Avaliação que José Antônio de Jesus e Araújo e Simplício da Silva Nepomuceno, comerciantes do varejo e matriculados na Junta do Comércio na Corte, realizaram na loja de Antônio Martins da Fonseca Castelões em que tinha como sócio, Bernardo José de Azevedo
Conjunto documental: Antônio Martins da Fonseca Castelões
Notação: BR RJANRIO ZN_9208caixa 892, proc.9208
Datas limite: 1811-1831
Título do fundo: Juízo de Órfãos e Ausentes
Código de fundo: ZN
Data: 8 de julho de 1817
Local: Rio de janeiro
Fls.: 235-243v
Leia esse documento na íntegra
Fl. 235
Rio de Janeiro [1] 8 de julho de 1817
Avaliação das fazendas excedentes na loja [2] do falecido Antonio Martins da Fonseca Castelões na qual era sócio Bernardo José de Azevedo, as quais foram avaliadas por José Antônio de Jesus, e Simplicio da Silva Nepomuceno nomeado para o referido fim
Panos
17,5// Côvados [3] de pano alvadio fino................3000// 52#500//
35// Côvados de dito preto, azul, preto e cores........dito 105#000
43,5 Côvados [supracitados] em retalhos.................dito 130#500
(...)
Casimiras
24// Côvados de casimira azul, preta, cor e cordão....//800//192#000//
23// Côvados de dito azul.............................dito 18#400//
15// Côvados de dito de cor...........................600// 9#300//
(...)
Fl. 235v
Durantes [4]
124// Côvados de durante, com lustro e sem lustro traçados 80// 9#920//
Baetão [5] e Baeta
17,5// Côvados de baetão verde ordinário....#450// 7#875//
11// Côvados de dito em retalho, ordinário 400// 4#400//
35// Côvados de baeta rosa..................dito 14#000
(...)
Veludo
17// Côvados de veludo preto, e azul...............2000// 34#000//
8,5 Côvados de dito mais ordinário...............1800// 15#500//
67;3/4 Côvados de veludilho preto, e de cor......Dito 121#900//
(...)
Fl.236
Sarjas
38// Côvados de sarja preta.......................1000// 38#500//
35,5 Côvados de dito mais estreita................850// 30#175//
23// Côvados de dito ordinária e mofada...........500// 11#500//
(...)
Cetim
10 Peça de cetim rosa de 24.......................26#000
11% Côvados de dito............800// 3#600//
20 peças de dito branco e pérola..............20000 40#0000
(...)
Fl. 236v
Tafetá
73% Côvados de Tafetá rosa, e preto ordinário....400// 24#600//
17% Côvados de dito branco..............360// 6#120//
20//Côvados de dito cor de cana...........400 8#000
1// Peça de touquinha escarlate.............. 24#000
25 Côvados de dito e preta.................1000// 25#000
6// Côvados de escumilha preta...800// 4#800//
(...)
Fl. 238
Belbutinas [6]
10,5// Côvados de belbutina preta....................400// 4#200//
63//Côvados de dito azul e preta..................300//18#9000
(...)
Fustão
23 Côvados de fustão acolchoado juntado............400// 9#200
38,5 Côvados de dito branco........................Dito 15#600
17,5 Côvados de dito pintado ordinário.........320 54#880
(...)
Gangas
11 peças de ganga azul........................1800 19#800
22 peças de ditas amarelas largas............1200 26#400
5 peças de ditas estreitas...................700 3#500
394 Côvados, de ganga riscada.................120 47#280
(...)
Riscados
26 peças de riscado tecido de 12 [ + ]............3000 78#000
167 Côvados de dito.................................160 26#720
128 Varas de dito para colchão......................360 46#080
(...)
Fl.239
Chitas [7]
862 Côvados de chita fina............................270 232#740
368 Côvados de dito mais ordinária...................200 73#600
(...)
5 cortes de saia de barra ordinárias.................1000 5#000
(...)
Holanda
8 peças de Holanda...................................6000 48#000
19 Côvados de dito....................................125 2#375
85 Côvados de dito grossa e de cor....................100 8#500
(...)
12 peças de zuarte azul...............................4000 48#000
3 cortes de dito..............................................750 2#250//
Paninhos [8]
14 peças de paninhos finos..............................5600// 78#400
25 varas de dito em retalhos.............................520// 13#000
04 varas de dito ordinário...............................240// #960
90 varas de dito de Irlanda estreita...................200 1#800//
(...)
Fl. 239v
Cassas [9]
2// peças de cassa bordada de prata já mariada// 5600// 11#200
10// Varas de dita para lenço, estreita....................400// 4#000
2// peças de dito aberta e bordada.........................4000// 8#000
(...)
Linhagens
45// Varas de linhagem ou brim ordinário....................250// 11#250
64// Varas de aniagem de França..............................dito// 16#000
Irlanda e Ruão [10]
330// Peças de Irlanda de linho em 26 peças ordinária........400// 132#000
12// Varas de dito de algodão [11]................................200// 2#400//
11 peças de Ruão infestado de 12.............................2400// 26#400//
Fl. 240
Cambraias [12]
2// peças de cambraia de linho................................18000// 36#000
5// varas de dito..............................................3000// 15#000
12// varas de dito de algodão ordinária.........................400// 4#800
(...)
[1] Rio de Janeiro. A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada tendo como marco de referência uma invasão francesa. Em 1555, a expedição do militar Nicolau Durand de Villegaignon conquista o local onde seria a cidade e cria a França Antártica. Os franceses, aliados aos índios tamoios confederados com outras tribos, foram expulsos em 1567 por Mem de Sá, cujas tropas foram comandadas por seu sobrinho Estácio de Sá, com o apoio dos índios termiminós, liderados por Arariboia. Foi Estácio que estabeleceu “oficialmente” a cidade e iniciou, de fato, a colonização portuguesa na região. O primeiro núcleo de ocupação foi o morro do Castelo, onde foram erguidos o Forte de São Sebastião, a Casa da Câmara e do governador, a cadeia, a primeira matriz e o colégio jesuíta. Ainda no século XVI, o povoamento se intensifica e, no governo de Salvador Correia de Sá, verifica-se um aumento da população no núcleo urbano, das lavouras de cana e dos engenhos de açúcar no entorno. No século seguinte, o açúcar se expande pelas baixadas que cercam a cidade, que cresce aos pés dos morros, ainda limitada por brejos e charcos. O comércio começa a crescer, sobretudo o de escravos africanos, nos trapiches instalados nos portos. O ouro que se descobre nas Minas Gerais do século XVIII representa um grande impulso ao crescimento da cidade. Seu porto ganha em volume de negócios e torna-se uma das principais entradas para o tráfico atlântico de escravos e o grande elo entre Portugal e o sertão, transportando gêneros e pessoas para as minas e ouro para a metrópole. É também neste século, que a cidade vive duas invasões de franceses, entre elas a do célebre Duguay Trouin, que arrasa a cidade e os moradores. Desde sua fundação, esta cidade e a capitania como um todo desempenharam papel central na defesa de toda a região sul da América portuguesa, fato demonstrado pela designação do governador do Rio de Janeiro Salvador de Sá como capitão-general das capitanias do Sul (mais vulneráveis por sua proximidade com as colônias espanholas), e pela transferência da sede do vice-reinado, em Salvador até 1763, para o Rio de Janeiro quando a parte sul da colônia tornou-se centro de produção aurífera e, portanto, dos interesses metropolitanos. Ao longo do setecentos, começam os trabalhos de melhoria urbana, principalmente no aumento da captação de água nos rios e construção de fontes e chafarizes para abastecimento da população. Um dos governos mais significativos deste século foi o de Gomes Freire de Andrada, que edificou conventos, chafarizes, e reformou o aqueduto da Carioca, entre outras obras importantes. Com a transferência da capital, a cidade cresce, se fortifica, abre ruas e tenta mudar de costumes. Um dos responsáveis por essas mudanças foi o marquês do Lavradio, cujo governo deu grande impulso às melhorias urbanas, voltando suas atenções para posturas de aumento da higiene e da salubridade, aterrando pântanos, calçando ruas, construindo matadouros, iluminando praças e logradouros, construindo o aqueduto com vistas a resolver o problema do abastecimento de água na cidade. Lavradio, cuja administração se dá no bojo do reformismo ilustrado português (assim como de seu sucessor Luís de Vasconcelos e Souza), ainda criou a Academia Científica do Rio de Janeiro. Foi também ele quem erigiu o mercado do Valongo e transferiu para lá o comércio de escravos africanos que se dava nas ruas da cidade. Importantíssimo negócio foi o tráfico de escravos trazidos em navios negreiros e vendidos aos fazendeiros e comerciantes, tornando-se um dos principais portos negreiros e de comércio do país. O comércio marítimo entre o Rio de Janeiro, Lisboa e os portos africanos de Guiné, Angola e Moçambique constituía a principal fonte de lucro da capitania. A cidade deu um novo salto de evolução urbana com a instalação, em 1808, da sede do Império português. A partir de então, o Rio de Janeiro passa por um processo de modernização, pautado por critérios urbanísticos europeus que incluíam novas posturas urbanas, alterações nos padrões de sociabilidade, seguindo o que se concebia como um esforço de civilização. Assume definitivamente o papel de cabeça do Império, posição que sustentou para além do retorno da Corte, como capital do Império do Brasil, já independente.
[2] Loja O florescimento do comércio de tecidos, roupas, acessórios femininos e masculinos no Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XIX se dá sob a influência da moda, dos hábitos de consumo, e da sociabilidade que a chegada da Corte iria impor à nova capital do Império. Uma outra demografia e ocupação urbanas, posturas municipais disciplinadoras e mesmo a proibição de determinadas vestimentas femininas [ver: Lei de 11 de agosto de 1649] concorreram para as mudanças tradicionalmente assinaladas. A adoção de trajes e outros itens da moda de origem sobretudo francesa pela sociedade local, marcava a tentativa de civilização dos costumes e de aproximação com a aristocracia portuguesa. O processo de "europeização dos corpos", como definiu Maria do Carmo Teixeira Rainho (A cidade e a moda: novas pretensões, novas distinções - Rio de Janeiro, Século XIX. Ed. UnB, 2002), encontrava no varejo, em lojas artesanais, os tecidos importados, e por vezes roupas prontas, que projetavam a aparência desejada e externavam o abismo social entre as camadas da população. A expansão do varejo seria incentivada pela administração joanina, que em 27 de março de 1810, publica o alvará que "permite que se possam vender pelas ruas e casas todas as mercadorias de que se tenham pago os competentes direitos". Essa medida visava ampliar o volume de tributos pagos à Coroa, reconhecendo a atividade ambulante que efetivamente se praticava, "mostrando a experiência que foi sempre impraticável a exata observância daquela pragmática suntuária". Despertou, contudo, a insatisfação dos proprietários de lojas no Brasil e também em Portugal, por reverter as garantias implícitas no "Estatuto dos Mercadores a Retalho exatamente com o argumento de que o comércio ambulante seria prejudicial à riqueza da nação e aos bons costumes ao definirem lugares de respeitabilidade para serem frequentados (todas as lojas deveriam funcionar junto às calçadas e jamais em sobrados) e ao obrigarem os mercadores e seus caixeiros a frequentarem as aulas de comércio para o ensinamento básico das atividades mercantis" (CHAVES, Claudia Maria das Graças. O outro lado do Império. TOPOI, v. 7, n. 12, jan.-jun. 2006, pp. 154. Disponível em https://www.scielo.br/j/topoi/a/RyZbL64cfy3FsTBCGcd43NS/abstract/?lang=pt ). Do ponto de vista do consumo de artigos de luxo ou mais refinados principalmente no Rio de Janeiro, deve-se considerar que nos séculos precedentes chegavam à América portuguesa tecidos indianos, bem como porcelana e chá chineses, concedendo feições orientais à reduzida elite colonial. Além disso, desde o final do setecentos já podiam ser adquiridas mercadorias britânicas, lembrando que tratados anglo-lusitanos do século XVII haviam assegurado direitos à utilização dos portos brasileiros do Rio de Janeiro, Salvador e Recife, como assinala Luciana Martins, acrescentando que a abertura dos portos de Goa, Diu e Damão (na atual Índia) ao comércio europeu permitiu o transporte de produtos da Ásia em naus portuguesas da Índia para Lisboa, suprindo com tecidos e especiarias os mercados da América e da África portuguesas e da Europa. "As próprias mercadorias britânicas circulavam nos mercados do Rio no final do século XVIII, como Staunton (1797, p. 157) registrou: 'as lojas do Rio estavam repletas de manufaturados de Manchester e de outros produtos britânicos, inclusive de gravuras inglesas, tanto sérias como caricaturas'”, destaca Martins. (Paradoxos da modernidade: o Rio de Janeiro do período joanino, 1808-1821. In: Fernandes, E. and Abreu, M.A. (eds.) Brasil Urbano. Rio de Janeiro, Brasil: Mauad). Diante desse quadro, no qual experientes comerciantes que atuaram em outras partes do Império foram, a partir de 1808, os mesmos negociantes que operavam na praça do Rio, tais estabelecimentos inserem-se na paisagem econômica e urbana da capital, catalisando as tendências da moda e do vestuário que nas primeiras décadas do século se davam, essencialmente, pela aquisição de fazendas como cassa, cambraia, belbutes ou chitas, nas quais predominava o algodão, atendendo ao crescente prestígio desse material entre o público europeu.
[3] Côvado. padrão de medida linear, originário da Antiguidade, correspondente à distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio de uma pessoa. É subdividido em 28 dígitos, definidos pela largura do dedo e foi empregado por muito tempo em diferentes sociedades, na construção civil, na indústria têxtil, no comércio e agricultura. A unidade de medida variava entre as regiões e conforme seu objetivo: em Portugal havia o Côvado do rei, para as construções reais, o Côvado do comum para as construções populares e havia côvados específicos nas manufaturas têxteis ou para medição de terras, com suas extensões próprias. Embora ainda possa ser uma referência informal em alguns países, devido a sua popularidade, não é uma unidade de medida padronizada e aceita.
[4] Durante. Tecido de lã “lustroso como o cetim”, a denominação se deve a sua durabilidade (cf. BERNARDO, Jozimar Luciovanio. Vocabulario têxtil na língua portuguesa no Brasil Colônia: tessituras histórico-linguísticas. Araraquara, 2020. Tese (doutorado), Unesp. Disponível em: https://agendapos.fclar.unesp.br/agenda-pos/linguistica_lingua_portuguesa/5324.pdf ). No Brasil sua presença se deve à importação de tecidos de Portugal e da Grã-Bretanha. A inexistência de fábricas têxteis no período colonial, proibidas pelo Alvará de 1785, levou à importação de quase todas as fazendas, relacionadas na correspondência do ministro da Marinha e Domínios Ultramarinos, Martinho de Mello e Castro ao vice-rei no Estado do Brasil entre elas, o durante, citado entre aqueles tecidos de lã vedados às manufaturas coloniais.
[5] Baetão. Tecido de lã ou algodão, grosseiro, de várias espessuras. Era muito utilizado nas vestimentas das escravas, principalmente o baetão preto, para a confecção de saias. Também era empregado na fabricação de colchas, cobertores, cobertas e outras peças do vestuário, como capas e casacos.
[6] Belbutes, chitas, bombazinas, fustões. Os tecidos eram artigos muito valorizados no período colonial, já que eram importados via Portugal e comercializados a preços altos por mercadores que os traziam de navio ao Brasil, o que atribuía um elemento a mais às roupas que são representações de costumes, tradição e condição social. Cada grupo usava as roupas que lhe eram próprias e os códigos do vestuário incumbiam de conferir aos grupos seus privilégios ou deveres. A bombazina era um tecido de veludo de seda ou algodão com sulcos muito profundos na camada de uso no sentido da teia e apresentava muita resistência ao uso, servindo para vestuário de homem, senhora ou decoração. Belbute, ou belbutine, era uma espécie de tecido de algodão aveludado, usado em vestidos, camisas, forros de coletes ou roupas de baixo, algumas vezes como ornamento, outras como tecido para uma roupa completa. O fustão consiste num pano que tem o avesso liso e o lado direito em relevo, formando desenhos. A chita, originária da Índia e importada pela Companhia da Índias Orientais, junto as especiarias, como cravo, canela e pimenta, foi bastante apreciada por conta da qualidade da fixação da estampa no tecido.
[7] Chitas e algodão. Tecido de grande circulação e usos variados, tido contemporaneamente como representativo da cultura brasileira por suas estampas coloridas e tropicais, a chita é feita de algodão rústico, acabamento engomado e tramas simples. Originaria da Índia, de onde provém o nome chitra, que significa “matizado” em sânscrito, a chita teria chegado a Europa a partir da expedição de Vasco da Gama e foi utilizada na confecção de roupas para os escravos e na produção de saias para as mulheres brancas no uso privado. A manufatura e exportação da chita e do algodão devem também ser compreendidas na perspectiva do exclusivo colonial e do comércio entre a praça do Rio de Janeiro e o reino, uma vez que é a partir da metrópole que se dá a sua distribuição na Europa. Como indica o historiador João Fragoso, em um quadro no qual a América portuguesa era o principal comprador dos produtos do reino, em 1815, mais da metade da produção de chita e saias era comprada fora de Portugal. Obtido a partir do filamento sedoso que envolve as sementes do algodoeiro, o algodão está na base da fabricação de diversos tipos de tecidos, tanto de alta, quanto de baixa qualidade. Tecidos grosseiros de algodão foram empregados para ensacar gêneros agrícolas ou para o vestuário dos escravos, respeitando o Alvará de 5 de janeiro de 1785, de d. Maria I, que liberou essa produção e, em contrapartida, proibiu as manufaturas de tecidos finos no Brasil, incluída aí a chita. Chita e algodão participam ainda do processo de trocas que se faz do Brasil para a costa africana e que envolve o comércio atlântico de escravos. Ainda na perspectiva do ultramar e de sua participação no motor da economia portuguesa, os panos de algodão, provenientes da Índia, foram matéria prima para a primeira fase da revolução industrial, no final do século XVIII. (FRAGOSO, João. Mercados e negociantes imperiais: um ensaio sobre a economia do império português (séculos XVII e XIX). História: Questões & Debates, Curitiba, n. 36, p. 99-127, 2002). [Ver também BELBUTES, CHITAS, BOMBAZINAS, FUSTÕES]
[8] Paninho. Pano fino de algodão utilizado na fabricação de lençóis, fronhas e vestimentas masculinas e femininas.
[9] Cassa. Fazenda fina e transparente, geralmente de linho ou algodão, utilizada para confecção de fronhas, lençóis, toalhas, guardanapos, toalhas de mão, véstias, vestidos e saias, para uso das senhoras brancas no interior das casas e das escravas quando transitavam nas ruas.
[10] Ruão. Pano de linho tosado e por vezes, tingido, que servia para forrar vestidos. O nome do tecido se deve a sua proveniência, da cidade francesa de Rouen.
[11] Algodão. Diversas espécies nativas de algodão podiam ser encontradas no Brasil desde os primeiros anos de colonização. A chegada das primeiras técnicas de fiação e tecelagem com a fibra algodoeira, no entanto, datam do século XVII, quando as roupas de algodão passaram a ser utilizadas para a vestimenta dos escravos nos meses mais quentes. A partir da segunda metade do século XVIII, a crescente demanda pelo consumo de algodão pelo Império britânico forçou a expansão do cultivo e a fabricação de fios no Brasil. Esse processo provocou uma segunda onda de interiorização da produção mercantil para exportação, isso porque o plantio do algodão é mais propício em clima seco, com chuvas regulares, ou seja, em áreas afastadas do litoral. Foi no Maranhão, através dos incentivos criados pela Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, que a produção algodoeira obteve crescimento mais intenso e longevo, perdurando até meados do século XIX. No Estado do Grão-Pará e Maranhão, serviu ainda ao pagamento dos funcionários régios e às transações comerciais (na forma de novelos ou de peças de pano) até 1749, quando foi introduzida a moeda metálica naquela região. No Oitocentos, apesar da onda de produção crescente, o baixo preço e a qualidade superior do algodão norte-americano terminaram por suplantar o produto brasileiro nos mercados internacionais.
[12] Cambraia. O nome desse tecido fino, brilhoso e transparente, deriva da cidade de Cambrai na França onde começou a ser fabricado a partir do século XIII. Originalmente feita em linho, depois em algodão, a cambraia foi utilizada em bordados de igreja, no enxoval doméstico e no vestuário feminino ou masculino como forros de bolsos, roupas íntimas, aventais, camisas e lenços.
