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A inconfidência mineira

Viviane Gouvea
Mestre em Ciência Política
Pesquisadora - Arquivo Nacional

O calendário brasileiro ganhou mais um feriado em 1890. O dia da morte de um dos envolvidos no movimento que passou para a história com o pejorativo nome de inconfidência mineira tornou-se uma data a ser celebrada: 21 de abril.

Foi durante o período republicano que se popularizou a imagem de Tiradentes como herói nacional, mártir da Independência. Da mesma forma, a revolta que não chegou a eclodir no final do século XVIII em Minas Gerais tornou-se epítome para movimentos de independência. Após décadas de obscuridade, luzes intensas foram lançadas sobre o movimento e suas personagens, que passaram por um processo de mitificação coerente com a nova ideia de Brasil trazida pela República.

Cento e vinte anos depois, o movimento povoa o imaginário dos brasileiros ainda com uma aura de nacionalismo primordial e heroico patriotismo, mas as tentativas de se compreender melhor as ideias e motivações envolvidas e separar fatos e mitos ganham espaço maior. Algumas questões recorrentes, complexas por sua própria natureza, permanecem em aberto, e talvez assim continuem por muito tempo. Os chamados inconfidentes constituíam um bloco ideológica e politicamente coeso? Qual foi o papel desempenhado pelo iluminismo francês no movimento? De que substratos sócio-econômicos provinham os revoltosos?

Apesar da destruição de boa parte do material pessoal dos inconfidentes, a documentação oficial diretamente relacionada com o evento encontra-se no Arquivo Nacional, concentrada nos fundos Inconfidência Mineira e Diversos Códices, neste último caso, especificamente nos nove volumes do códice 5, que contém os autos do processo. Além disso, a correspondência oficial pode ser encontrada nos fundos Secretaria de Estado do Brasil e Negócios de Portugal, material que contribui para um maior entendimento da organização da revolta, das ideias daqueles que a conceberam, e também do próprio funcionamento da justiça colonial.

As Minas Gerais no século XVIII
"Minas Gerais, no transcurso do século dezoito, foi palco de uma verdadeira epopeia, alimentada tanto pela cobiça e coragem dos participantes como pela riqueza em ouro ali encontrada." 1
Desde os anos dos grandes descobrimentos, Portugal sempre teve esperanças de encontrar ouro e prata em suas colônias, esperanças mantidas vivas em especial quando da descoberta de prata na atual Bolívia, então possessão espanhola. O sonho realiza-se na virada do século XVII para o XVIII, em uma região pouco conhecida do colonizador europeu, inóspita e de difícil acesso, recém desbravada por bandeirantes paulistas.

Como é comum ocorrer em áreas acometidas pela "febre do ouro", logo o fluxo migratório tornou-se intenso, apresentando uma diversidade característica. Indivíduos oriundos tanto da metrópole quanto de outras partes da colônia acorriam para a região das minas - onde atualmente se encontram as cidades de Mariana, Sabará, Ouro Preto, São João Del Rei. Chegavam por conta própria, trazendo consigo pouco mais que a roupa do corpo ou, em outros casos, cabedal a ser investido. Se inicialmente havia uma atmosfera geral aberta e até acolhedora, com o esfriar do primeiro entusiasmo e a organização e regulamentação mais firmes da atividade mineradora por parte da Coroa instalou-se uma franca animosidade entre os primeiros mineradores paulistas e os luso-baianos, chamados emboabas.

Muito se tem falado a respeito da sociedade mineradora, das suas diferenças em relação a sociedade colonial presente em outros núcleos, contrapondo-se em especial às áreas de monocultura extensiva. A emergência de uma teia de núcleos urbanos e as próprias exigências e peculiaridades da atividade mineradora originaram não apenas uma forma de sociabilidade diversa tanto das existentes nas grandes fazendas quanto das apresentadas nos núcleos urbanos relativamente mais sofisticados - Salvador e Rio de Janeiro -, como também contribuíram para um processo (ainda que incipiente, ainda que jamais muito intenso) de integração entre algumas regiões da colônia. Distante dos portos principais, localizada em área de difícil acesso e apresentando um crescimento populacional rápido que demandava maior fluxo de mercadorias tanto de Portugal como de outras partes da colônia, a região das minas tornou-se polo dinamizador de atividades de pecuária nos sertões do norte e também nas regiões mais ao sul. Por conta das dificuldades de transporte e acesso, algumas atividades complementares também se desenvolveram na região mineradora, indo da agricultura para abastecimento local ao artesanato e prestação de serviços.

Da avaliação de dados disponíveis, percebe-se também que a sociedade mineradora, embora escravista, possuía melhor distribuição de riquezas do que no resto da colônia e possibilidades maiores de ascensão social. Esta mobilidade alcançava até mesmo os escravos, já que a cessão de uma parte do ouro extraído era uma recompensa comum ao escravo, um incentivo para que ele se dedicasse mais intensamente a encontrar ouro.

Poucos anos depois do seu início, a atividade mineradora passou a se concentrar nas mãos daqueles que conseguiram acumular mais cabedal: a concessão de lavras pela Coroa relacionava-se diretamente com o número de escravos registrados pelo investidor, e a concessão de uma segunda data dependia da exploração da primeira. Logo a metrópole tratou de regulamentar a atividade e dela extrair o máximo que conseguisse: "conhecida a potencialidade da área, a Coroa tratou de montar a estrutura administrativa e o arcabouço legal com vistas a absorver parte do produto das minas. Implantou a máquina arrecadadora dos quintos; criou uma complexa organização burocrática na qual se confundiam funções executivas, legislativas e judiciárias, definiu regras para a concessão de datas minerais e impôs inúmeros impostos e taxas sobre mercadorias e escravos enviados às Gerais".2 Esta estrutura administrativa, coletora de impostos, mostrar-se-ia origem de aspirações, disputas e insubordinações que desaguariam em revoltas locais, em especial, e caracteristicamente, a conjuração de 1789.

Crise da atividade mineradora
Durante seis décadas a riqueza das Minas Gerais atravessou o oceano Atlântico em direção à Europa, às toneladas. A partir de 1760, contudo, os níveis da extração começaram a decair paulatinamente. Durante alguns anos, manteve-se a esperança de que o quadro fosse revertido, até porque muitos - fosse na metrópole, fosse na colônia - acreditavam que o declínio se devesse ao contrabando, desde sempre endêmico na região mineira.

No entanto, já por volta de 1770 percebia-se, na colônia, que a exploração do ouro havia alcançado um limite, imposto pela própria forma de mineração, tecnologias utilizadas na produção - inadequadas para alcançar veios subterrâneos - e pesquisa do campo. Mas durante muito tempo a cegueira e o preconceito dos homens de Estado portugueses em relação aos homens da terra fariam com que aqueles insistissem que apenas o contrabando era responsável pela queda na arrecadação.

A forma de cobrança de impostos alterara-se no decorrer do século XVIII. De início era uma forma de capitação, arrecadação por cabeça, ou seja, de acordo com o número de escravos. Também a forma de cobrança do quinto da produção não era ponto pacífico: cobrança por bateia, por arroba, calculada por média, a cada ano, sobre o ouro em pó, sobre ouro das fundições... Alguns levantes tiveram lugar ainda no início do século XVIII, resultado da indefinição da cobrança e principalmente da fragilidade da estrutura de arrecadação de impostos e administração. Em 1720, a capitania de São Paulo foi desmembrada, sendo criada a capitania das Minas Gerais, em consequência do levante de Felipe dos Santos, resultado de um conflito entre atores políticos em disputa de poder e riqueza em um cenário em que a soberania real e metropolitana não conseguia se impor de forma unitária.

Os levantes que tiveram por palco a região das minas no século XVIII, via de regra, possuíam um viés conservador, posto que a ideia de independência da metrópole e a constituição de um novo Estado não se encontravam na agenda. Normalmente surgiam como reações às mudanças no sistema de arrecadação de impostos. Tal sistema dependia enormemente de representantes reais que intermediavam a coleta de impostos e seu envio às autoridades metropolitanas.

A estrutura política e administrativa baseava-se no Regimento das Minas, que determinava a existência de uma Intendência das Minas em cada vila próxima à área de exploração de ouro. O intendente seria nomeado pelo rei e a ele estaria ligado diretamente. As novas descobertas deveriam ser comunicadas à Intendência, para que esta providenciasse a demarcação dos novos terrenos auríferos, distribuindo as datas entre os mineradores.

Desde a descoberta do ouro, e ao longo do século dezoito, a região das Gerais mostrou-se suscetível a levantes e revoltas: "se tomarmos a história das Minas desde seus primórdios, e ao longo de todo o século XVIII, veremos um histórico, não desprezível, de sedições e motins, com maior ou menor repercussão, nos quais os mineiros, ricos e pobres, procuravam impor certos limites às políticas administrativas metropolitanas, com especial ênfase no que respeita às novas políticas tributárias que não raro se propunham".3 Contudo, ao fim do século XVIII, alguns elementos novos iriam integrar o antigo cenário que fazia da região um caldeirão em constante ebulição.

Primeiro, o concreto declínio da produção aurífera e a diversificação econômica da região; segundo, a independência das colônias inglesas na América do Norte; terceiro, a disseminação de ideais iluministas, que acabavam por levantar questões ligadas ao Estado e à legitimidade dos governos e sua relação com os povos, questões que não se colocavam até então.
A combinação destes elementos novos em um cenário de recorrentes disputas de poder em meio a um universo que ainda não compreendia a distinção entre o público e o privado faria da Conjuração Mineira um marco entre os movimentos autonomistas, e referencial fundamental para a construção da imagem do Brasil como nação independente.

Os inconfidentes: algumas motivações
Uma das dificuldades de se compreender as intenções dos revoltosos e os ideais que mais os influenciaram deve-se à ausência de documentação que mostre o que aqueles homens pensavam e pretendiam. O movimento jamais eclodiu e, por isso, não há panfletos, livros, documentos escritos por eles com o objetivo de disseminar suas ideias e nortear suas ações. O que chegou até nós são processos, e também correspondência oficial entre representantes do poder contra o qual lutavam os inconfidentes, e é a partir desta documentação que podemos reconstituir os acontecimentos e delinear as intenções do movimento.

Um dos fatores críticos que permitiu a aglutinação de indivíduos diferentes em torno do projeto para um levante foi a crise pela qual passava a produção do ouro e, especificamente, a incapacidade de a metrópole perceber a concreta decadência desta produção, insistindo em cobrar impostos atrasados há anos. No entanto, a análise dos envolvidos na conspiração e a existência de um cenário internacional conturbado levam a crer em outros fatores a compor, juntamente com a questão fiscal, um quadro propício para um levante que ultrapassaria os limites do mero interesse econômico imediato de alguns magnatas endividados.

Após a década de 1760 percebe-se que a comarca de Rio das Mortes passa a apresentar um crescimento demográfico substancial, em oposição à comarca de Vila Rica, que começa a perder população. Isso se deve ao declínio da produção de ouro - estreitamente relacionada à Vila Rica - e a diversificação e florescimento da agricultura, pecuária e até mesmo, em certa medida, da nascente produção manufatureira em Rio das Mortes. Já em 1785, o ministro do Ultramar, Martinho de Melo e Castro - substituto de Pombal que tendia para a aplicação estrita do mercantilismo como forma de explorar as colônias com maior lucro possível -, mandava instruções a todos os governadores da América portuguesa no sentido de reprimir as "perniciosas transgressões"4 representadas pela instalação de manufaturas de tecido (dentre outras), sob pena de os colonos do Brasil perceberem que Portugal de fato não se fazia necessário a sua sobrevivência.

A participação significativa de fazendeiros de Rio das Mortes na planejada sublevação indica que o medo da derrama - embora esta fosse atingi-los também - não era o único motor da conspiração que, na verdade, possuía raízes mais complexas do que uma tradicional revolta contra impostos. A percepção da crise pela qual passava a região de Minas, e também as relações desta com a metrópole, variavam, de certo modo, de acordo com a inserção dos indivíduos na estrutura econômica e social. Assim, indivíduos estabelecidos em Rio das Mortes, cujas atividades não se relacionavam apenas com o ouro, enfrentavam não apenas a ameaça da cobrança de impostos atrasados, mas também mais uma tentativa da metrópole de impedir a diversificação de atividades que vinha caracterizando a região, abrindo-lhe espaço, inclusive, para uma autonomia maior em relação a Portugal. Segundo João Pinto Furtado, "podemos confirmar que o levante não se constituiria em simples reação à pobreza e à estagnação econômica que se sucederam à crise da mineração .... O movimento parece, antes, uma reação às virtuais ameaças mercantilistas à continuidade da expansão da riqueza e da diversificação, em especial na comarca de Rio das Mortes, que concentra 58% dos indiciados".5

Pode-se argumentar que apresentar uma quantificação dos indiciados no processo não sustenta, por si só, a tese de que a motivação real da inconfidência residia mais na expansão econômica ameaçada do que na questão da crise da mineração e na cobrança do imposto. Não há necessariamente uma correlação direta entre a quantidade de indivíduos e o seu peso no movimento. No entanto, este dado mostra-se fundamental para indicar o nível de complexidade da inconfidência, cujos participantes apresentavam perfis e interesses diferenciados, o que talvez explique em parte a falta de unidade do movimento, bem como a fragilidade dos seus projetos.

Dentre os revoltosos, contamos fazendeiros, profissionais liberais, soldados (em especial das tropas auxiliares, ou seja, localmente arregimentados e treinados), burocratas e mineradores. Percebe-se também uma certa sobreposição de atividades, e uma quase "divisão do trabalho" dentro da dinâmica do levante, de acordo com a ocupação do indivíduo. Os mais abastados contribuíam financeiramente e os que possuíam força pessoal e armamento também assim colaboravam; os militares, obviamente, com a organização da luta armada; intelectuais e clérigos forneciam a base teórica, o arcabouço jurídico; sem falar nos colaboradores de uma forma geral que contribuíam com sua disposição e capacidade de arregimentação.

A novidade da inconfidência mineira reside na forma com que tradicionais questões se articulavam com ideias novas, permitindo o surgimento de um horizonte possível que incluía nação e independência - mesmo que tais ideais não encontrassem respaldo em conceitos e projetos mais consistentes. O questionamento em relação às amarras impostas pelo pacto colonial, se anteriormente remetia de forma mais direta a disputas por poder dentro do próprio sistema de administração colonial, em fins do século XVIII já possuía também um referencial externo que permitia pensar, ainda que de forma incipiente, questões relativas a identidade e autonomia.

A independência das colônias inglesas da América do Norte representou um poderoso exemplo para os rebeldes de Minas. Menos pelo modelo adotado - uma república baseada na democracia representativa -, e mais por estabelecerem com firmeza o direito de existirem como entidade independente de uma nação europeia. O exemplo dos "ingleses americanos" acirrou ainda mais os ânimos daqueles que já liam alguns filósofos iluministas, em especial os franceses, a discutir conceitos como soberania, governo justo, despotismo, tirania. De fato, autores como Montesquieu e o abade Raynal, aparentemente os mais lidos pelos inconfidentes, exerceram influência no tocante a organização política imaginada no período posterior à emancipação. Quanto ao último, em especial, percebe-se o entusiasmo com que os mineiros acolheram sua defesa do direito de rebelião e à liberdade das nações americanas. Era um autor proibido em Portugal desde 1773, por seus ataques contra o colonialismo tradicional dos países ibéricos, mas chegou relativamente cedo ao Brasil, influenciando os inconfidentes mineiros em fins da década 1780, e posteriormente os baianos de 1798.

A inconfidência que não chegou a eclodir contava, portanto, com uma diversidade de interesses que iam além da decretação ou não da derrama. Afirma Maxwell, ainda em A devassa da devassa: "Subjacente ao confronto dos grupos de interesse, havia o antagonismo mais profundo entre uma sociedade que cada vez mais adquiria consciência de si e autoconfiança (em um ambiente econômico estimulador de auto-suficiência) e a metrópole interessada na conservação de mercados e no resguardo de um vital produtor de pedras preciosas, ouro e receitas". O que de forma alguma significa dizer que o movimento possuía contornos populares, ou que estava disseminado entre a população de um modo geral. De fato, seria altamente improvável que, caso tivesse ocorrido, a revolta tivesse incorporado às suas lideranças aqueles que trabalhavam nos campos e minas das Gerais, ou vagavam pelas ruas de Vila Rica. A adesão da população livre era antes uma questão de tática de guerra. Bom exemplo desse elitismo é dado pela posição dos sublevados em relação à escravidão, condenada inclusive por Raynal: à aparente exceção de Inácio de Alvarenga e Carlos Correia Toledo, todos os participantes do movimento defendiam a manutenção da escravidão, em maior ou menor medida. A despeito da ampliação de horizontes representada pelos planos dos inconfidentes, a revolta ainda se encontrava circunscrita aos homens de posse, posição ou cultura.

A revolta que nunca ocorreu
A chegada do visconde de Barbacena, em 1788, logo desfez as ilusões que porventura houvessem nascido da partida de Cunha Meneses, governador anterior que ganhou notoriedade por defender abertamente os interesses dos seus protegidos portugueses e por perseguir, ainda com mais desenvoltura, os que se colocavam no caminho.
Barbacena chegava com ordens expressas de fazer valer o alvará de 1785 (que limitava a produção nas colônias de bens para consumo interno), coibir os "abusos" e aplicar com rigidez os preceitos da política econômica neomercantilista adotada por Lisboa. Em termos específicos, isto significava encerrar determinados contratos e cobrar dos contratadores o que era devido, reorganizar a estrutura administrativa e, principalmente, cobrar impostos atrasados, enfatizando o alvará de 1750 que regulamentava a cobrança do quinto sobre o ouro produzido, cobrança esta que há muito se encontrava atrasada, o que permitia o lançamento da chamada derrama.

A infame derrama era um confisco generalizado que incidia sobre quem quer que tivesse posses que pudessem ser confiscadas. De acordo com as regras vigentes, o povo de Minas deveria pagar 100 arrobas anuais de ouro à Coroa (supostamente um cálculo médio), e caso tal meta não fosse atingida, o acúmulo se daria até que o pagamento fosse integralmente realizado. A quota deveria ser completada com todo o ouro encontrado nas fundições e se mesmo assim não se chegasse à quantidade devida, o povo deveria completar a diferença através da cobrança de um imposto per capita -  a maldita derrama.

Apesar da severidade das determinações recebidas, Barbacena havia sido instruído pela própria rainha a analisar primeiramente as condições reais da capitania e até que ponto ela poderia suportar as exigências colocadas. Barbacena cumpriu todas as ordens com firmeza: transmitiu as determinações de Lisboa, fez com que contratos fossem revistos, implementou as medidas que limitariam uma produção local que pudesse colocar Minas Gerais em posição autônoma e anunciou a derrama. Entretanto, e seguindo as instruções da rainha, passou a observar de perto as condições da capitania, e o que viu acabou por levá-lo a concluir, meses depois, aquilo que a ambição e o preconceito da metrópole mascaravam: a produção de ouro se encontrava de fato em franca decadência e impor a derrama seria jogar lenha em uma fogueira já acesa pela crise, pelas medidas que limitavam a diversificação da produção e pela influência de ideias e acontecimentos externos. O jovem governador percebeu que intensificar a opressão que se fazia presente sobre os povos de Minas poderia ter consequências desastrosas em uma região que jamais tendera para a paz e a obediência.

Barbacena não se enganava. Em 1788 muitos homens ilustres - pessoas que ocupavam cargos administrativos, inclusive - já se organizavam para um levante. Até hoje, dois séculos depois do ocorrido, os projetos e a organização concretos concebidos por tais homens permanecem obscuros. Sabe-se que algumas tarefas foram distribuídas: o cônego Luís Vieira e Cláudio Manoel da Costa, por exemplo, ocupar-se-iam do arcabouço jurídico do futuro Estado; Domingos de Abreu apoiaria com suporte material, armas e munição; Inácio de Alvarenga Peixoto, Oliveira Rolim e Carlos Correia Toledo responsabilizaram-se por articulações com forças de apoio de outras capitanias; José Álvares Maciel contribuiria na elaboração de leis e no planejamento estratégico; Joaquim da Silva Xavier - Tiradentes - era um formidável propagandista, além de, juntamente com Freire de Andrada, organizaria a ofensiva militar. Este grupo, acrescido de outros indivíduos, reuniu-se algumas vezes durante o ano de 1788 e seus planos ganharam mais firmeza à medida que se tornava plausível a implementação das ordens de Barbacena. De uma coisa os revoltosos estavam certos: seria necessário um evento de proporções catastróficas para mobilizar o grosso da população no levante que eles planejavam conduzir. Tal evento já tinha nome e data marcada para ocorrer: a derrama de fevereiro de 1789.

Qual seria de fato a pretensão dos inconfidentes? Até onde, geográfica e politicamente falando, iam seus planos? Qual era, concretamente, a extensão da revolta?
Como já comentado, o grupo de inconfidentes não possuía uma unidade ideológica sólida. Havia divergências significativas entre eles e a maioria não tinha muita clareza a respeito do que fazer caso o movimento fosse vitorioso. Diziam pretender uma "república". Mas tal afirmação, há dois séculos, não carregava o mesmo significado que carrega hoje em dia. Referências a governos republicanos podiam muito bem expressar o desejo de viver sob um governo justo, em que o povo sentisse que os seus direitos naturais eram respeitados, e que seu soberano fizesse o melhor pelo seu povo. No contexto das discussões em torno de formas de governo, modelos de Estado, origens da soberania e secularização dos negócios públicos, é plausível que os inconfidentes, referindo-se à república não estivessem falando de uma república nos moldes de Rousseau (aliás ausente das bibliotecas dos revoltosos) e muito menos na republica norte-americana, baseada na democracia representativa. Muito possivelmente aspiravam a um governo justo, em que a "flor da terra" assumisse o comando para melhor responder aos anseios do povo local. A existência de uma constituição escrita, a limitar certos poderes do monarca e tornar o poder municipal das câmaras maior também parece ter sido uma das suas preocupações centrais.

O mesmo pode-se dizer da extensão do separatismo dos inconfidentes. Os seus planos pareciam incluir outras capitanias, outras regiões: esperava-se - possivelmente de forma pouco realista - o apoio do Rio de Janeiro, São Paulo e, talvez, Bahia. É certo que havia um número de contatos estabelecidos com comerciantes do Rio de Janeiro, com algumas famílias influentes de São Paulo. Contudo, jamais surgiu uma prova concreta de que tais indivíduos estivessem de fato integrados à revolta que se planejava. Ao menos, não de forma substancial.
Pouco realista também parece ser a ideia de haver um seguro e maciço apoio externo à causa de Minas. As relatadas conversas com Thomas Jefferson, herói da independência norte-americana, e com outros liberais europeus muito provavelmente mostraram-se apenas e exatamente isso: conversas. Embora faça parte do mito criado em torno da inconfidência, não há evidências concretas de que a sua abrangência tenha ido muito além da própria região das minas.

O levante jamais ocorreu. E muito provavelmente, tal fato não se deve à denúncia realizada por Joaquim Silvério dos Reis em meados de março de 1789. Na verdade, a derrama anunciada para fevereiro não aconteceu, e no início de março do mesmo ano o governador anunciou às câmaras municipais que a cobrança fora suspensa.
Àquela altura, a sucessão de eventos se tornou um pouco obscura. O relato impreciso do governador de Minas Gerais acabou por gerar dúvidas e interpretações equivocadas. Tudo indica que Barbacena não suspendeu a derrama por causa da denúncia, já que esta só ocorreu em meados de março, quando já havia indícios concretos de que a cobrança não ocorreria. Na verdade, existem indícios concretos também de que os próprios inconfidentes, sabendo das intenções de Barbacena, se desmobilizaram no início de 1789, por perceberem que sem um estopim o movimento não teria forças para levantar a população de toda a região.

É provável, inclusive, que os denunciantes do movimento, o principal deles sendo Silvério dos Reis, tenham optado por trair seus companheiros em resultado dessa desmobilização. De fato, sem a decretação da derrama e consequente eclosão do movimento, contratadores como Silvério dos Reis ver-se-iam em maus lençóis, já que, com ou sem derrama, a sua dívida com a Coroa ainda seria cobrada, e sem a revolta perdia-se a perspectiva de não mais ter que prestar contas à metrópole.

Após a denúncia de Silvério dos Reis - que esperava receber, em troca, o perdão das suas vultosas dívidas - o governador passa a agir em segredo. Em vez de instaurar de imediato um processo contra os acusados de conspirar contra Portugal, inicia investigações por conta própria e utiliza a possível revolta como justificativa para a não-instauração da derrama. Esta inversão não foi a única manipulação de informação que Barbacena faria, pois o fato de ter adiado a derrama, e também a sua ação reticente no início de todo o processo eram atitudes que demandavam uma justificativa convincente. Em carta escrita ao vice-rei no final de março de 1789, Barbacena afirmava encontrar-se em posição delicada, sem tropas suficientes para conter um possível movimento e receoso de que qualquer movimento imprudente pudesse desencadear o motim. O governador de Minas aconselhava discrição, que não se fizesse grande estardalhaço em torno do ocorrido e que não pesasse sobre os acusados a suspeita de conspiração para levante, já que tal ato poderia acirrar os ânimos na capitania e colocar o povo contra o governo.

A reação do vice-rei d. Luis de Vasconcelos e Sousa veio apenas depois que o próprio Silvério dos Reis foi enviado ao Rio de Janeiro com a denúncia por escrito e recomendações de Barbacena, que era seu sobrinho. E sua reação não foi a esperada pelo governador de Minas: Silvério foi preso - por presumida participação no levante abortado - e uma devassa instaurada, exatamente o que Barbacena buscava evitar.

A partir daí os inconfidentes vão caindo um a um, inclusive os que integravam um círculo mais próximo ao de Barbacena, que passa a agir com rapidez suficiente para que sua integridade e competência não fossem colocadas em questão. O inquérito em Minas, contudo, ainda demorou quase um mês para ser instaurado, e os eventos ocorridos ainda em Vila Rica - sendo a misteriosa morte de Cláudio Manoel da Costa na prisão, pouco depois de interrogado, o mais notório deles - lançam mais dúvidas do que fornecem resposta para questões ainda pendentes a respeito da inconfidência.

Degredo, morte. E a criação de um mártir
Depois de inicialmente negar sequer a existência de uma conspiração - como de resto todos os inconfidentes fizeram - Tiradentes admite sua culpa e diz ser o único responsável. Juntamente com outros onze companheiros recebeu a sentença de morte. Contudo, somente Joaquim José da Silva Xavier não recebeu o indulto real que transformava a pena de morte em degredo. O motivo para tal permanece um mistério, embora se afirme que Tiradentes encontrava-se em posição socioeconômica mais frágil em relação aos outros inconfidentes, e esta seria a razão para que a culpa recaísse sobre ele. O que se pode afirmar com certeza é que o alferes tinha uma personalidade ousada, demasiadamente loquaz - não sem razão, o maior dos propagandistas do movimento, segundo seus próprios companheiros, chegando às raias da indiscrição - e de fato chamou para si a responsabilidade pelo movimento, enquanto se achava preso.

As sentenças finais foram emitidas já no início dos anos de 1790. Tiradentes morreu na forca, no Rio de Janeiro, em abril de 1792, e o seu nome, assim como todo o movimento do qual fez parte permaneceriam em um limbo por décadas. Entretanto, a partir da repressão aos revoltosos, iniciou-se, por parte de Portugal, um movimento no sentido de relaxar algumas das observâncias estritas, rígidas, contra as quais os próprios inconfidentes se colocavam. No fundo, foi uma resposta mesmo à crise estrutural por que passava o colonialismo de então, cuja razão de ser já se esgotava. Quando d. Rodrigo de Souza Coutinho, o conde de Linhares, foi nomeado ministro do Ultramar em 1796, a crise do sistema colonial e a influência de ideias iluministas sobre estes encontravam-se no centro das preocupações de d. João, já então à frente do governo: entre 1786 e 1794, Goa (Índia), Minas Gerais e Rio de Janeiro testemunharam levantes desse tipo. A renovação do gabinete realizada pelo príncipe regente é consequencia dessa cadeia de eventos.

Não é a toa que uma das primeiras medidas de d. Rodrigo foi realizar um levantamento minucioso sobre a colônia portuguesa na América, o que possibilitou que elaborasse um projeto para tornar mais rentável a exploração, sem que os colonos fossem por demais oprimidos pela cobrança de taxas pouco razoáveis que potencializavam o risco de levantes. Dom Rodrigo incentivou a agricultura, transferiu a Casa da Moeda do Rio de Janeiro para Minas Gerais, propôs transformações na administração das minas e na política fiscal, em uma tentativa de introduzir métodos mais técnicos de exploração e administração das minas. Várias destas medidas faziam parte das aspirações dos revoltosos, não apenas de Minas em 1789, mas de outros levantes subsequentes na colônia chamada Brasil.

O fim do pacto colonial era apenas uma questão de tempo. Em 1882 os ativistas republicanos fundaram o Clube Tiradentes. Embora à época da Independência, em 1822, houvesse quem erguesse sua voz para reapresentar Silva Xavier e seus companheiros como precursores da nação brasileira, a partir da regência o movimento de Minas passa a ser visto por muitos historiadores com olhos ainda conservadores, e descrito como separatista, a ameaçar a unidade nacional. Apenas com o crescimento do movimento republicano a inconfidência se torna símbolo nacional, e seu único militante a morrer na forca, mártir da Independência.

A partir de então se observa a crescente mitificação - ou, mistificação? - de Tiradentes, da inconfidência, e até dos mineiros. A despeito das limitações inevitáveis, dados o tempo e o local em que o levante foi planejado, o pioneirismo dos rebeldes mineiros mostrou-se marco fundamental para a percepção da possibilidade mesma de uma existência que não dependesse intrinsecamente de uma nação europeia. Ao final, tornaram-se símbolo de ideais e de uma nação que não poderiam ter concebido, mas de todo modo, estabeleceram uma série de marcos muito afinados com o nascente Brasil republicano: um movimento contra a franca extorsão de riquezas por parte da Coroa; um herói em certa medida popular a assumir a culpa pela sedição, que viria a morrer na forca no mesmo dia do descobrimento do Brasil pelos portugueses; influência de ideias modernas em contraponto a um suposto obscurantismo que sustentava a monarquia portuguesa. Movimento elitista que jamais foi deflagrado, ideologicamente inconsistente e de alcance geográfico impreciso, passou a representar o ideal republicano de nação brasileira, e seu militante mais audaz, nosso mártir maior.

1 LUNA, Francisco Vidal. Minas Gerais: escravos e senhores - análise da estrutura populacional e econômica de alguns centros mineratórios (1718-1804). São Paulo: IPE/USP, 1981.
2 LUNA, Francisco Vidal. Economia e sociedade em Minas Gerais (período colonial). Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, n. 24, p 33-44, 1982.
3 FURTADO, João Pinto. O manto de Penélope - história, mito e memória da Inconfidência Mineira de 1788-1789. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
4 Citado por MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
5 FURTADO, João Pinto, op. cit.

Conjunto documental:  Inconfidência – Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: : códice 5 – volume 1

Data-limite: 1789-1789

Título do fundo: diversos códices SDH

Cód. do fundo:NP

Ementa: carta-denúncia de Joaquim Silvério dos Reis, coronel de cavalaria dos campos gerais, ao visconde de Barbacena, em que, por defender a sua lealdade à coroa e à rainha, relata como foi convidado a participar da sublevação. Soube depois que o desembargador Tomás Antonio Gonzaga era o primeiro cabeça da conjuração e que as leis para o novo regime da sublevação já tinham sido feitas. Ao tomarem o poder cortariam as cabeças das autoridades, começando pelo próprio governador, e que depois suspenderiam os impostos. O fato de ter dívidas com a coroa foi o que motivou o convite à entrada de Joaquim Silvério ao levante. O intento do movimento era ir até a capital, no Rio de Janeiro onde já haviam seguidores, e ele possuíam a idéia de cortar a cabeça do vice-rei também. Afirma que a sublevação só se daria quando da publicação da derrama. Finalizando, garante que continuaria a tentar obter mais informações e levá-las ao visconde. Assinado Joaquim Silvério dos Reis.

Data: 11 de abril de 1789

Local: Borda do Campo – Minas Gerais

Folha: 6/7

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 03.

Data limite: 1789-1790

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Ementa: carta de Basílio Britto em que consta o relato da investigação que o visconde de Barbacena ordenara que realizasse. Relata a denúncia de um estalajadeiro que afirma ter ouvido, dentro de sua propriedade, conversas de cunho subversivo, como exemplo: nas Minas a grande sublevação era iminente, a opressão da coroa tinha de ter fim, ou seja, a independência havia se tornado uma necessidade imediata. Pois tamanha era a riqueza pertencente aos brasileiros, arrebatada pelo rei português, que um soldado chega a afirmar: “se podiam calçar ruas de ouro com as mesmas”.

Data: 8 de maio de 1789

Local: Vila Rica – Minas Gerais

Folha(s): 10-13

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 01.

Data limite: 1789-1789

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: carta do visconde de Barbacena comunicando ordens ao tenente Francisco Antônio Rabelo, para a prisão de Domingos de Abreu Vieira. Também foi solicitada apreensão de documentos e bens pertencentes a Tomás Antônio Gonzaga, cuja casa abrigava reuniões dos inconfidentes.

Data: 21 de maio de 1789

Local: Cachoeira do Campo – Minas Gerais

Folha(s): 35

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 5

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: depoimento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, preso com um bacamarte e duas cartas, uma de Manuel José e outra do capitão Manuel Joaquim. Afirmava estar armado porque ouvira que o vice-rei o mandaria prender e também por não andar pelos matos sem proteção. Confirmou conhecer o ajudante de regimento de artilharia João José e o alferes do regimento da cavalaria auxiliar Jerônimo de Castro e Souza, e que com este havia conversado que o povo da cidade não estava satisfeito com a derrama. Também disse que queriam responsabilizar o vice-rei pela insatisfação da população, e que se ele não consultasse o povo, poderia ser atacado em seu palácio. Desejava apenas mostrar-lhe a conseqüência de não consultar o povo. Data: 26 de maio de 1789

Local: Fortaleza da Ilha das Cobras - Rio de Janeiro 

Folhas: 1-3

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 5

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: depoimento do alferes Joaquim José da Silva Xavier, sobre a conversa com o ajudante João José Nunes Carneiro, relatando que o povo de Minas queria se lançar contra a derrama, e de como era perigoso não se contentar o povo. E em conversa com o coronel Joaquim dos Reis, este dissera que o povo estava impaciente, principalmente os que deviam à fazenda real e os que estavam mais levantados eram o desembargador Thomas Antonio Gonzaga, o coronel Ignácio José de Alvarenga, o vigário de São José, “padre Carlos” e outros que não se lembrava. 

Data: 27 de maio de 1789

Local :  Fortaleza da Ilha das Cobras -  Rio de Janeiro

Folha(s): 6/ 7

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 5

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: Tiradentes declarou em seu depoimento que primeiro havia que se fazer o levante em Minas para depois procurarem o auxílio do Rio de Janeiro. Diise a um dos seus assistentes, também, como se daria o levante. E que quando foi preso indagou ao coronel Ignácio de Alvarenga, se era necessário haver um cabeça, e este lhe respondeu, que se não queria ter um cabeça naquela ação, mas sim serem todos cabeças e um corpo só. 

Data: 27 de maio de 1789

Local : Rio de Janeiro - Ilha das Cobras

Folha(s): 12

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 5

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: depoimento de Manoel José de Miranda, filho do sargento mor Manoel José dos Santos, preso por ordem do vice-rei. Alegou que não tinha amizade com o alferes Joaquim José da Silva Xavier e que seria a primeira vez que o mesmo teria procurado o capitão Manoel Joaquim Fortes. No encontro o alferes falou que o visconde de Barbacena envergonhava os povos e criticou também o governo, ainda dizendo que tinha medo de ser preso por falar a verdade.

Data: 29 de maio de 1789

Local: Rio de Janeiro

Folha(s): 37

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 01.

Data limite: 1789-1789

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: ofício do governador visconde de Barbacena endereçado ao corregedor da comarca, Pedro José de Araújo Saldanha, constando ordens para investigação da iminente sublevação tramada contra o governo da capitania de Minas Gerais. Por meio dele, recebe a incumbência de descobrir a identidade dos líderes e cúmplices do movimento, tendo a seu dispor, os serviços do doutor José Caetano César Manitti.

Data: 12 de junho de 1789

Local: Vila Rica – Minas Gerais

Folha(s): 04

 

Conjunto documental: Inconfidência – Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: códice 5 – volume 1

Data-limite: 1789-1789

Título do fundo: diversos códices SDH

Cód. do fundo: NP

Ementa: auto de corpo de delito formado pelas seis cartas de denúncia apresentadas ao visconde de Barbacena, governador e capitão general da capitania de Minas Gerais, entregues por: coronel Joaquim Silvério dos Reis, tenente-coronel Basílio de Brito Malheiros, mestre de campo Inácio Correia, tenete-coronel Francisco de Paula Freire de Andrada, coronel Francisco Antonio de Oliveira Lopes e o tenente-coronel Domingos de Abreu Vieira. As cartas denunciam os planos da sublevação a ser instaurada na capitania de Minas Gerais, seus cúmplices e auxiliares. Assinado por Caetano César Manitti.

Data: 14 de junho de 1789

Local: Vila Rica

Folha: 4-6

 

Conjunto documental: Inconfidência – Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: códice 5 – volume 1

Data-limite: 1789-1789

Título do fundo: diversos códices SDH

Cód. do fundo: NP

Ementa: abertura do auto de devassa por ordem do visconde de Barbacena, governador e capitão-general da capitania de Minas Gerais, juntando o auto de corpo de delito. O objetivo era o de ouvir testemunhas e os réus denunciados por incitarem o povo à sublevação, e conhecer os cúmplices que tiverem concorrido ou auxiliado no dito movimento, para todos responderem civil e criminalmente na forma da lei. Assinado por José Caetano César Manitti, bacharel ouvidor e corregedor da comarca de Sabará.

Data: 15 de junho de 1789

Local: Vila Rica

Folha: 2

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 01.

Data limite: 1789-1789

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: testemunho do tenente coronel Domingos de Abreu Vieira detido em cadeia pública. No seu relato, ele denuncia o plano de levante popular assim que a derrama fosse instituída. Acusa o alferes Joaquim José da Silva Xavier de ser o principal mentor; e Inácio José de Alvarenga de ser um dos exímios estrategistas. Também desvela as reuniões periódicas dos inconfidentes, onde eram discutidos os projetos de lei e instituições que fundamentariam a república. A transferência da capital para São João Del Rei e a construção da Casa da Moeda foram alguns dos projetos acordados. Domingos cita ainda, envolvidos e simpatizantes da inconfidência, entre eles: o padre José Antônio da Silva, o desembargador Tomás Antônio Gonzaga, Joaquim Antônio Gonzaga, Mathias Sanchez, José Antônio de Mello, Antônio José de Araújo e o alferes Antônio Gomes Meireles.

Data: 16 de junho de 1789

Local: Vila Rica - Minas Gerais

Folha(s): 47-51

 

Data: julho / 1787

Folha(s): 45-46

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 01.

Data limite: 1789-1789

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Ementa: testemunho do capitão Vicente Vieira da Motta, em que acusa o alferes Joaquim José da Silva Xavier de inflamar a cidade com ideais republicanos. Pelas praças, becos, tabernas e casas, Xavier falava da prosperidade e do poder da capitania de Minas Gerais, que deveria ser livre, assim como a América inglesa. Além da autonomia política, o alferes também vislumbrava o progresso econômico local, por meio do incentivo à criação de fábricas. Sintetiza suas ambições na seguinte frase: “as Minas Gerais podiam ser uma república”. Em seu relato, Vicente apresenta ainda a indignação de Xavier ante o depoimento do amigo, o cônego Luis Vieira, no qual este se mostra fiel ao governo português, alegando que por meio do envio de um rei para o Brasil, se constituiria um império de excelência. Em julgamento, o cônego proferiu a seguinte frase: “... o melhor de tudo seria mudar a rainha e sua corte para a América”.

Data: 22 de junho de 1789

Local: Vila Rica – Minas Gerais

Folha(s): 58-62

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 02.

Data limite: 1789-1791

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: interrogatório de Francisco Antônio de Oliveira Lopes; primo de Domingos Vidal Barbosa. O interrogado revela o encontro casual de Domingos com dois sargentos na França, que lhe confidenciaram terem a missão de solicitar ajuda ao embaixador da América inglesa na condução do levante que se passaria na capitania do Rio de Janeiro. Este escreve ao governo norte-americano, e demonstra interesse em cooperar, no entanto que remunerem seus militares com justos soldos, e que comprem o trigo e o bacalhau que seu país produz. O embaixador se comprometeu até mesmo a solicitar o apoio do rei da França se fosse necessário. Assegurou que não deveriam temer nem mesmo o papa. Os sargentos confessaram sua aflição quanto a uma possível intervenção da coroa espanhola, mas foram confortados e instruídos na forma como deveriam proceder: a primeira medida era assassinar o vice-rei e todos os coronéis que oferecessem resistência. A segunda, nomear um governante, que deveria ser homem que contasse com o respeito de todos e possuisse uma fala eloquente.

Data: 8 de julho de 1789

Local: Vila Rica – Minas Gerais

Folha(s): 42-44

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 8

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: correspondência do vice-rei d. Luiz de Vasconcellos e Souza com a corte de Lisboa, depois que o visconde de Barbacena o informa em relação à derrama. O visconde descreve a ação dos indivíduos que, aproveitando o desgosto da população, convocavam pessoas de comarcas diferentes, incitando o movimento na cidade do Rio de Janeiro, com a presença do alferes Joaquim José da Silva Xavier. O governador diz ter começado as averiguações, e após descobri-lo em uma casa o prende e este fica incomunicável na Ilha das Cobras, procedendo-se a devassa no segredo. Foi preso também o coronel de auxiliares Joaquim Silvério dos Reis, considerado um dos mais descontentes da capitania e devedor de grande soma à Fazenda Real do tempo em que foi contratado das entradas. Foram presos também Manoel José de Miranda e o capitão de cavalaria de São Paulo Manoel Joaquim de Sá Pinto do Rego Fortes, suspeitos das intenções e projetos do alferes. E após maiores diligências, prisões e acareações, fica considerado o cabeça Thomaz Antonio Gonzaga.

Data: 16 de julho de 1789

Local: Rio de Janeiro

Folha(s): 25/26

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 03.

Data limite: 1789-1790

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Ementa: carta de Domingos Vidal Barbosa em que confessa que, estando ele na casa de Francisco Antônio Lopes, participou de conversas de cunho subversivo. Temas como “liberdade econômica” foram discutidos pelos presentes: desembargador Tomas Antônio Gonzaga, o cônego Luiz Vieira, dentre outros. Segundo Gonzaga a independência do Brasil era também de interesse das nações estrangeiras, que teriam por conveniência comercializar diretamente com o mesmo. Concluíram que o momento oportuno para o levante, era quando o povo se encontrasse no auge de seu descontentamento, daí inconfidentes influentes na política incentivarem sigilosamente a instauração da derrama. Gonzaga argumenta que o Brasil dispunha dos recursos necessários para se manter autônomo, estabelecendo uma comparação com os norte-americanos que “não tendo outras minas que um pouco de peixe seco, algum trigo, e poucas fábricas tinham sustentado uma guerra tão grande”. Decidiram ainda favorecer no tocante ao comércio, às nações aliadas na guerra contra Portugal, e orquestraram o plano de execução do visconde de Barbacena, seguida pela instauração da República.

Data: 9 de julho de1789

Local: Vila Rica – Minas Gerais

Folha(s): 24-27

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 02.

Data limite: 1789-1791

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: o depoimento do padre José Inácio de Siqueira desvela encontros dos inconfidentes em que se discutiu a possibilidade de auxílio da armada francesa na condução do levante na cidade do Rio de Janeiro. Cogitava-se até mesmo a postura que assumiriam ante uma invasão liderada por Napoleão. Em companhia do coronel José Aires, o padre José Lopes indaga: “Ó meu compadre, se ao Rio de Janeiro viesse uma armada francesa, e esta fosse mais poderosa do que nós, em tal caso, que faria vossa mercê com seu regimento?”

Data: 6 de novembro de 1789

Local: Vila Rica – Minas Gerais

Folha(s): 211-212

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 01.

Data limite: 1789-1789

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Ementa: ofício do comandante da cavalaria da capitania de Minas Gerais, Pedro Afonso Galvão da Silva Martinho, endereçado ao vice-rei, no qual enumera as licenças conferidas ao alferes Joaquim José da Silva Xavier. As licenças correspondem ao espaço de tempo entre seu contato com as idéias produzidas na América do norte e na Europa, na capitania do Rio de Janeiro, e o planejamento de uma reação conjunta ao governo do visconde de Barbacena. No dia 10 de maio de 1789, Xavier é detido na ilha das cobras mediante ordens do vice-rei.

Data: 10 de novembro de 1789

Local: Vila Rica – Minas Gerais

Folha(s): 147

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 5

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: depoimento de Tiradentes assumindo que planejou o levante. Disse que havia sido preterido no exército, que era encaminhado para as diligências mais arriscadas; porém, para as promoções nomeavam outros. Afirmou também que a primeira pessoa com quem falou sobre o motim na cidade do Rio de Janeiro foi José Álvares Maciel, filho do capitão mor de Vila Rica, que aprovou a sublevação, e fora ele não falou com mais ninguém. José Álvares Maciel manifestava a idéia de que os nacionais podiam ter tudo se soubessem fabricar, influência adquirida com aprendizado em manufaturas e mineralogias obtido na Inglaterra. Tendo escutado que era estranho o Brasil não ter seguido o exemplo da América inglesa, José Álvares começou a pensar na independência e em como esta poderia ocorrer.

Data: 18 de janeiro de 1790

Local: Fortaleza da Ilha das Cobras – Rio de Janeiro

Folha(s): 10 - 11

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 8

Datas-Limite: 1789-1792

Ementa: ofício de Martinho de Mello e Castro ao vice rei sobre a demora nas diligências e falta de auxílio do visconde de Barbacena, em relação ao envio de uma lista dos presos com presunção ou provas contra cada um. Consta no documento ter sido o primeiro denunciante o coronel de auxiliares Joaquim Silvério dos Reis, que foi retirado da custódia a fim de que no futuro em casos semelhantes, outros presos não se recusassem a denunciar, temendo serem maltratados.

Data: 8 de janeiro de 1790

Local: Rio de Janeiro

Folha(s): 26-28

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 5

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: Tiradentes em seu depoimento defendeu uma bandeira para a república, que haveria de ter um triângulo significando as três pessoas da Santíssima Trindade. Relatou também que o coronel Ignácio José de Alvarenga discordava, achando que ela deveria ter um índio desatando as correntes. Tiradentes falava às pessoas sobre o motim, e conversou com o capitão Vicente Vieira da Mota, mas para tentar seduzir a João Rodrigues de Macedo, por ser ele bem quisto e devedor de uma grande soma de dinheiro à Fazenda Real, o que o poderia fazer servir no intento, mas o dito capitão não consentiu.  

Data: 18 de janeiro de 1790

Local: Ilha das Cobras - Rio de Janeiro

Folha(s): 13

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 01.

Data limite: 1789-1789

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Ementa: requerimento de José Caetano Cezar Manniti, em que solicita alguns documentos e informações referentes a um grande número de supostos envolvidos na inconfidência mineira. Trata-se de uma lista com mais de 50 nomes de indivíduos que direta ou indiretamente produziram fontes, que permitem reconstruir o plano de inconfidência, e são citados ao longo do auto da devassa.

Data: 29 de janeiro 1790

Local: Minas Gerais

Folha(s): 150-151

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 4

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: auto de perguntas feitas a Alberto da Silva de Oliveira Rollim, irmão do padre Luis da Silva de Oliveira Rollim, remetido ao juiz da comarca por Luiz de Vasconcellos e Souza, conde de Barbacena, para se juntar aos outros autos a serem processados em Vila Rica.

Data: 20 de março de 1790

Local: Vila Rica

Folha(s): 161

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 9

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: cópia de carta régia ao conselheiro Sebastião Xavier de Vasconcellos Coutinho determinando a sua ida e a de mais dois doutores que teriam por incumbência anunciar a sentença dos acusados pelo levante em Minas. Ordena também que a devassa e sentença dos réus eclasiásticos devem ser realizadas em separado.

Data: 17 de julho de 1790

Local: Lisboa

Folhas 2/5

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 8

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: carta do visconde de Barbacena ao conde de Resende informando sobre José de Sá Bittencourt, sobrinho de um capitão de ordenança da Vila de Colté chamado Cypriano Ferreira da Camara, e parente do capitão mor de Vila Rica, que se ausentou disfarçadamente no tempo da devassa e após a prisão de algumas pessoas. Após o auto de perguntas feitas em Vila Rica a Francisco Antonio de Oliveira Lopes e algumas confrontações e circunstâncias, suspeitou-se que ele fosse o doutor de Sabará.   

Data: 23 de setembro de 1790

Local: Vila Rica – Minas Gerais

Folha(s): 14

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 01.

Data limite: 1789-1789

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: declaração do visconde de Barbacena endereçada ao desembargador Pedro José da Silva Araújo, na qual faz notória a contribuição de Joaquim Silvério dos Reis para a instauração da devassa. O visconde revela que por meio do delator, tivera conhecimento pela primeira vez da trama inconfidente, no dia 15 de março de 1789. Joaquim Silvério confirmou sua denúncia perante o vice-rei.

Data: 25 de fevereiro de 1791

Local: Vila Rica – Minas Gerais

Folha(s): 176-178

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 5

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: depoimento de Tiradentes durante sua prisão na cidade do Rio de Janeiro. Defende a necessidade de se estabelecer uma República e que para tal haveria o levante.

Data: 14 de abril de 1791

Local: Rio de Janeiro - Ilha das Cobras

Folha(s): 18

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 5

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: depoimento de Tiradentes sobre encontro ocorrido na casa do tenente coronel Francisco de Paula, onde se falou sobre o levante e o papel de cada pessoa na ação, como o vigário de São José, o coronel Alvarenga e o padre José da Silva de Oliveira Rolim. 

Data: 22 de junho de 1791

Local: Fortaleza da Ilha das Cobras, Rio de Janeiro

Folha(s): 24

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 5

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: acareação feita entre Tiradentes e o tenente coronel Domingos de Abreu, em que o coronel afirmava ter presenciado o alferes e o padre José da Silva de Oliveira Rolim dizerem que chamaram ao motim os capitães da tropa paga da capitania de Minas, Maximiniano e Manoel da Silva Brandão. A acusação foi contestada pelo alferes.

Data: 4 de julho de 1791

Local: Cadeia da Relação - Rio de Janeiro

Folha(s): 27 e 28

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 5

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de Pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: Depoimento de Tiradentes informando às autoridades que não conhecia muita gente na cidade, apenas algumas pessoas devido a sua profissão e que para se referir ao levante começava falando das riquezas do país e de Minas, para sondar qual era a reação de cada um.

Data: 15 de julho de 1791

Local: Cadeia da Relação – Rio de Janeiro

Folha(s): 32

 

Conjunto documental:  Inconfidência – Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: : códice 5 – volume 9

Data-limite: 1790-1792

Título do fundo: diversos códices SDH

Cód. do fundo:NP

Ementas: sentença proferida em 18 de abril de 1792 contra os vinte e nove réus pronunciados no levante e conjuração. Os chefes, os cabeças e os cúmplices da rebelião incorreram no crime de lesa majestade da primeira cabeça, inclusive também os sabedores e constituintes dela pelo silêncio. Que o aviso aos conjurados para o dia da rebelião era “tal dia é o batizado!,” e Joaquim Silvério dos Reis delatou a todos e ao movimento, sendo seguido por Basílio de Brito Malheiros e Inácio Correa Pamplona. As penas e crimes foram diferentes para cada um dos vinte e nove conjurados. Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, crime de lesa majestade de primeira cabeça, condenado a forca, sua cabeça pendurada em um poste e seu corpo partido em quatro pedaços e separados em pontos diferentes da cidade de Vila Rica, sendo ainda sua casa destruída e salgada para que nada mais fosse construído. Os réus Francisco de Paula Freire de Andrade, José Abreu Maciel, Inácio José de Alvarenga, Domingos de Abreu Vieira, Francisco Antonio de Oliveira Lopes e Luiz Vaz de Toledo Piza, Salvador Carvalho do Amaral Gurgel, José de Resende Costa pai, José de Resende Costa Filho, Domingos Vidal Barbosa, condenados a forca e seus bens confiscados. Ao réu Cláudio Manoel da Costa, que se matou no cárcere, que se declare infame sua memória, de seus filhos e netos e seus bens confiscados. Os réus Thomas Antonio Gonzaga, Vicente Vieira da Mota, José Aires Gomes, João da Costa Rodrigues e Antonio de Oliveira Lopes, condenação de degredo por toda a vida para os presídios de Angola e a forca se voltarem ao Brasil, tendo a terça parte de seus bens confiscados. Com a rubrica do conde de Resende, vice-rei do Estado

Data: 18 de abril de 1792

Local: Rio de Janeiro

Folhas: 53/97

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código do Fundo: NP

Notação: códice 5 , vol. 8

Datas-Limite: 1789-1792

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: atestado em que o conde de Resende dom José de Castro confirma a prisão da maior parte dos envolvidos na revolta de Minas Gerais. Constata também que a vigilância e a cautela em relação aos réus era satisfatória, adequada ao risco que eles ofereciam.

Data: 25 de julho de 1792

Local: Rio de Janeiro

Folhas: 77

 

Conjunto documental: Inconfidência Mineira

Notação: caixa 2230

Data-limite: 1793 - 1805

Título do Título do fundo: Inconfidência Mineira

Código do fundo: 3A

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: ofício no qual Antônio da Silva propõe um libelo cível pela herança do doutor Ignácio José de Alvarenga para o pagamento das dívidas contraídas pelo mesmo. Dizia o autor que era amigo do réu e que pelo mesmo motivo se prestou a ajudar toda sua família, tendo emprestado enormes quantias em dinheiro para o doutor, abrigado seus amigos e até custeado o funeral da avó de sua esposa.  Finaliza o autor ressaltando que em virtude da repentina prisão do doutor Alvarenga, requere ele o pagamento das dívidas, sendo que metade deveria ser paga pelo confisco de seus bens, e a outra pela sua esposa.

Data:14 de maio de 1794             

Local: Vila Rica – Minas Gerais                 

Folha(s): 4 – 8

           

Conjunto documental:  Inconfidência Mineira

Notação: caixa 2230

Data-limite:1793 - 1805

Título do Título do fundo: Inconfidência Mineira

Código do fundo: 3A

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: ofício em que é registrado o protesto de João Roiz de Macedo em que diz ser Ignácio José de Alvarenga devedor de mil cruzados. O escrivão Manoel Thomé de Souza ressaltava que pela multidão de cobradores, os bens do inconfidente talvez não fossem suficientes para saldar todas as dívidas feitas e que solicitava o autor preferência quanto ao pagamento.

Data: 20 de setembro de 1794                 

Local: Vila Rica – Minas Gerais                 

Folha(s): -         

 

Conjunto documental: Inconfidência Mineira

Notação: caixa 2230

Data-limite: 1793 - 1805

Título do Título do fundo: Inconfidência Mineira

Código do fundo: 3A

Argumento de pesquisa : Inconfidência Mineira

Ementa: libelo cível em que José Antônio de Almeida protestava pelo pagamento dos serviços feitos a crédito ao doutor Ignácio Alvarenga. Diz o autor que construiu para o inconfidente “engenhos para moer a cana com todos os seus pertences, huma casa para engenho de farinha, outra casa com moinho, outra para tenda de terreiro,dois carros”,entre outros. Tendo arcado com todos os custos que a obra exigiu, usado seus próprios escravos e levado 3 anos para concluir todo o serviço, pedia o autor o pagamento pelo mesmo.

Data: 1795         

Local: Vila Rica – Minas Gerais                 

Folha(s):           

 

Conjunto documental: Inconfidência Mineira

Notação: caixa 2230

Data-limite: 1793 - 1805

Título do Título do fundo: Inconfidência Mineira

Código do fundo: 3A

Argumento de pesquisa : Inconfidência Mineira

Ementa : ofício assinado pelo escrivão da Real Fazenda, José Dias Monteiro de Ramos, em que atesta que no dito cartório encontra-se  a sentença do réu Ignácio José de Alvarenga Peixoto, condenado ao degredo perpétuo na prisão de Ambaca na Angola com a penhora de seus bens para o pagamento de suas dívidas.

Data: 2 de setembro de 1805                  

Local: Vila Rica – Minas Gerais                 

Folha(s): 10       

 

Conjunto documental: Ministério dos Estrangeiros e da Guerra. Conselho Supremo Militar

Notação: 4H - 74

Data-limite: 1792 - 1848

Título do Título do fundo: Diversos GIFI

Código do fundo: OI

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: requerimento em que José Esteves de Lorena primeiramente relata sua carreira no Real Serviço Militar no período de 1771 até 1794. Iniciou-se no 1º Regimento de Infantaria, passou pelo Esquadrão de Cavalaria e posteriormente foi destacado para o Rio Grande do Sul com seu Comandante Camillo Maria Tornellet. Diz ter saído em “diligência de fazer conduzir os prezos da conjuração de Minas Gerais” e logo após ter voltado à província em 1792 para “conduzir a cabeça e quartos do justiçado da mesma conjuração”. Em 1793 recolheu-se José Esteves em Campos dos Goytacazes por conta de uma moléstia. Devido a situação de seus filhos e mulher, pedia o requerente um prêmio por seus bons serviços prestados. 

Data: 16 de janeiro de 1809        

Local: s.l                      

Folha(s): -         

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 02.

Data limite: 1789-1791

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Ementa: inquirição por meio da qual sabemos que o depoente Domingos Vidal Barbosa, durante sua viagem à França, teve contato com José Joaquim de Maia, que era estudante da academia francesa, oriundo da cidade do Rio de Janeiro. De berço humilde, Maia viu na oportunidade de representar sua pátria uma possibilidade de ascensão. Redigiu então uma carta ao embaixador norte-americano, na qual se apresentou como porta-voz dos interesses de seu povo na luta pela liberdade do Brasil. Em resposta, o embaixador cita os benefícios que a independência lhes traria, e acrescenta que para receber o apoio militar norte-americano o Brasil deveria assumir uma postura de “aliado”, comprando o trigo e bacalhau que dispunham, afinal, para por em risco os amistosos laços com Portugal, o acordo com os brasileiros deveria ser no mínimo vantajoso.

Data: s.d

Local: Vila Rica - Minas Gerais

Folha(s): 44-46

 

Conjunto documental: Inconfidência em Minas Gerais – Levante de Tiradentes

Notação: Códice 05, Volume 01.

Data limite: 1789-1789

Título do fundo: Diversos Códices SDH

Código de fundo: NP

Ementa: através deste ofício, temos conhecimento dos inconfidentes apresados na Ilha das Cobras. Segue a lista: o vigário São José Carlos Correa de Toledo, o coronel Inácio José de Alvarenga, o tenente coronel Francisco Antônio Rabelo, o desembargador Tomás Antônio Gonzaga, o tenente Miguel Nunes Vidigal, o cônego Luis Vieira, o alferes Joaquim José Ferreira, o tenente coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes e o capitão Francisco de Paula Freire de Andrade.

Data: s.d

Local: Vila Rica – Minas Gerais

Folha(s): 148

 

Conjunto documental: Inconfidência Mineira

Notação: caixa 2231

Data-limite: 1750 - 1819

Título do fundo: Inconfidência Mineira

Código do fundo: 3A

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: libelo cível em que Gervázio Pereira, genro do inconfidente José de Rezende Costa, diz que sempre teve boa amizade com o sogro e que depois de casado com sua filha pagou diversas dívidas das quais recebeu apenas parte dos pagamentos. O autor reclama pelo pagamento do dote que também foi pago apenas em parte e que por isso requeria publicamente o confisco dos bens de seu sogro condenado pelo crime de inconfidência.

Data: s.d

Local: s.l

Folha(s):-

 

Conjunto documental: Inconfidência Mineira

Notação: caixa 2231

Data-limite: 1750 - 1819

Título do fundo: Inconfidência Mineira

Código do fundo: 3A

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: libelo cível em que Lucas de Abreu Araújo reclamava a Real Fazenda o pagamento de uma dívida de 491.302 réis relativos a compra de “oito muleques novos” por parte do inconfidente Jozé de Rezende Costa. O autor, morador da comarca de Sabará, se dizia negociador de escravos e sal conhecido na região, e pedia o pagamento de metade da dívida feita através do requerimento de penhora dos bens do inconfidente. 

Data: s.d

Local: s.l

Folha(s):-

 

 

Conjunto documental:

Notação:

Data-limite:

Título do fundo:

Código do fundo:

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: carta em que Sebastião Xavier de Vasconcelos Coutinho expunha os termos determinados pela rainha quanto às sentenças dos inconfidentes. Ordenava a carta que os réus eclesiásticos fossem conduzidos em segura prisão à corte do Rio de Janeiro para que depois a rainha decidisse o seu destino; quanto aos réus que fossem “reputados chefes e cabeças da conjuração” era ordenado que fossem logo executadas as suas respectivas sentenças a não ser que decidissem usar da “Real clemência” e assim terem as penas comutadas para o degredo perpétuo na África. Os que “nem forão chefes da conjuração, nem entrarão, ou consentirão nela, nem se acharão nas assembléias” mas que sabiam e se omitiram teriam suas penas comutadas também para o degredo perpétuo, com pena de morte se voltassem ao Brasil.

Data: 15 de novembro de 1790

Local: Palácio da Queluz, Lisboa

Folha(s):-

 

Conjunto documental:

Notação:

Data-limite:

Título do fundo:

Código do fundo:

Argumento de pesquisa: Inconfidência Mineira

Ementa: registro do julgamento dos inconfidentes que aconteceu no dia 18 de abril de 1792, quarta-feira, em que foram condenados à forca, porém “em virtude da carta régia” poderiam os condenados terem suas penas comutadas para o degredo perpétuo na África. São citados alguns réus que foram absolvidos porém quanto “ao chamado Tiradentes”, é dito que não seria permitida a comutação de sua pena e que deveria ser levado preso pelas ruas da cidade ao lugar da forca e nela morresse de “morte natural”. Esquartejado o seu corpo, deveria a cabeça ser exposta em frente à ruínas de sua casa junto com um monumento à posteridade e as outras partes expostas, em cidades movimentadas, principalmente Varginha e Sebollas. O registro ainda esclarece que Tiradentes já havia sido “justiçado” e que seus filhos e netos teriam todos os seus bens confiscados pela Real Fazenda.

Data: 21 de abril de 1792

Local: Rio de Janeiro

Folha(s):-

CALLARI, Cláudia Regina. Os Institutos Históricos: do Patronato de D. Pedro II à construção do Tiradentes. Rev. bras. Hist.,  São Paulo,  v. 21,  n. 40,   2001.   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882001000100004&lng=en&nrm=iso>. access on 29  June  2009.  doi: 10.1590/S0102-01882001000100004

CARVALHO, José Geraldo Vidigal de. Importância da Conjuração Mineira. Revista do Instituto Histórico E Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, v.165, n.424, p.265-267, jul./set. 2004 

FONSECA, Paulo Miguel Moreira da. À Sombra do Contratador – Ensaio historiográfico sobre a administração colonial e o poder nas Minas Gerais em fins do século XVIII. X Encontro Regional de História – ANPUH-RJHistória e Biografias  - Universidade do Estado do Rio de Janeiro – 2002 

FRIEIRO, Eduardo. O diabo na livraria do Cônego: como era Gonzaga? e outros temas mineiros. Belo Horizonte: Itatiaia; Universidade de São Paulo, 1981

FURTADO, João Pinto. O manto de Penélope - história, mito e memória da Inconfidência Mineira de 1788-1789. São Paulo: Companhia das Letras, 2002 

LUNA, Francisco Vidal. Minas Gerais: escravos e senhores – análise da estrutura populacional e econômica de alguns centros mineratórios (1718-1804). São Paulo: IPE/USP, 1981. 

MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978. 

PESSOA, Gláucia Tomaz de Aquino. O acervo do Arquivo Nacional e a história da Inconfidência Mineira. Acervo: revista do Arquivo Nacional. Rio de Janeiro, ano 0, v.4, n.1, p.15-23, jan./jun.1989.

RODRIGUES, Andre Figueiredo. Estudo econômico da Conjuração Mineira: analise dos sequestros dos bens dos inconfidentes da comarca de Rio das Mortes. Tese Doutorado Historia Social. USP, 2008. 

SILVA, Olintho Pereira. A mineração em Minas Gerais: passado, presente e futuro. Geonomos: www.igc.ufmg.br/geonomos/PDFs/3_1_77_86_Silva.pdf

VENANCIO, Renato Pinto; SOUSA, Maria José Ferro de; PEREIRA, Maria Teresa Gonçalves. O Compadre Governador: redes de compadrio em Vila Rica de fins do século XVIII. Rev. Bras. Hist.,  São Paulo,  v. 26,  n. 52, Dec.  2006 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882006000200012&lng=en&nrm=iso>. access on29  June  2009.  doi: 10.1590/S0102-01882006000200012 

VIEIRA, José Crux Rodrigues. Tiradentes: a Inconfidência diante da História. Belo Horizonte: 2º Clichê Comunicação & Design Ltda., 1993 .