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O Império do Brasil diante da causa da Cisplatina - algumas reflexões

Aline Pinto Pereira
Doutoranda em História pela UFF

Nos últimos anos, a historiografia brasileira tem se dedicado às temáticas relativas à formação do Estado e da nação, oferecendo uma gama variada de abordagens. Parte significativa das análises volta-se para meados do Oitocentos, momento ao qual foi atribuída a consolidação do Estado imperial brasileiro.1 Alicerçar o Brasil com um governo forte foi uma das principais preocupações de d. Pedro I, que outorgou a Constituição de 1824 regulamentando a distribuição dos poderes do Estado que se erigia;2 negociou o reconhecimento da Independência frente às demais nações firmando com Portugal o Tratado de Paz e Amizade;3 conteve as ameaças contestatórias que assolaram o país, principalmente ao norte e ao sul;4 e envolveu-se em disputas que influenciaram a conformação das fronteiras do Império, em um momento em que integridade territorial e unidade confundiam-se com poder político e econômico.5

É justamente neste contexto que se insere a Guerra da Cisplatina, um tema que ainda tem sido pouco abordado pela historiografia contemporânea. Ocorrida entre os anos de 1825 e 1828, a contenda desenrolou-se na região meridional do país, envolvendo o império brasileiro e Buenos Aires pela posse da província Cisplatina (atual Uruguai). A região da Banda Oriental do Rio da Prata, há muito cobiçada pela sua localização estratégica e pelo seu potencial econômico,6 foi incorporada ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em julho de 1821, a partir de uma decisão do Congresso de Florida, como consequência da articulação de Carlos Frederico Lecor, comandante das forças brasileiras na Campanha Cisplatina.7

De acordo com João Paulo Garrido Pimenta, Lecor revelou-se muito competente "na ampliação de sua base de apoio - obtida com alguns dos mais ricos e influentes proprietários de terras, de gado e comerciantes da província oriental, ramificados também na província do Rio Grande do Sul"8 - indicando o quão complexas e ambíguas eram as políticas que se desenrolavam nas regiões de fronteira. A existência do latifúndio foi fator importante para determinar o entrelaçamento dos interesses locais nas regiões limítrofes à Banda Oriental, como já comprovado por Helen Osório, que indicou, dentre outras as peculiaridades do Rio Grande, a vinculação das estâncias rio-platenses ao mercado e às tensões internas e externas das linhas de fronteiras.9

Como lembra Ana Frega, a ideia de fronteira e de limites territoriais "fueron esgrimidos desde los centros de poder con espacios de exclusión, de diferencia, de cierre, se trataba de áreas de interrelación entre sociedades distintas, espacio en el que se operaban procesos económicos, sociales y culturales específicos".10 O mesmo disse Demétrio Magnoli sobre a necessidade de se considerar que as fronteiras do Rio da Prata eram instáveis e constituíam importantes espaços de interseção que facilitavam o "entrelaçamento de projetos, movimentos e lideranças políticas",11 sobretudo quando contextualizamos a disputa pela província Cisplatina a partir da sua relação com os movimentos emancipatórios nas Américas.

É interessante compreendermos as disputas às margens do Rio da Prata tendo como foco a pluralidade de culturas, costumes e práticas políticas que estavam em disputa no momento em que as colônias lutavam pela sua independência e que forjam uma identidade americana, como indicou João Paulo Garrido Pimenta. Segundo o autor, no contexto em que erguiam as bandeiras pela emancipação política, os habitantes das Províncias do Rio da Prata reafirmaram-se como orientais, expressando o desejo de prontamente diferenciarem-se dos brasilienses ou dos portenhos. "A província não é a Cisplatina, mas ... a Banda Oriental ou província de Montevidéu",12 relembrando os pressupostos defendidos por Gervásio Artigas, "considerado oriental entusiasta".13 

Foi em 25 de agosto de 1825 que a província oriental reconheceu-se independente, declarando "nulos, dissolvidos os atos de incorporação, reconhecimento, aclamações e juramentos arrancados aos povos da província oriental pela violência da força, unida à perfídia dos intrusos poderes de Portugal e do Brasil".14 Os orientais não acatariam as interferências de d. Pedro I na região - sinal que já haviam dado desde a proclamação da Independência do Brasil, pois foi somente em 1824 que aderiram formalmente ao Império.15

Fato é que d. Pedro I não dispensaria facilmente seu direito de intervir na região, ciente de que a causa da Cisplatina era questão intrínseca à causa nacional, à necessidade de reafirmação do Brasil como Estado soberano, em sua ânsia de constituir-se como um grande império na América e frente ao mundo. O projeto do Império do Brasil e de um Estado brasileiro forte perpassava pela união territorial do Prata ao Amazonas. Além disso, estavam em jogo a autoridade e a legitimidade do monarca, assim como a honra do Brasil Império - preocupação cara no momento em que o país se consolidava enquanto Estado e diante das inúmeras contestações à figura do governante, constantemente desafiada no contexto da guerra de independência e na conjuntura pós-emancipação.16

Lembremos que, durante os movimentos que antecederam o 7 de setembro, o Brasil dividiu-se nos conflitos armados contra os portugueses em duas frentes que faziam resistência à emancipação brasileira. Norte e sul demonstravam cooperação somando suas forças contra o governo imperial, radicalizando o discurso e as ações contra o Império. Na Bahia e em Montevidéu, houve quem resistisse à independência do Brasil, mantendo-se fiel à Coroa portuguesa, contribuindo para que se criasse um cenário de instabilidade e de cooperação entre as forças dissonantes, como nos revela uma correspondência enviada ao ministro da Guerra, em 19 de outubro de 1822:

Em consequência ... do aumento da força brasileira, os europeus (portugueses) têm feito todos os preparativos para deixar as defesas da cidade ao norte e estão fortificando as avenidas do Forte de São Pedro, o qual tem víveres suficientes para aguentar algum tempo. General Madeira tem proposto aos comerciantes para trazerem para cá a tropa que ocupa a Praça de Montevidéu e lhes deu prazo até o dia 21 do corrente para considerarem sobre ela, mas ainda não sabemos qual será o resultado ... Na cidade baixa, estão marinheiros armados, e até agora se têm postado com honra nas suas obrigações ....17

Somente após derrotar a resistência ao norte, o Brasil pôde reforçar o combate ao sul, onde as tropas portuguesas se renderam no final de 1823. D. Álvaro da Costa estava a favor dos lusitanos, na Banda Oriental. Ele afirmava que a província Cisplatina havia sido conquistada pelas tropas portuguesas e que esta não deveria, portanto, após a emancipação do Brasil, permanecer sob o comando do império brasileiro.18 Dizia d. Álvaro da Costa em uma proclamação aos brasileiros:

Quando os laços de mútua conveniência não prendem os povos uns aos outros, não desata por si. Não acrediteis a doutrina contrária que vos pregam. Vós só podeis tirar desta luta as tristes recordações do pai, do irmão, do parente morto e dos míseros filhos desamparados que uma infernal política sacrificou. Abandonai a odiosa pretensão em que vossos chefes vos empenharam; eles só defendem seus interesses e não vossos direitos, porque aqui não há ninguém que os pretenda usurpar ... Recordai o amor, a obediência, a fidelidade que vossos pais sempre tiveram a nossos reis: voltai aos vossos lares e pregai a doutrina do homem justo e convidai todos os vossos concidadãos a reentrar na obediência e fidelidade que deveis ao benigno de todos os monarcas, ao nosso Augusto Rei, o Senhor d. João VI ....19

Na província Cisplatina, d. Álvaro da Costa organizou uma pequena esquadra, porém, não obteve sucesso por muito tempo, pois, como revelado por Brian Vale, à "medida que os brasileiros pouco a pouco apertavam o cerco às suas forças, e os líderes da província manifestavam sua adesão à causa brasileira, a determinação de d. Álvaro da Costa esmoreceu".20
Brian Vale afirma também que d. Álvaro da Costa resistiu em regressar para Lisboa, contando com apoio do general Inácio Luís Madeira de Melo à frente dos interesses portugueses na Bahia para fazer frente às fragatas que se dirigiam do Rio de Janeiro à Montevidéu. Estas tinham o intuito de prendê-lo, e coube ao vice-almirante Rodrigo José Ferreira Lobo, comandante das forças navais do império, combater d. Álvaro da Costa. Ferreira Lobo foi criticado por não ter demonstrado a destreza que a situação exigia. Ele foi julgado e absolvido pelo Conselho de Guerra e de Justiça.21 O vice-almirante perdeu para o opositor três navios: Conde de Arcos, General Lecor e Liguri, fato considerado desastroso, pois qualquer baixa era prejudicial ao império em um momento de escassez de embarcações de guerra.

De acordo com o mesmo Brian Vale,22 em 1822, o núcleo da Esquadra Imperial era constituído pelas fragatas União e Real Carolina; corvetas Maria da Glória e Liberal; brigue Real Pedro; brigue-escuna Real; 13 escunas, das quais sete encontravam-se estacionadas no Prata; e de aproximadamente 20 navios-transportes e canhoneiras. Dos outros navios, situados no Rio de Janeiro, a nau Martins de Freitas (futura Pedro I), a fragata Sucesso e o brigue Reino Unido eram as mais confiáveis para utilização, enquanto a nau Príncipe Real, que trouxe d. João VI ao Brasil, fazia o papel de navio-prisão devido ao estado deplorável em que se encontrava.

Todavia, mesmo com a vitória das forças do império e com a retirada das tropas portuguesas da Bahia e, posteriormente, de Montevidéu, a pacificação e a adesão à figura de d. Pedro I demandariam muito mais tempo do que os primeiros anos da Independência. A autoridade de d. Pedro I era limitada no contexto pós-1822, como nos revela a carta de autoria do plenipotenciário inglês Charles Stuart ao seu conterrâneo, o ministro George Canning. O documento antecede em nove dias o Tratado de Reconhecimento de 29 de agosto de 1825, indicando-nos que as afirmações de que a unidade ou o Estado teriam se dado com o 7 de setembro de 1822 são um tanto quanto precipitadas.

Não obstante tudo o que se tem dito a respeito do poder e dos recursos deste país, os verdadeiros limites da autoridade do príncipe real não se estendem muito além das províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde a influência de Sua Alteza Real tem feito a natureza do governo absoluto; entretanto, as cadeias que prendem as outras capitanias ao governo central, não sendo suficientemente fortes para as compelir a suportar alguma parte do peso do Estado, ou a contribuírem com alguma força para o sustentarem, vão gradualmente cedendo aos hábitos locais, melhor adaptados a um governo federativo, do que à manutenção do sistema monárquico que se supõem formarem uma parte. O medo da opinião pública, ou melhor direi, das vociferações do povo, que se deixa perceber em todas as minhas comunicações com o soberano e seus ministros, descobre a fraqueza real deste Estado, e confirma a minha crença de que uma grande porção do espírito revolucionário que se tem desenvolvido nas províncias do norte e do sul.23

O processo de construção da unidade territorial e da formação do Estado no Brasil tem que ser visto como fruto de um longo consolidar de interesses e projetos em disputa, o que nos leva a concordar com Ilmar R. de Mattos, quando afirmou a impossibilidade de se conceber a consolidação do Estado brasileiro antes da década de 1840.24 A carta de Charles Stuart revela-nos que o novo país surgia em um momento de incerteza e de instabilidade, quando se fazia imperativa a necessidade de se criar uma autoridade e uma centralidade política.

"A grande porção do espírito revolucionário" ainda ecoava junto às províncias do norte e do sul, como bem disse Canning, e a pretensão do imperador era aquietar seus antagonistas. Ao escrever para a Corte, o conde do Porto Santo dizia, em janeiro de 1826, que, ao norte, a situação ainda não estava totalmente em ordem. Entendemos, pelo teor da carta, que houve reações ao Tratado de Reconhecimento, conforme o remetente relata abaixo:

Passado o furor do primeiro momento, vão se aquietando os espíritos. Infelizmente, porém, não tem acontecido assim na Bahia, onde nas noites de 29, 30 e 31 de dezembro se quebraram as vidraças da maior parte das casas que tinham posto luminária, depois do que consta houveram (sic.) algumas mortes; tal efeito tem produzido pela leitura da Carta de Lei e muito se receia que o mesmo produzirá nas outras províncias, do que esta ficou isenta com a presença e energia do imperador e do seu hábil ministério.25

De acordo com Isabel Andrade Marson, a política externa do Primeiro Reinado foi uma sucessão de equívocos.26 A autora afirma que o inexperiente imperador "enfiou os pés pelas mãos", como diz a expressão popular, ao sacramentar a independência do Brasil pela letra da lei e ao lançá-lo na Guerra da Cisplatina - considerada uma empreitada desastrosa, porque o Império não garantiu a manutenção da dita província ao seu território e ainda levou os cofres públicos ao declínio.

Como afirmou o ex-oficial do Exército do Império, Carl Schlichthorst, conservar a província Cisplatina era de suma importância para d. Pedro I porque "ela formava uma parte integrante do Brasil, da honra nacional e um dispositivo especial da Constituição", exigindo "a sua conservação do melhor modo possível".27 Lembremos que o artigo primeiro da Carta de 1824 dizia que o Império do Brasil não admitiria qualquer laço, união ou federação que se opusesse a sua independência e que, pelo artigo quarto, d. Pedro I apresentava-se como Defensor Perpétuo do Estado que se forjava.
Como já indicado por John Armitage, a principal resistência ao império não estava somente na força de combate dos orientais, mas na falta de um sentimento que justificasse a Guerra da Cisplatina para os habitantes do Brasil. De acordo com Armitage, os marujos brasileiros estavam em defasagem em relação aos orientais para lograrem mais sucessos na batalha pela província: "eram voluntários e animados pelo espírito de nacionalidade, ... e os brasileiros eram a maior parte recrutas e estrangeiros, os quais, ainda que bravos, não simpatizavam com a causa por que pugnavam". 28

A mais minuciosa narrativa sobre a Guerra da Cisplatina foi realizada por Pandiá Calógeras, que observou como a batalha no Prata foi uma má empreitada para o império, sob o ponto de vista militar e administrativo, afirmando que, para "os elementos políticos do Brasil todo, a guerra apresentava-se como herança portuguesa, e não como reivindicação nacional".29 A campanha do Prata não falava à alma popular, como afirmou o autor. Os acontecimentos de 1825 seriam apenas reflexos da política externa iniciada por d. João VI, fruto de um "escopo imperialista e dinástico".

Calógeras disse que a Guerra da Cisplatina fomentou um espírito de desconfiança em relação ao imperador, pois o senso comum era o de que o novo Estado necessitava de paz para progredir e que deveria haver um esforço do Brasil para o estabelecimento de uma aproximação continental com seus vizinhos. O autor comenta também o perigo que a luta pela Cisplatina representou, sob pena de ainda envolver Bolívia e Paraguai na contenda: "quando se complicaram as relações no vale platino e os maus sucessos da guerra puseram o Brasil em situação suspeita ante os demais povos, o Paraguai se tornou, cada vez mais, um perigo potencial que urgia conjurar".30

Ele narrou com detalhes todos os movimentos que deram origem à guerra e como o Brasil recuperou o desempenho na batalha, sustentando que o conflito foi apenas consequência da política joanina, como tem sido a percepção da historiografia mais antiga acerca do conflito. Oliveira Lima diz que a expansão portuguesa na região era a principal causa da guerra que se desenrolou nos anos posteriores. Expansão esta empreendida a partir do esforço realizado por d. João VI para anexar a província Cisplatina, ainda que "em oposição a toda a Europa, mesmo contra o aliado inglês ...".31
David Carneiro32 e Alberto Moniz Bandeira33 concordam com Oliveira Lima e com Pandiá Calógeras, sustentando também a interpretação de que a Guerra da Cisplatina seria uma herança da política exterior joanina. Eles reconhecem a impopularidade do conflito e o indicam como um dos principais fatos que contribuíram para a crise de 1831, que levou à abdicação do imperador Pedro I.

Entendemos que o conflito no Prata vai além das justificativas expansionistas iniciadas sob o poder de d. João VI. A questão da Cisplatina insere-se na lógica que regeu as discussões políticas do Oitocentos a partir da reafirmação da soberania do Estado que se constituía e a partir da relação estabelecida entre o imperador, a Câmara, a imprensa, a sociedade, o povo e outros países do cenário internacional, especialmente a Inglaterra.

Os ingleses, como já indicado por John Street34 e recuperado por Francisca Azevedo, também cobiçavam o controle do Rio da Prata, assim como Portugal. Ambos revelam que, por duas vezes, em 1806 e 1807, a Inglaterra tentou "ocupar militarmente a região na defesa de interesses mercantis, que a cada dia se tornavam mais importantes para o comércio inglês".35

Francisca Azevedo demonstrou como as investidas frustradas de anos anteriores foram determinantes para que os ingleses fizessem dos portugueses os seus principais aliados na estratégica conquista da Banda Oriental, tentando aproveitar-se da crise política protagonizada pela América Hispânica. É instigante a relação que Buenos Aires e Brasil desenvolveram em relação aos ingleses no que se refere aos conflitos no Prata. Ambos esforçaram-se para conquistar a simpatia do Lord John Ponsonby, que, seguindo as instruções de George Canning, foi o mediador entre as tensões levadas adiante pelo Rio de Janeiro e pelo governo oriental. Ponsonby afirmava que a autonomia política da Cisplatina seria o melhor destino para a região, levando, consequentemente, à paz. E os ingleses vão trabalhar de acordo com esse objetivo, conduzindo as negociações que levaram ao Tratado de Paz.

Os ingleses mediaram as relações entre Brasil e Buenos Aires, tendo como força motriz seus próprios interesses na região - o que não era segredo para ambas as partes, tendo em vista os esforços empreendidos pela Grã-Bretanha para expandir seu comércio pelo Prata. Foram os britânicos que, por meio de artimanhas políticas, frustraram os objetivos de d. Carlota Joaquina, que desejava levar adiante a ambição de dominar o Rio da Prata, principalmente quando seu irmão, Fernando VII, foi deposto por Napoleão Bonaparte.36

O trecho abaixo, de autoria do militar alemão Carl Schlichthorst, que esteve no Brasil a serviço do Corpo de Estrangeiros no Primeiro Reinado, auxilia a ilustrar a força da intervenção inglesa na política externa do Brasil:

Pouca coisa se sabia na capital sobre os negócios no sul. Embora os jornais aparecessem repletos de notícias de vitórias, muitas vezes se comprovavam as mentiras com os navios mandados regressar por imprestáveis e pelos reforços continuamente enviados para Montevidéu. As notícias diretas não chegavam, retiradas no Correio, sendo perigoso manter correspondência com Buenos Aires. Várias pessoas foram presas, o que tornou as outras cautelosas no que escreviam. Falava-se pouco da guerra, porém, geralmente se desejava a paz. Boquejava-se que a Inglaterra se encarregara duma mediação e se esperava Lord Ponsonby para o início de negociações. Como base da paz, pensava-se em declarar Montevidéu porto livre, sob a proteção britânica, e em reconhecer a Banda Oriental como república autônoma. Ambas as soluções contrariavam o orgulho do imperador e feriam o amor-próprio nacional. O monarca considerava toda a amputação territorial lesão a seus direitos soberanos. A parte mais instruída do povo temia, com toda razão, a supremacia comercial da Grã-Bretanha no hemisfério meridional.37 grifo meu

Sobre a execução da política externa brasileira no Oitocentos, Amado Cervo e Clodoaldo Bueno destacaram o "jogo de forças que compunham o sistema internacional ... e os objetivos dos Estados dominantes, a inserção do continente americano nesse sistema, ... e o precoce enquadramento luso-brasileiro no sistema internacional vigente, através da aliança-inglesa".38 O entrosamento entre Brasil e Inglaterra já se manifestara na proteção britânica durante o processo de transmigração da Família Real para a América, na abertura dos portos do Brasil às nações amigas, bem como também durante as negociações para o Tratado de Reconhecimento da Independência do Brasil por Portugal, precedido pela adesão formal da Inglaterra. Esta condicionou seu reconhecimento à autonomia política do Brasil ao comprometimento do império em abolir o tráfico escravo.

De acordo com Leslie Bethell, os ingleses usaram o reconhecimento da independência do Brasil como isca para obter um compromisso prévio de que o império aboliria o comércio de escravos.39 Segundo também revela-nos D.A.G. Waddell, "a exigência inglesa da abolição do tráfico de escravos em troca do reconhecimento foi repudiada intensamente no Brasil e contribuiu significativamente para que d. Pedro perdesse muito o apoio de que dispunha", o que provocou a  abdicação do imperador em 1831.40

D. Pedro I assinou a Convenção de 1826, ratificada no ano seguinte, que transformou o tráfico de africanos em prática ilícita, a partir da década de 1830.41 Segundo Lívia Beatriz da Conceição, as "resoluções da Convenção de 1826 não foram aceitas passivamente por muitos representantes brasileiros, principalmente no que dizia respeito aos seus deputados", já que o tratado foi assinado pelo Executivo sem a ratificação do Parlamento.42 A pressão da Inglaterra pela abolição do tráfico no Brasil, como lembrou Lívia Beatriz da Conceição, não pode ser a única explicação para o fim do comércio de escravos no país, já que se devem levar em consideração as questões internas que circundavam a necessidade de construção do Estado, como, por exemplo, as tensões políticas entre o Executivo e o Legislativo, bem como a fragilidade da ordem vigente.43

Ainda de acordo com esta autora, a pressão inglesa para que o Brasil acabasse com o tráfico não se relacionava com qualquer sentimento humanitário. O que estava em jogo era a consolidação do domínio político e da posição comercial britânica, que interferia cada vez mais no comércio e na política do Brasil.
O mesmo pode ser dito sobre a postura britânica em relação ao conflito pela posse da Cisplatina.

No Rio de Janeiro, registrou-se uma suposição, pois, apesar de se iluminar em festa o Paço Imperial, após a assinatura do tratado, apareceu em folhas litografadas uma alusão ao fato. Aí se representavam, em três colunas, encimadas pelo escudo da Inglaterra, medianeira do tratado, à direita e à esquerda, respectivamente, os da Argentina e o do Brasil, e por baixo a jovem América numa caverna, dando a beber em uma fonte a um leão sedento. Este, pela sua feitura, não se parecia com os da América e poderia representar antes o da Índia Oriental, ou o que se vê na coroa da Grã-Bretanha.44 grifo meu

Pelo relato acima, vemos que parte da sociedade tinha o entendimento de que a Inglaterra era de fato o grande leão sedento que se nutria da energia da América, consolidando seu poderio na região. O Brasil libertara-se de Portugal, enquanto os orientais desvencilharam-se da Espanha. Porém, estavam cada vez mais atrelados aos meandros da política britânica, que há muito vinha voltando suas atenções para o hemisfério sul.  A Inglaterra mais uma vez mediou um Tratado de Paz que envolvia o Brasil, culminando com o fim da Guerra da Cisplatina, em 1828, e com a criação do Uruguai; e garantiu a livre navegação no Rio da Prata pelo período de 15 anos, ao costurar a convenção definitiva de paz - que não foi bem recebida pelos habitantes de ambas as partes envolvidas no conflito. Tanto brasileiros quanto orientais entenderam que a Inglaterra havia preponderado e logrado benefícios neste processo de pacificação da região do Prata. O fato é que as colônias libertaram-se da dominação de Portugal e da Espanha, mas prenderam-se aos tentáculos ingleses, que tinham interesses em se envolver com as questões políticas e comerciais na América do Sul.

Para concluirmos, é preciso dizer que esperamos ter cumprido o objetivo de provocar o debate e instigar os leitores a pensarem sobre a Guerra da Cisplatina, que ainda precisa ser explorada pela historiografia contemporânea, pois, neste breve espaço, não pretendíamos esgotar o assunto, cujos desdobramentos serão vividos ainda no Segundo Reinado. Pretendíamos apenas tentar defender a ideia de como a contenda às margens do Prata esteve intimamente ligada à emancipação política brasileira, ao processo de construção do Estado nacional e a um dado projeto de soberania que ainda confundia-se com a figura de um monarca forte e respeitado.

1MATTOS, Ilmar Rohloff de. O Tempo Saquarema: a formação do Estado Imperial. 4 ed. Rio de Janeiro: ACCESS, 1994.
2 OLIVEIRA, C. H. L. S. Nação e cidadania: a Constituição de 1824 e suas implicações políticas. Horizonte, São Paulo, v. 16, p. 11-38, 1998.
3 CERVO, Amdo L.; MAGALHÃES, José C. Depois das Caravelas: as relações entre Portugal e Brasil, 1808-2000. 1 ed. Lisboa: Instituto Camões, 2000; RIBEIRO, Gladys Sabina. O Tratado de 1825 e a construção de uma determinada identidade nacional: os sequestros de bens e a Comissão Mista Brasil - Portugal. In: CARVALHO, José Murilo de. (org.) Nação e cidadania no Império: novos horizontes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, p. 395-420.
4 É interessante considerar a discussão apresentada por Iara Lis e Souza sobre a adesão das câmaras à figura do Imperador d. Pedro I em Pátria coroada: o Brasil como corpo político autônomo - 1780-1831. São Paulo: UNESP, 1999.
5 Sobre o assunto, é interessante ver o trabalho de PEIXOTO, Renato Amado. A máscara da medusa: a construção do espaço nacional brasileiro através das corografias e da cartografia no século XIX. 2006. Tese (Doutorado) -  Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.
6 CANABRAVA, Alice P. O comércio português no Rio da Prata (1580-1640). Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1984.
7 A criação da Cisplatina e a sua incorporação ao território do Brasil foram motivos de muita polêmica aqui e em Buenos Aires, trazendo consequências à vida política na Corte. Um exemplo é o fato de O Revérbero Constitucional Fluminense ter produzido longos artigos em defesa da anexação da província, sobretudo porque Joaquim Gonçalves Ledo, um dos redatores do jornal e figura expressiva no contexto da independência, era um rico e poderoso comerciante que mantinha lucrativos negócios com os portos platinos, demonstrando a articulação existente entre interesses econômicos e articulação política à época. Cf. PIMENTA, João Paulo. O Brasil e a experiência cisplatina (1817-1828). In: JANCSÓ, István. Independência: história e historiografia. São Paulo: Hucitec, 2005; IZECKSOHN, Vitor. O processo de formação dos Estados no Rio da Prata: comércio, navegação e guerra, 1810-1864. Cadernos do CHDD, Rio de Janeiro, ano IV, número especial, p. 89-106, 2006.
8 PIMENTA, João Paulo Garrido. Província Oriental, Cisplatina, Uruguai: elementos para uma história da identidade oriental (1808-1828). In: PAMPLONA, Marco A.; MÄDER, Maria Elisa. (org.) Revoluções de independências e nacionalismos nas Américas: região do Prata e Chile. São Paulo: Paz e Terra, 2007, p. 44.
9 OSÓRIO, Helen. Estancieiros, lavradores e comerciantes na constituição da estremadura portuguesa na América: Rio Grande de São Pedro, 1737-1822. 1999. Tese (Doutorado) - Universidade Federal Fluminense, Niterói, 1999. De acordo com a autora, o território em disputa compartilhava "uma estrutura produtiva similar, compondo uma mesma paisagem agrária, que se estendeu em um continuum desde Buenos Aires e seu hinterland, à Banda Oriental do rio Uruguai (atual Uruguai) até o atual Rio Grande do Sul.
10 FREGA, Ana. Pertenencias e identidades en una zona de frontera. La región de Maldonado entre la revolución y la invasión lusitana (1816-1820). In: HEINZ, F. M.; HERRLEIN JR., R. (orgs) Histórias regionais do Cone Sul. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2003, p. 121-146.
11MAGONOLI, Demetrio. O corpo da pátria: imaginação geográfica e política externa no Brasil (1808-1912). São Paulo: Unesp, 1997, p. 138.
12 PIMENTA, João Paulo Garrido, op. cit., p. 51.
13 Idem.
14 Ibidem, p. 52.
15 Ibidem, p. 51.
16 PEREIRA, Aline Pinto. Domínios e Império: o Tratado de 1825 e a Guerra da Cisplatina na construção do Estado no Brasil. 2007. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2007.
17 ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Série Guerra - Gabinete do Ministro, IG¹ 112, sob a localização SDE 002, Código 1 A.
18 VALE, Brian. A criação da Marinha Imperial. História Naval Brasileira, Rio de Janeiro, 2002, p. 63-88.
19 ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Série Guerra - Gabinete do Ministro, IG¹ 112.
20 VALE, Brian, op. cit., p. 80.
21 As justificativas utilizadas pelo vice-almirante em sua defesa foram publicadas pela Typographia Imperial e Nacional, em 1827, e estão disponíveis para consulta no Arquivo Nacional "Fundo Cisplatina", Caixa 977, sob a localização SDE 002, Código 1 A.
22 VALE, Brian. Estratégia, poder marítimo e a criação da Marinha do Brasil 1822-1823. Revista Navegador. Rio de Janeiro, n. 4, p. 5-21, dez. 1971.
23 Carta de Charles Stuart a Canning 16/8/1825. Transcrição fac-símile de documentos do Arquivo do Cosme Velho, doc. 795, ofício, tradução n. 57. In: MENDONÇA, Marcos Carneiro de. D. João VI e o Império do Brasil: a Independência e a Missão Rio Maior. Rio de Janeiro: Xerox do Brasil, 1984, p. 508-509.
24 MATTOS, Ilmar Rohloff, op. cit.
25 ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO (Portugal). Ministério dos Negócios Estrangeiros. Arquivo das Legações Portuguesas, Legações de Portugal no Rio de Janeiro, Ofícios para a Corte, L. 714 - Mf 2886. Esta documentação foi colocada em bancos de dados vinculados ao projeto "Identidade nacional e formação da cidadania no Grão-Pará, Maranhão, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro (1822 a 1860)" e "Independência ou morte: a Comissão Mista Brasil-Portugal e a consolidação da Causa Nacional", de bolsa de produtividade em pesquisa - CNPQ, concebidos pela profa. Gladys Ribeiro, entre 2000 e 2004. Nestes projetos, trabalharam os bolsistas de iniciação científica: Eliane Paiva da Rocha Machado, Carolina Naciff de Andrade, Aline Pinto Pereira, Vantuil Pereira, Marcelo Martins Medeiros e Gina Peixoto, com bolsas Pibic e IC/Faperj. A partir do trabalho com esta documentação, surgiram monografias de final de curso, dissertações e teses.
26 MARSON, Isabel Andrade. O Império da revolução: matrizes interpretativas dos conflitos da sociedade monárquica. In: FREITAS, Marcos Cezar de. (org.) Historiografia brasileira em perspectiva. São Paulo: Contexto-USF, 1998, p. 73-101.
27 Idem.
28 ARMITAGE, John. A história do Brasil: desde o período da chegada da família de Bragança em 1808 até a abdicação de d. Pedro I em 1831, compilada à vista dos documentos públicos e outras fontes originais formando uma continuação da Historia do Brazil de Southey. São Paulo: Martins, 1972, p. 125.
29 CALOGERAS, Pandiá. A Independência da Cisplatina. Política Exterior do Império. v. 1, p. 418. 1989.
30 CALOGERAS, Pandiá, op. cit., p. 419.
31 Idem.
32 CARNEIRO, David. História da Guerra da Cisplatina. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1946.
33 BANDEIRA, Moniz. O expansionismo brasileiro e a formação dos Estados na Bacia do Prata: da colonização à Guerra da Tríplice Aliança. São Paulo: Ensaio; Brasília: UnB, 1995.
34 STREET, John. Gran Bretaña y la Independencia del Río de la Plata. Buenos Aires: Paidós, 1967.
35 AZEVEDO, Francisca L. Nogueira de. Carlota Joaquina na corte do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 76.
36 AZEVEDO, Francisca L. Nogueira de, op. cit.
37 SCHLICHTHORST, C., op. cit., p. 268.
38 CERVO, Amado; BUENO, Clodoaldo. História da política exterior do Brasil. São Paulo: Ática, 1992, p. 15.
39 BETHELL, Leslie. A abolição do comércio brasileiro de escravos. A Grã-Bretanha, o Brasil e a questão do comércio de escravos, 1807-1869. Brasília: Senado Federal, 2002, p. 61.
40 WADDELL, D.A.G. A política internacional e a independência da América Latina. In: BETHELL, Leslie. (org.) História da América Latina: da Independência até 1870. v. 3. São Paulo: Edusp/Imprensa Oficial do Estado; Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2001, p. 231-265.
41 CONCEIÇÃO, Lívia Beatriz. Soberania no mundo atlântico: tráfico de escravos e a construção do Estado nacional no Brasil monárquico (1831-1850). 2004. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2004, especialmente o capítulo 3.
42 CONCEIÇÃO, Lívia Beatriz, op. cit., p. 147.
43 CONCEIÇÃO, Lívia Beatriz, op. cit.
44 CONTRIBUIÇÕES para a História da Guerra entre o Brasil e Buenos Aires. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1834, p. 303. Anotações de Aurélio Porto e tradução de L. Brockman. Publicado originalmente em Berlim pela Tipografia G. Reimer (1834). Este é um livro cujo autor se intitula "testemunha ocular". Foi editado no Brasil pela Livraria Martins, mas não há datação. O leitor é informado nas páginas iniciais que somente 150 exemplares foram impressos, sendo que cinco deles estão fora do comércio - provavelmente em posse de coleções privadas. Segundo os apontamentos do Barão do Rio Branco, o autor de Contribuições para a História da Guerra entre o Brasil e Buenos Aires deve ter sido o alemão Carl Von Leenhof - tenente do 27º Batalhão de Caçadores. A narrativa detalhada sobre os esforços de guerra, endossada por documentação oficial, foi determinante para que o Barão do Rio Branco chegasse a tal conclusão.

Conjunto documental: Coleção Cisplatina

Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta do barão de Laguna, governador da província Cisplatina, ao ministro da Guerra, João Vieira de Carvalho, sugerindo que se desse bom tratamento às pessoas ricas e ilustradas da província, pois sua influência na terra era grande. Foram apontados d. João Duran e d. Tomas Garcia para os cargos de brigadeiro, sendo o primeiro grande proprietário de terras e o segundo "reputado coronel" nos tempos de José Artigas. O governador ressaltava que além de prestarem auxílio com empréstimos para os gastos públicos, via nos dois indicados, empenho pela causa nacional e a preferência por uma nação estável e grande, do que por uma outra instável, menor, e sob constantes ataques revolucionários.
Data do documento: 1 de agosto de 1823
Local: Canelones
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta do barão de Laguna, governador da Cisplatina, a João Vieira de Carvalho, ministro da Guerra, informando sobre o plano dos revolucionários que pretendiam entregar a província à Inglaterra, sendo fundamental que se colocassem as forças de terra e mar em estado de concluir as operações no local.
Data do documento: 31 de agosto de 1823
Local: Canelones
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: ofício enviado pelo governador da província Cisplatina, o barão de Laguna, a João Vieira de Carvalho, ministro da Guerra, informando a relação de mortos e feridos do exército imperial na campanha da praça de Montevidéu, contra a divisão de "voluntários reais de Portugal e corpos a ela unidos". A relação trazia nome, estado civil, data, tipo de ferimento sofrido ou morte, e a que regimento pertencia o soldado.
Data do documento: 20 de novembro de 1823
Local: Canelones
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta do governador da Cisplatina, barão de Laguna, a João Vieira de Carvalho, ministro da Guerra, informando sobre como se encontrava a província do Uruguai. O barão reclama da demora no envio de tropas do Rio Grande do Sul para a região, pois sem soldados, seus esforços eram inúteis, e acrescenta que vinha empregando todos os meios possíveis para manter a região pacífica e sob o poder do Brasil, pois as tropas européias, aliadas aos revolucionários de Montevidéu, buscavam todas as formas para pôr a província em "completa anarquia".
Data do documento: 11 de abril de 1823
Local: Canelones
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: ofício do barão de Laguna, governador da província Cisplatina, a d. Álvaro da Costa de Sousa, chefe das tropas de Montevidéu, em resposta a seu pedido de armistício e de regresso das tropas reais a Portugal, para o qual solicitava o envio de um oficial à Corte do Rio de Janeiro. O barão não autoriza a ida do oficial e acusa ainda d. Álvaro de querer ganhar tempo com o armistício e favorecer a revolução na província.
Data do documento: 27 de outubro de 1823
Local: Canelones
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: ofício de Álvaro da Costa de Sousa, chefe das tropas de Montevidéu, ao barão de Laguna, governador da Cisplatina, no qual expressa sua vontade de obter a autorização real para o regresso de suas tropas a Portugal. D. Álvaro demonstrava irritação com a recusa do governador em autorizar a ida de seu oficial à Corte no Rio de Janeiro e insistia em mandar dois oficiais previamente nomeados. Sobre as acusações do barão de Laguna de incitar a revolução na província, dizia ser ofensiva a insinuação de má fé e que jamais usaria um armistício como pretexto para ganhar tempo em uma guerra tão violenta.
Data do documento: 29 de outubro de 1823
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta do barão de Laguna, governador de Montevidéu, a João Vieira de Carvalho, ministro da Guerra, na qual relata que no dia 11 de setembro de 1823, 77 soldados de infantaria da legião de São Paulo se rebelaram e exigiram do brigadeiro Sebastião Barreto Pereira Pinto que suspendesse a ordem de manejo do acampamento por estarem mal vestidos, mal calçados e há 3 anos sem receber seus soldos. Conta também que o brigadeiro, visando a evitar novos levantes, mandou prender dois cabos e três soldados revoltosos. O barão reconheceu a situação penosa em que se encontrava a legião de São Paulo e pediu ao ministro que intercedesse por uma intervenção real.
Data do documento: 15 de outubro de 1823
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: proclamação assinada pelo barão de Laguna, governador da Cisplatina, por d. Álvaro da Costa de Souza, entre outros, na qual manifestavam seu descontentamento com o novo sistema do Rio de Janeiro. Afirmavam que deveriam jurar seu amor por Portugal e pelo rei, pois a província do Uruguai só se encontrava sob o controle do Brasil graças à luta das tropas portuguesas, e se o governo do Rio de Janeiro pretendia separar o Brasil de Portugal, eles não concordariam com essa ação e se manteriam fiéis ao rei.
Data do documento: 28 de junho de 1822
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: ofício do barão de Laguna, governador da Cisplatina, a Joaquim de Oliveira Álvares, ministro da Guerra, expondo a necessidade de no mínimo 4 mil soldados para guarnecer o Estado Cisplatino em tempos de paz. O governador solicita o envio de 1.100 soldados de cavalaria, infantaria e artilharia.
Data do documento: 1 de julho de 1822
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: portaria assinada por José Bonifácio de Andrada e Silva na qual comunica a descoberta de uma "facção oculta" que busca caluniar a constitucionalidade do Império Brasileiro. Bonifácio esclarece que o despotismo nunca mais tornaria a aparecer no Brasil e que, identificados os agentes que espalhavam tais idéias, deveriam ser tomadas as devidas providências.
Data do documento: 11 de novembro de 1822
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta do brigadeiro Marques de Souza a Luiz Pereira da Nóbrega de Souza Coutinho, ministro da Guerra, na qual expressa sua felicidade em saber que foi proclamada a independência do Brasil e que d. Pedro foi nomeado Defensor Perpétuo do Império. O brigadeiro diz que as províncias de Canelones e São José aderiram ao Império do Brasil, mas em Montevidéu ainda havia um grande partido que lutava pela independência local.
Data do documento: 25 de outubro de 1822
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: ofício assinado pelo barão de Laguna, governador da província Cisplatina, no qual são relacionados os quatro oficiais condenados ao degredo em Moçambique, Angola, e outras localidades por crimes militares.
Data do documento: 31 de agosto de 1821
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 977
Data-limite: 1819-1823
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: proclamação de d. Álvaro Costa de Souza na qual critica a guerra e também a "infernal política" praticada pelo estado brasileiro, que visava apenas interesses particulares. D. Álvaro relembra o tempo em que Portugal governava o Brasil e convocava todos os bons brasileiros e bons portugueses a defenderem os direitos do monarca constitucional d. João VI.
Data do documento: 1 de setembro de 1823
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 975
Data-limite: 1816-1817
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta pública de d. Frutuoso Rivera na qual convoca seus companheiros de departamento a pegar em armas, pois os portugueses haviam tomado a fortaleza de Santa Teresa e era necessário lutar contra a tirania de Portugal.
Data do documento: 16 de agosto de 1816
Local: Maldonado
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 975
Data-limite: 1816-1817
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta de Carlos Frederico Lecor, futuro barão de Laguna, em que comunica ao conde da Barca, Antônio de Araújo e Azevedo, que ao chegar em Montevidéu recebeu diversos pedidos de famílias miseráveis para que fossem abrigadas nos acampamentos do exército. No entanto, deixa claro que não havia condições de sustentá-las e sugere que sejam removidas para o sul do Brasil onde ajudariam na povoação da região e posteriormente, se quisessem, poderiam voltar aos seus lares quando a praça estivesse pacificada.
Data do documento: 13 de abril de 1817
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 975
Data-limite: 1816-1817
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta de Carlos Frederico Lecor, futuro barão de Laguna, ao conde da Barca, Antônio de Araújo e Azevedo, sobre a ocupação da praça de Montevidéu e a conformação do povo em relação ao domínio português na região. Diz ainda que o cabildo local, através dos "homens bons", manifestou seus votos a favor da incorporação da província aos domínios brasileiros e comunica que enviou à Corte alguns deputados do cabildo para tratar de questões políticas.
Data do documento: 5 de março de 1817
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 975
Data-limite: 1816-1817
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta de Carlos Frederico Lecor, futuro barão de Laguna, ao conde da Barca, Antônio de Araújo e Azevedo, na qual solicita providências para os seis meses de atraso no pagamento dos soldos, ressaltando que as deserções estavam se tornando constantes e que os soldados estavam "andando já com indecência" pela província, dada a falta de provimentos de fardas e outros gêneros.
Data do documento: 22 de julho de 1817
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 975
Data-limite: 1816 - 1817
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta pública de Carlos Frederico Lecor, futuro barão de Laguna, em espanhol, na qual afirma ao povo uruguaio que as agitações da anarquia acabaram e que a partir daquele momento estariam protegidos pelo Império Português. Diz ao povo que não mais voltariam a sentir o peso dos impostos, pois o comércio livre com todas as nações foi concedido pelo rei e que se encerravam todas as destruições causadas pela guerra.
Data do documento: 20 de janeiro de 1817
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 978
Data-limite: 1824-1828
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta de Juan Antonio Lavalleja ao visconde de Laguna, governador da província Cisplatina, na qual relata o sucesso de seu exército no combate na Costa de Sarandi contra o exército brasileiro em que obtiveram mais de 400 prisioneiros, "multidões de oficiais", e mais de mil armas de todo o tipo. Avalia que com essa vitória foi "seguramente" selada a liberdade da província Cisplatina. Documento em espanhol.
Data do documento: 12 de outubro de 1825
Local: Quartel Gral em el campo de la Vitoria
Folha: f.11 pct. 18

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 978
Data-limite: 1824-1828
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1ª
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta do visconde de Laguna ao barão de Lajes, João Vieira de Carvalho, ministro da Guerra, na qual narra a situação do exército e do recrutamento na região do Rio Grande do Sul. Nessa carta, também informa o sentimento de desespero dos habitantes da região com os constantes fracassos do exército e sugere maneiras de recuperar a confiança destes, deixando o aviso de que se isso não fosse feito "em lugar de uma província, haveria de pacificar duas".
Data do documento: 10 de outubro de 1826
Local: Quartel General de São Francisco de Paula
Folha: pct. 27, doc 2

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 978
Data-limite: 1824-1828
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1ª
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: proclamação do governo das Repúblicas das Províncias Unidas do Rio da Prata em nome de Juan Gregório de las Heras, no periódico Gaceta Mercantil de Buenos Aires, na qual autoriza o corso marítimo às embarcações e propriedades do imperador brasileiro e seus súditos. Também convoca todos os cidadãos a se tornarem soldados e atenderem ao grito de guerra, devido à última prova de injustiça e política imoral do imperador d. Pedro I com relação aos países vizinhos.
Data do documento: 2 de janeiro de 1826
Local: Buenos Aires
Folha: pct. 24, fls. 11 e 12

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 976 A
Data-limite: 1820-1820
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta do conde de Figueira, d. José de Castelo Branco Correia e Cunha Vasconcelos e Sousa, a Tomás Antônio de Vila Nova Portugal, ministro da Guerra, contendo informações sobre a derrota sofrida por José Artigas na batalha de Taquerembó, que, segundo o conde, desorganizou os planos do general rebelde. Relata a participação do general Curado e também o destino dos seguidores de Artigas que não atravessaram a fronteira para o Uruguai. Promete ainda, o envio de tropas para a margem do Uruguai com o objetivo de conseguir informações sobre o restante das forças do exército inimigo e escolher os pontos que ficariam guarnecidos para garantir a segurança naquela fronteira.
Data do documento: 17 de fevereiro de 1820
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 976 A
Data-limite: 1820-1820
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: extrato de despesas da tesouraria da Divisão de Voluntários Reais no mês de fevereiro de 1820. Inclui, entre outras informações, as despesas feitas pelo Estado Maior, a Secretaria do General, despesas extraordinárias e com a secretaria militar. Contém ainda o número de oficiais e alferes, assim como seus nomes e os gastos de cada um deles.
Data do documento: 1 de março de 1820
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 976 A
Data-limite: 1820-1820
Título do fundo:
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta do barão de Laguna, Carlos Frederico Lécor, a Tomás Antônio de Vila Nova Portugal, ministro da Guerra, na qual informa os últimos acontecimentos da guerra, principalmente as condições das tropas de Artigas, que com um batalhão de 2.400 homens e 4 peças de artilharia tomou Taquerembó e fez mais de 400 prisioneiros. O rebelde ainda matou um grande número de inimigos entre eles cinco brasileiros. O ofício também explica as condições das tropas brasileiras e seus esforços para deter o avanço das tropas de José Artigas.
Data do documento: 1 de fevereiro de 1820
Local: São José
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 976 A
Data-limite: 1820-1820
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: ofício do brigadeiro José de Abreu ao conde de Figueira, d. José de Castelo Branco Correia e Cunha Vasconcelos e Sousa, comunicando o recebimento do ofício que confirmava o envio de 300 cavalos, necessários para o reabastecimento das tropas, e que foram entregues ao alferes Gaspar Nunes. Trata, ainda, da movimentação das tropas para a costa do Uruguai.
Data do documento: 8 de fevereiro de 1820
Local: S.l.
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 976 A
Data-limite: 1820-1820
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta do conde da Figueira, d. José de Castelo Branco Correia e Cunha Vasconcelos e Sousa, a Tomás Antônio de Vila Nova Portugal, ministro da Guerra, sobre o depoimento de um prisioneiro português, que relatou os últimos acontecimentos de Montevidéu. O território se encontrava livre das tropas que seguiam o "rebelde" Artigas. O prisioneiro ainda alertou sobre as "terríveis intenções" de Artigas com a província.
Data do documento: 14 de fevereiro de 1820
Local: S.l.
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 976 A
Data-limite: 1820-1820
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: extrato das despesas da infantaria da Divisão de Voluntários Reais do mês de outubro de 1820 no qual contém, entre outras informações, os gastos de cada oficial do Estado Maior, assim como do primeiro regimento de Infantaria, os nomes dos capitães, tenentes, alferes e as despesas com a divisão ligeira do Segundo Batalhão de Libertos. O documento é assinado por José Joaquim Justiniano, comissário e alferes encarregados.
Data do documento: 3 de novembro de 1820
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 976 A
Data-limite: 1820-1820
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: ofício do barão de Laguna, Carlos Frederico Lécor, a Tomás Antônio de Vila Nova Portugal, ministro da Guerra, no qual tem a "honra" de transmitir ao conhecimento de d. João VI a carta do governador de Entre Rios, d. Francisco Ramires, sobre a prisão de Artigas em Candelária pelos paraguaios. O ofício trata das boas intenções de d. Ramires em relação aos portugueses, e solicita que nas fronteiras das Missões houvesse consideração com os habitantes de Entre Rios. Envia as últimas notícias de Buenos Aires, onde parecia que a liberdade de imprensa havia sido suprimida e ainda informa sobre a chegada das naus inglesa e francesa por volta dos dias 22 e 23 a Montevidéu.
Data do documento: 26 de outubro de 1820
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 976 A
Data-limite: 1820-1820
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: ofício do barão e Laguna, Carlos Frederico Lécor, Tomás Antônio de Vila Nova Portugal, ministro da Guerra, em que requisita novos armamentos para suas tropas, posto que os que possuíam se encontravam em mal estado. Entre tais armamentos estavam arreios e pistolas para as companhias de artilharias da Divisão de Voluntários Reais. Para o primeiro regimento de infantaria eram necessárias chapas para barretinas e talabartes, e para o segundo regimento 24 folhas de metal e mais 12 para o Batalhão de Libertos.
Data do documento: 5 de outubro de 1820
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 976 A
Data-limite: 1820-1820
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: carta do brigadeiro José de Abreu ao conde de Figueira, d. José de Castelo Branco Correia e Cunha Vasconcelos e Sousa, sobre o testemunho de dois naturais de São Borja, da Companhia de Lanceiros da Coluna do Tenente General Curado, e que foram prisioneiros de Artigas. Eles traziam informações importantes sobre a localização de Artigas: ele se dirigia para as bandas do Salto acompanhado unicamente de 30 homens, e possuía o objetivo de reunir-se com Los Chicos e outros partidários e posteriormente seguir para Belém. Em vista disso, o brigadeiro enviou uma partida de 100 homens para Belém.
Data do documento: 6 de fevereiro de 1820
Local: Costa do Arroio
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 976 A
Data-limite: 1820-1820
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: ofício de João Fernandes Leal de Miranda, diretor do Hospital Militar de Montevidéu, a Tomás Antônio de Vila Nova Portugal, ministro da Guerra, enviando as cópias das contas correntes, conferências mensais e mapas do Hospital no período de outubro de 1819 até janeiro de 1820. Entre as informações contidas no documento, estão as despesas feitas com pacientes dos mais diferentes regimentos, assim como o número de entrada e saída de enfermos do hospital, e o número de mortos de cada regimento.
Data do documento: 11 de março de 1820
Local: Montevidéu
Folha(s):

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 975 A
Data-limite: 1818-1818
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: cópia de um trecho do ofício escrito por Carlos Frederico Lécor, barão de Laguna, a Miguel Antônio Flangini, marquês de Alegrete, informando o alto número de deserções entre os milicianos, que influenciados pelos inimigos retornavam para as suas casas ou permaneciam nas fronteiras onde se dedicavam ao ofício de comercializar animais com as tropas hostis. O barão ainda recomenda que o marquês tome as devidas providências para que esses desertores fossem punidos severamente.
Data do documento: 8 de julho de 1818
Local: S.l.
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 975 A
Data-limite: 1820-1820
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: ofício de Carlos Frederico Lécor, barão de Laguna, a Tomás Antônio de Vila Nova Portugal, ministro da Guerra, sobre a vitória do destacamento do marechal de campo Bernardo da Silveira Pinto e do general Sebastião Pinto, acompanhados por um destacamento de 300 homens em duas companhias do 2° Batalhão de Libertos e do 1º Batalhão de Caçadores, no embate contra as partidas inimigas. Como resultado desse conflito, ficaram em poder das tropas brasileiras 28 prisioneiros inimigos, entre os quais dois oficiais, além de uma caixa de guerra, 7 espadas, 200 cavalos e 180 bois. O documento possui em anexo um mapa, no qual se encontra a relação das perdas das tropas brasileiras na batalha, a quantidade de mortos, feridos e "extraviados".
Data do documento: 29 de abril de 1818
Local: Montevidéu
Folha(s): -

Conjunto documental: Coleção Cisplatina
Notação: caixa 975 A
Data-limite: 1818-1818
Título do fundo: Coleção Cisplatina
Código do fundo: 1A
Argumento de pesquisa: Questão Cisplatina
Ementa: ofício do barão de Laguna endereçado a Tomás de Vila Nova Portugal em que mostra o seu desagrado com o estado do batalhão dos negros, que estavam com uma aparência miserável, e faz reclamações sobre o resto das tropas onde as deserções se fazem cada vez mais constantes, e estes desertores ainda freqüentemente levavam consigo os seus armamentos. Reclama também o envio de ao menos 3 mil cavalos ao Rio Grande para remontar a cavalaria, e de pessoal, posto que os 1400 homens que vieram com o general Pinto estavam tão maltratados que era impossível contar com eles.
Data do documento: 12 de abril de 1818
Local: Montevidéu
Folha(s): -

AZEVEDO, Francisca L. Nogueira de. Carlota Joaquina na corte do Brasil. RJ: Civilização Brasileira, 2003.

BANDEIRA, Moniz. O expansionismo brasileiro e a formação dos Estados na Bacia do Prata. Brasília: UnB, 1995.

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