação: caixa 494, pct. 01
Data-limite: 1762-1803
Título do fundo ou coleção: Vice-Reinado
Código do fundo: D9
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício remetido ao visconde de Anadia, João Rodrigues de Sá e Melo, que relata o auto de exame feito a bordo do navio francês denominado Hidra, que atracou no porto do Rio de Janeiro em 21 de maio de 1802, para concerto. A embarcação pediu permissão para vender de sua carga, composta de tecidos valiosos, com o fim de cobrir as despesas com a manutenção. O relator pede que a permissão seja concedida pois se trata de um navio de uma nação que acabara de assinar a paz com Lisboa.
Data do documento: 5 de outubro de 1802
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): -

Conjunto documental: Correspondência com Portugal - minutas de ofícios
Notação: caixa 494, pct. 01
Data-limite: 1762-1803
Título do fundo ou coleção: Vice-Reinado
Código do fundo: D9
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: minuta de ofício do vice-rei, d. Fernando José de Portugal e Castro, para o ministro da Marinha e Ultramar d. Rodrigo de Souza Coutinho, acerca de uma recomendação do príncipe regente em 15 de dezembro de 1802, no qual se pedia aos governadores do Brasil toda cautela e vigilância a respeito das embarcações de guerra francesas que arribassem nos portos brasileiros. Pede que não façam esclarecimentos sobre os lugares mais propícios de se efetuar desembarques, principalmente na Ilha Grande e em Santa Catarina, tratando-os ao mesmo tempo com a maior e civilidade para que a Corte portuguesa não se comprometesse com aquela República.
Data do documento: 4 de abril de 1803
Local: Rio de janeiro
Folha(s): -

Conjunto documental: Registros de correspondência da Polícia (ofícios da polícia aos ministros de Estado, juizes do crime, câmaras e etc.)
Notação: códice 323, vol. 01
Data-limite: 1809-1809
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de ofício expedido ao ministro de Estado dos Negócios de Guerra, d. Rodrigo de Souza Coutinho, pelo intendente geral da Polícia da Corte Paulo Fernandes Viana, sobre o inquérito do francês João Jacques Le Piyer que veio para o Rio de Janeiro remetido da Paraíba, e se achava preso na fortaleza de Villegagnon, até que se decidisse se ele estava isento de suspeita e apto para receber sua liberdade. O intendente mostra que o suplicante veio ao Brasil havia 10 anos, quando a França ainda possuía boas relações com o Reino. Veio como cirurgião de um navio e se casou no país, enviuvou e viveu na povoação de Mamanguape até ser preso por ser estrangeiro, já que o reino estava em guerra com a França. Como o príncipe regente não considerava os franceses existentes no país como prisioneiros de guerra, pede que João Jacques Le Piyer seja libertado, por não haver contra ele algo que desabonasse sua conduta.
Data do documento: 28 de março de 1809
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): -

Conjunto documental: Registros de correspondência da Polícia (ofícios da polícia aos ministros de Estado, juizes do crime, câmaras e etc.)
Notação: códice 323, vol. 01
Data-limite: 1809-1809
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de ofício expedido ao ministro de Estado de Negócios Estrangeiros e de Guerra, d. Rodrigo de Souza Coutinho, sobre a prisão de Pedro Solim, por ter sido encontrado em um botequim na Corte e por ser francês. Decidiu-se pela soltura do francês, por nada ter sido comprovado contra ele.
Data do documento: 24 de abril de 1809
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): -

Conjunto documental: Ministério dos Estrangeiros e da Guerra. Pessoal - patentes militares
Notação: 5F-497
Data-limite: 1810-1897
Título do fundo ou coleção: Diversos - GIFI
Código do fundo:OI
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício do conde dos Arcos, d. Marcos de Noronha e Brito, ao conde de Aguiar, d. Fernando José de Portugal e Castro, a respeito do requerimento de Luis Antonio Jousseaum de la Tour, francês, que pretende se casar com d. Leonor Joaquina do Céu. D. Fernando se opõe ao casamento, apesar de não haver queixa contra a conduta civil do noivo, pois considera que os franceses nunca devem ser tratados de maneira indiferente, e que devem ser considerados como suspeitos pelos males que já causaram.
Data do documento: 28 de agosto de 1813
Local: Bahia
Folha(s): -

Conjunto documental: Ministério dos Estrangeiros e da Guerra
Notação: 6J-78
Data-limite: 1795-1887
Título do fundo ou coleção: Diversos - GIFI
Código do fundo: OI
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício do intendente de Polícia da Corte, Paulo Fernandes Viana, ao conde de Aguiar, d. Fernando José de Portugal e Castro, sobre o recebimento de ofício do ouvidor do Maranhão José da Mota de Azevedo, no qual pede que se prenda d. Francisco de Melo Manoel da Câmara acusado de traição contra o príncipe regente, por declarar que se alegrava com as notícias favoráveis aos franceses na guerra que estava sendo travada contra Portugal.
Data do documento: 1810
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): -

Conjunto documental: Ministério dos Estrangeiros e da Guerra
Notação: 6J-78
Data-limite: 1795-1887
Título do fundo ou coleção: Diversos - GIFI
Código do fundo: OI
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: carta de depoimento de Vitoriano José de Almeida Truão que foi preso sob suspeita de ser francês. O acusado relata toda a trajetória de sua vida desde sua vinda para o Maranhão até o degredo na Ilha das Cobras procurando mostrar não é francês e que tudo não passou de um infeliz engano.
Data do documento: 25 de novembro de 1810
Local: Ilha das Cobras
Folha(s): -

Conjunto documental: Ministério dos Estrangeiros e da Guerra
Notação: 6J-78
Data-limite: 1795-1887
Título do fundo ou coleção: Diversos - GIFI
Código do fundo: OI
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: documentos referentes ao inquérito promovido contra Victoriano de Almeida Truão acusado de ser francês, de blasfemar contra a religião católica e contra o príncipe regente, além de proferir palavras de apoio ao imperador francês. O inquérito contém testemunhos, depoimentos do acusado, pareceres de importantes membros do governo, como d. Rodrigo de Souza Coutinho e d. Francisco de Assis Mascarenhas, além do parecer de Paulo Fernandes Viana, intendente-geral de Polícia da Corte, no qual decreta a culpa do réu e condena-o a passar 10 anos de degredo em Angola.
Data do documento: 1808 a 1810
Local: Ilha das Cobras
Folha(s): -

Conjunto documental: Ministério dos Estrangeiros e da Guerra
Notação: 6J-78
Data-limite: 1795-1887
Título do fundo ou coleção: Diversos - GIFI
Código do fundo: OI
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício expedido ao ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros, d. Rodrigo de Souza Coutinho, por Paulo Fernandes Viana, intendente de Polícia da Corte, referente ao requerimento de Domingos Portaos, francês, que se encontra na cadeia da Corte por ter ameaçado um homem de morte. O intendente salienta que os franceses são homens abomináveis que não devem ser considerados amigos ou inimigos. Ainda pede que o acusado seja deportado o quanto antes de volta para a Europa.
Data do documento: 20 de janeiro de 1810
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): -

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a Corte
Notação: códice 69, vol. 09
Data-limite: 1799-1799
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício de d. José de Castro, conde de Resende, vice-rei do Brasil, no qual avisa a d. Rodrigo de Souza Coutinho sobre a chegada do navio espanhol Boa Viagem. Informa que três franceses embarcados no navio, donos de muitas fazendas, foram retidos no Rio de Janeiro aguardando a decisão do regente quanto a sua situação. Dentre eles, o conde de Resende destaca a francesa Joana d'Entremeuse, que segundo ele, foi trazida pela embarcação espanhola da cidade da Bahia, tendo novamente embarcado para Montevidéu com um navio carregado de mercadorias próprias. Após ter naufragado, carregou novamente sua embarcação e entrou no porto do Rio de Janeiro. Na cidade foi permitida a venda de seu navio e de lá partiu novamente para Montevidéu em navio fretado. Após alguns meses retornou à cidade tendo como destino o Cabo da Boa Esperança e a Ilha de França. Pedira ela ao conde de Resende a permissão para que pudesse navegar sob bandeira portuguesa a fim de evitar confrontos com ingleses. Tendo seu pedido negado, partiu para Lisboa para de lá continuar viagem em direção à sua pátria.
Data do documento: 5 de junho de 1799
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 57 a 58v

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a Corte
Notação: códice 69, vol. 11
Data-limite: 1801-1802
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício de d. Fernando José de Portugal e Castro, vice-rei do Brasil, para o visconde de Anadia, João Rodrigues de Sá e Melo, no qual relata a saída da galera Restauradora conjuntamente com outras embarcações sob a proteção da nau D. João de Castro. Informa que devido a um vento sudoeste, a embarcação se separou das outras, sendo depois apresada por um corsário francês na altura de Cabo Frio. Tal corsário também aprisionou a corveta São João Diligente que vinha de Angola com escravos, a sumaca que partira do Rio grande, o bergantim Eva que saíra da Bahia, e o bergantim Mosquito. Após o incidente, o comandante da esquadra da América Donald Campbell se pôs à frente para resgatar as embarcações, não havendo tempo até o momento de executar a missão. D. Fernando ainda celebra as notícias sobre a paz entre Espanha e Portugal.
Data do documento: 21 de outubro de 1801
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 2v

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a Corte
Notação: códice 69, vol. 11
Data-limite: 1801-1802
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício de d. Fernando José de Portugal e Castro, vice-rei do Brasil, ao visconde de Anadia, João Rodrigues de Sá e Melo, no qual narra a desistência do comandante da esquadra americana em levar as naus Maria Primeira e Dom João de Castro para resgatar as embarcações apresadas por um corsário francês. Informa que recebera uma carta, através de um passageiro aprisionado do bergantim Eva, na qual o comandante do corso francês diz dispensar bom tratamento à tripulação das nove embarcações que prendera, e pede que dispense o mesmo bom tratamento com os franceses que ali se achassem.
Data do documento: 23 de outubro de 1801
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 5

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a Corte
Notação: códice 69, vol. 11
Data-limite: 1801-1802
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo:
Argumento de Pesquisa: Estrangeiros, franceses
Ementa: ofício de d. Fernando José de Portugal e Castro, vice-rei do Brasil, para o visconde de Anadia, João Rodrigues de Sá e Melo, no qual relaciona os navios que levarão trinta e quatro prisioneiros franceses provindos das fragatas Concórdia e Medeia que foram apresados pela Companhia Inglesa através de um acordo com o comandante.
Data do documento: 25 de outubro de 1801
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 5v

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a Corte
Notação: códice 69, vol. 11
Data-limite: 1801-1802
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: correspondência de d. Fernando José de Portugal e Castro, vice-rei do Brasil, para o visconde de Anadia, João Rodrigues de Sá e Melo, em que acusa o recebimento do ofício no qual o visconde noticia o acerto de paz entre Portugal e França. D. Fernando declara estar ciente da condição dos navios franceses que poderiam somente entrar nos portos do Brasil por motivos justificados.
Data do documento: 18 de março de 1802
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 51

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a Corte
Notação: códice 69, vol. 11
Data-limite: 1801-1802
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício de d. Fernando José de Portugal e Castro, conde de Aguiar, vice-rei do Brasil, ao visconde de Anadia, João Rodrigues de Sá e Melo, no qual relata a vinda de dois franceses a bordo do navio Maria Primeira. Avisa que estes franceses entraram na Bahia embarcados no navio espanhol Boa Viagem, mas que ao retornar à embarcação foram expulsos. Pediram permissão para seguir viagem em busca do navio no Rio da Prata, visto que possuíam muitas fazendas embarcadas. No entanto, sabendo d. Fernando que a embarcação se encontrava na Vila de Paraty e que o capitão do navio expulsara os estrangeiros de forma violenta, e fez com que fosse vendida toda carga para o sustento da tripulação do navio, resolveu conceder aos franceses 400 réis por dia para a sua alimentação e os mandou para a fazenda de Santa Cruz. O administrador da fazenda fora alertado a tomar os devidos cuidados com os atos e a correspondência dos estrangeiros em razão da falta de harmonia entre a nação francesa e portuguesa.
Data do documento: 2 de abril de 1802
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 76v

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a Corte
Notação: códice 69, vol. 11
Data-limite: 1801-1802
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício de d. Fernando José de Portugal e Castro, vice-rei do Brasil, ao visconde de Anadia, João Rodrigues de Sá e Melo, relatando o cumprimento da provisão do Conselho Ultramarino que ordenou uma devassa em função do contrabando realizado pela francesa Joana d'Entremeuse que transportou carga ilegal para Montevidéu e para Lisboa.
Data do documento: 22 de abril de 1802
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 87

Conjunto documental: Registro da correspondência do vice-reinado para a Corte
Notação: códice 69, vol. 10
Data-limite: 1800-1800
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: ofício remetido pelo conde Resende, vice-rei do Brasil, a d. Rodrigo de Souza Coutinho, ministro e secretário de Estado dos negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos, no qual noticia a existência de embarcações francesas de corso na altura de Cabo Frio. Informa que o chefe de esquadra Paulo José da Gama tomou a frente na fragata Concórdia com o fim de cruzar a costa do norte para tornar a navegação de comércio mais segura. A fragata era pertencente a um negociante que a havia comprado de britânicos e fora cedida para a missão. Deste modo, o vice-rei expõe a deficiência da capitania em embarcações de guerra. Também relata que, após sua saída no dia 13 do mês de outubro, o chefe de esquadrão estava indo ao encontro dos inimigos que se encontravam estacionados na mesma altura. O conde termina justificando o atraso do correio marítimo Gavião em função do perigo representado pelos corsários franceses.
Data do documento: 20 de outubro de 1800
Local: Rio de Janeiro
Folhas(s): 68v

Conjunto documental: Governadores do Rio de Janeiro
Notação: códice 77, vols. 13 e 14
Data-limite: 1702-1705
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: carta do governador do Rio de Janeiro, Álvaro da Silveira de Albuquerque, para o rei de Portugal, d. Pedro II, sobre um navio francês que atracara na Ilha Grande junto a duas sumacas armadas. Dizia que os franceses foram pacíficos e intentavam pagar por tudo que pegaram. Através das cartas mandadas pelos súditos da França a seus compatriotas e a espanhóis, descobriu-se que seu destino era o mar do sul. Argumenta que na "Ilha Grande" residiam franceses casados com pessoas importantes da terra, e por isso mesmo não poderiam ser expulsos de lá. O governador indica que a ordem real era de somente expulsar estrangeiros revoltosos e de nações inimigas, lembrando que Portugal não estava em guerra contra a França.
Data do documento: 27 de maio de 1704
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 331

Conjunto documental: Governadores do Rio de Janeiro
Notação: códice 77, vol. 22
Data-limite: 1710-1713
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: bando do governador do Rio de Janeiro, Francisco de Castro Moraes, decretando que qualquer francês residente na cidade embarcasse no dia 28 de agosto, às três da tarde, em um navio em direção ao reino. Manda espalhar a ordem nos lugares mais públicos, advertindo que quem escondesse um francês em sua casa poderia ser punido.
Data do documento: 27 de agosto de 1711
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 51 e 51v

Conjunto documental: Governadores do Rio de Janeiro
Notação: códice 77, vol. 22
Data-limite: 1710-1713
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: bando do governador do Rio de Janeiro, Francisco de Castro Moraes, ordenando que se pusessem luminárias em toda a cidade em comemoração à vitória de Portugal sobre a França. Ordenava que qualquer morador, de qualquer condição, pendurasse durante oitos dias luminárias em suas janelas, e caso não fosse cumprida a ordem, a pena seria de 40 réis e um mês de prisão nas fortalezas.
Data do documento: 19 de outubro de 1710
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 17v

Conjunto documental: Governadores do Rio de Janeiro
Notação: códice 77, vol. 22
Data-limite: 1710-1713
Título do fundo ou coleção: Secretaria de Estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: bando do governador do Rio de Janeiro, Francisco de Castro Moraes, proibindo a saída de mineiros para as minas enquanto houvesse franceses inimigos na costa. Ele justifica dizendo que seria necessário todo o contingente possível em caso de uma ofensiva francesa, e quem desobedecesse à ordem perderia um terço de sua carga podendo ainda de ser preso. A pena também serviria para todos os mineiros que não se apresentassem com suas armas em frente ao palácio para que fossem nomeados soldados pagos.
Data do documento: 4 de setembro de 1710
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 10v

Conjunto documental: Matrícula de estrangeiros que vão residir em diversas capitanias do Brasil
Notação: códice 371
Data-limite: 1777-1819
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de passaporte do francês Espivet Long-Champs, nobre e casado, que teria vindo da França para a Bahia em 1811, e estava ocupado em negócios com fazendas pelos portos do Brasil. Trazia em sua companhia um amigo solteiro de 33 anos de nome Martins e um escravo de 15 anos. Eles seguiriam viagem para Maragojipe.
Data do documento: -
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 8

Conjunto documental: Matrícula de estrangeiros que vão residir em diversas capitanias do Brasil
Notação: códice 371
Data-limite: 1777-1819
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de passaporte do francês Guido Thomas Marlière, nobre e casado, que se encontrava a serviço do príncipe regente como capitão mor de cavalaria na capitania de Minas Gerais há seis anos.
Data do documento: -
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 18

Conjunto documental: Matrícula de estrangeiros que vão residir em diversas capitanias do Brasil
Notação: códice 371
Data-limite: 1777-1819
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de passaporte do francês Pierre François Lazon, comerciante de 30 anos, que viera do Rio de Janeiro junto com dois companheiros, também franceses, de nomes Eduardo Germon, de 20 anos, e José Mazé, de 21. Era residente em Vila Rica.
Data do documento: -
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 69

Conjunto documental: Matrícula de estrangeiros que vão residir em diversas capitanias do Brasil
Notação: códice 371
Data-limite: 1777-1819
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de passaporte da francesa Inácia Maria, de 23 anos, vinda de Nantes em 1816, que tinha o intuito de se estabelecer na Rua dos Tanoeiros, no Recife.
Data do documento: -
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 47 v

Conjunto documental: Matrícula de estrangeiros que vão residir em diversas capitanias do Brasil
Notação: códice 371
Data-limite: 1777-1819
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de passaporte do francês Próspero Sólon Chanmette, de 26 anos, nobre e solteiro, que viera de Havre de Grace em 1816. Junto com seu companheiro, Saint Martin, procurava se empregar em um alambique de aguardente na vila da Cachoeira, Bahia.
Data do documento: -
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 71 v

Conjunto documental: Matrícula de estrangeiros que vão residir em diversas capitanias do Brasil
Notação: códice 371
Data-limite: 1777-1819
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro do passaporte do francês Pierre Constant que viera com sua mulher, Julia Rosa, do Rio de Janeiro em 17 de fevereiro de 1819. Seu intento era residir em Recife para negociar suas fazendas.
Data do documento: -
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 74

Conjunto documental: Matrícula de estrangeiros que vão residir em diversas capitanias do Brasil
Notação: códice 371
Data-limite: 1777-1819
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro do passaporte do francês João Guilherme Jacques, nobre e casado, que viera para Santa Catarina num comboio espanhol em 1771. De lá passou para a Vila de São Pedro do Sul, com o passaporte do governo, no intento de "viver da arte da medicina".
Data do documento: -
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 88

Conjunto documental: Matrícula de franceses no Brasil
Notação: códice 372
Data-limite: 1802-1820
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de passaporte do francês Augusto Maria Taunay, de 49 anos, nobre e solteiro. Viera estabelecer-se na Corte com o ofício de escultor.
Data do documento: -
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 2

Conjunto documental: Matrícula de franceses no Brasil
Notação: códice 372
Data limite: 1802-1820
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de passaporte do francês Antonio Morrier, solteiro, de trinta anos de idade e residente na rua da Quitanda. Viera de Lisboa em 1817 para se estabelecer como cozinheiro e mestre em jogar facas.
Data do documento: -
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 3

Conjunto documental: Matrícula de franceses no Brasil
Notação: códice 372
Data limite: 1802-1820
Título do fundo ou coleção: Polícia da Corte
Código do fundo: ØE
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de passaporte do francês Augusto de Saint-Hilaire pela Polícia da Corte. Nobre, solteiro e de 37 anos, viera da capitania do Espírito Santo na lancha Bom Jardim. Era naturalista e havia chegado no ano de 1819.
Data do documento: -
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 3v

Conjunto documental: Fisicatura-mor
Notação: códice 145, vol. 08
Data-limite: 1818-1825
Título do fundo ou coleção: Fisicatura-mor
Código do fundo: 2O
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de carta do dentista francês Eugenio Frederico Guestin, morador da Corte do Rio de Janeiro, na qual o conselheiro José Correa Picanço confirma a permissão do estrangeiro para "tirar dentes e curar moléstias da boca e suas dependências". Diz que o francês passara pelo exame da Faculdade de Medicina de Paris, e ainda fora examinado pelos cirurgiões Domingos Ribeiro e Antônio Américo.
Data do documento: 13 de março de 1820
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 110

Conjunto documental: Fisicatura-mor
Notação: códice 145, vol. 08
Data-limite: 1818-1825
Título do fundo ou coleção: Fisicatura-mor
Código do fundo: 2O
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de carta do sangrador e cirurgião francês Brunet Achille, natural de Paris e morador da Corte do Rio de Janeiro. O conselheiro José Correa Picanço confirma a licença do estrangeiro para realizar a prática, e destaca que ele teria passado pelo exame dos cirurgiões aprovados Domingos Ribeiro e Antônio Américo.
Data do documento: 17 de outubro de 1820
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 159

Conjunto documental: Fisicatura-mor
Notação: códice 145, vol. 08
Data-limite: 1818-1825
Título do fundo ou coleção: Fisicatura-mor
Código do fundo: 2O
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: registro de carta do cirurgião francês Pedro Lasserre no qual o barão de Goyanna faz saber que o estrangeiro fora examinado pelos cirurgiões aprovados Vicente Ferreira Rodrigues de Souza e Antônio Joaquim Farto na presença do delegado Antônio Pedro Silva. No registro ainda consta o pagamento por parte do francês dos novos direitos no valor de 1600 réis.
Data do documento: 29 de novembro de 1822
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 224v

Conjunto documental: Livro original de termos e homenagens
Notação: códice 11
Data-limite: 1709-1788
Título do fundo ou coleção: Secretaria do estado do Brasil
Código do fundo: 86
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: capitulação ajustada por João de Paiva Souto Maior, em nome do governador Francisco de Castro Moraes, com o corsário francês Duguay-Trouin na qual fica acertada a quantia de 610.000 cruzados, 100 caixas de açúcar e 200 cabeças de boi para o resgate da cidade do Rio de Janeiro. Também fica acertada a compra de pólvora e outras mercadorias dos invasores franceses por comerciantes do Rio de Janeiro, antes de seu embarque e partida definitivos.
Data do documento: 10 de outubro de 1711
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 7

Conjunto documental: Generalidades - gabinete do ministro
Notação: IG¹ 606
Data-limite: 1809-1874
Título do fundo ou coleção: Série Guerra
Código de fundo: DA
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: aviso de d. Rodrigo de Sousa Coutinho, conde de Linhares, para João Batista de Azevedo Coutinho de Montaury relatando a preocupação do príncipe regente quanto aos ajustes para a libertação dos prisioneiros franceses que se encontravam na Ilha das Cobras e na Fortaleza de Santa Cruz. Pede que seja ajustado o dia da entrega dos prisioneiros ao comissário do navio francês Parlamentório da forma como fora acertado com o governo francês e o chefe de divisão Luiz de Abreu Vieira e Paiva.
Data do documento: 3 de julho de 1809
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): 103

Conjunto documental: Avisos e ofícios. Ministério da Fazenda.
Notação: IJJ1 740
Data-limite: 1817-1932
Título do fundo ou coleção: Série Interior
Código do fundo: A6
Argumento de pesquisa: estrangeiros, franceses
Ementa: carta de João Paulo Bezerra a Tomás Antônio de Vila Nova Portugal lhe avisando que enviou o requerimento do francês João Deupoui, no qual este pede que lhe concedam livres direitos alfandegários para alguns artigos e também avisa que obteve o privilégio, junto a Real Junta de Comércio, para construir novos alambiques no reino. João Paulo Bezerra lembra que tal privilégio pode comprometer o Brasil com a Inglaterra devido ao tratado de 19 de setembro de 1810 e pede explicações a Tomás Antônio sobre o porquê dessas concessões.
Data do documento: 5 de julho de 1817
Local: -
Folha(s): -

BICALHO, Maria Fernanda. A cidade e o império: o Rio de Janeiro no século XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

FRANÇA, Jean Marcel C. Visões do Rio de Janeiro colonial. Antologia de textos, 1531-1800. 2 ed. Rio de Janeiro: José Olympio/UERJ, 2000.

FRANÇA, Jean Marcel C; RAMINELLI, Ronald. Andanças pelo Brasil colonial. Catálogo comentado, 1503-1808. São Paulo: Unesp, 2009.

MARIZ, Vadco (org.). Brasil-França: relações históricas no período colonial. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2006.